Queijos que não são queijos: entidades alertam consumidores

Queijos que não são queijos: entidades alertam consumidores

Produtos análogos são permitidos no mercado, mas Sindilat e Apil cobram mais clareza de informações nas embalagens

Cíntia Marchi

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Presentes nas prateleiras dos supermercados, produtos análogos aos queijos têm preocupado o setor leiteiro pela confusão que gera entre os consumidores. Eles têm aparência e textura semelhantes e possuem aromas que imitam os lácteos, mas são produzidos a partir de gordura vegetal, água e amido. A comercialização deste tipo de produto é permitida no Brasil, mas entidades cobram mais clareza de informações nos rótulos destas mercadorias que têm competido com os alimentos de origem animal, derivados de leite. “As pessoas, muitas vezes, acham que estão consumindo muçarela e quando vão ver é um produto análogo”, relata o administrador do Laticínio Doceoli, de Santo Cristo, Fernando Zimmermann.

É comum encontrar nos supermercados itens similares aos queijos, utilizando nas embalagens termos como “sabor requeijão”, “sabor cheddar”, “sabor muçarela”. Para evitar o engano dos consumidores, a então deputada federal Tereza Cristina, hoje ministra da Agricultura, protocolou em 2018, na Câmara dos Deputados, o projeto de lei 10556, proibindo o uso da palavra leite e seus derivados em produtos de origem vegetal, que não possuem o mesmo valor nutricional dos lácteos. O texto recebeu no ano passado parecer favorável do relator na Comissão da Defesa do Consumidor, mas encontra-se arquivado.

O Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat), que é favorável à aprovação do projeto de lei, defende a criação de penalização monetária para os fabricantes de produtos similares que usarem nas embalagens descrições indevidas. “O setor não quer a proibição da comercialização deste tipo de produto, mas quer que se dê o nome correto”, ressalta o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini.

Segundo Zimmermann, os produtos de origem vegetal têm ocupado cada vez mais espaço no mercado e, muitas vezes, são usados por lancherias e pizzarias, sem que o consumidor seja informado. “Geralmente estes produtos têm custo menor e acabam pressionando para baixo o preço dos nossos queijos”, reclama Zimmermann.

A concorrência se torna um problema, na opinião da Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Apil), porque o setor já vem sofrendo com altos custos de produção. O presidente da entidade, Delcio Giacomini, diz que os laticínios estão engajados para informar melhor os consumidores sobre as diferenças entre os produtos. “Queremos que ele chegue ao mercado ou no restaurante e possa estar especificado que tipo de queijo ele está comendo”, destaca.

 


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