Vendas e preço do frango reagiram durante junho
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Vendas e preço do frango reagiram durante junho

Cepea/Esalq/Usp indica elevação de 6% nas cotações, em movimento que analistas da indústria percebem, mas consideram “ainda tímido”

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Correio do Povo

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O aquecimento das vendas de carne de frango no mercado interno e a readequação dos estoques feita pelos frigoríficos, depois da queda do consumo entre março e abril, fez com que as cotações do produto reagissem em junho, retornando a patamares registrados no início de março, antes do distanciamento social provocado pela pandemia do coronavírus.

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), o preço médio de venda do frango inteiro congelado, pela indústria, nas regiões de Porto Alegre e Erechim, era de R$ 5,23 e R$ 6,00, respectivamente, na semana passada. Os valores superam em cerca de 6% os de maio.

Para colaboradores do Cepea, a melhora nas vendas também está relacionada à retomada, ainda que parcial, de algumas atividades econômicas. O diretor executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), Eduardo Santos, informa que a recuperação dos valores foi percebida, mas não significa que o setor chegou a um patamar de equilíbrio. “É um processo tímido ainda”, avalia, ao apontar que os frigoríficos tiveram queda de até 40% nas vendas entre março e abril. Ele lembra que o anúncio da pandemia fez com que as pessoas estocassem alimentos em casa e depois houve freio na comercialização, gerando altos estoques e desvalorização da carne de frango.

Em função deste cenário, Santos diz que a produção da indústria caiu 15% em abril e maio – algumas plantas também fecharam temporariamente por conta do contágio de funcionários com a Covid-19 –, houve readequações nos estoques e, ao mesmo tempo, reaquecimento na demanda doméstica nas últimas semanas.


O diretor executivo da Asgav afirma que, a partir de agora, o setor estará “em total alerta” para ver como se porta a demanda. “As empresas estão cientes que precisam abastecer o mercado e já adotaram todos os protocolos para dar segurança aos colaboradores”, acrescenta. Em relação ao mercado externo, revela que a expectativa é que se mantenham os bons números concretizados entre janeiro e maio, quando a avicultura gaúcha exportou 282 mil toneladas, 64% mais do que no mesmo período de 2019.