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Dez anos de tristeza sem fim. Que não se repita

Por Daiçon Maciel da Silva*

Os dez anos do incêndio da Boate Kiss nos lembra uma tragédia que comoveu e ainda comove o Brasil e o mundo. Mas, principalmente para os gaúchos, o 27 de janeiro foi um dia de luto, impossível passar em branco.

Muitos de nós conhecemos e nos encantamos com a bela Santa Maria, cidade histórica, cercada por verdes vales, no centro do Estado, o coração do Rio Grande.
Lá, 242 vidas foram perdidas, entre elas, uma patrulhense, que, como tantos jovens que saíram para se divertir naquela noite, também eram estudantes da conceituada UFSM, universidade Federal de Santa Maria.

Futuros médicos, engenheiros, administradores e tantos outros profissionais graduados o mundo perdeu. Quantas histórias interrompidas!

E para quem ficou neste plano, as famílias das vítimas, o que resta, além da dor que não cessa? Tocar em frente? Sim, é preciso! Mas, como se concentrar em outro assunto ou atividade, com a sede de justiça que não se esgota. Com a imaginação que não se inquieta, vislumbrando como seria a trajetória daqueles que partiram sem aviso, muito antes da hora.

Lá se vão dez anos de uma tristeza sem fim, assim como o desfecho de um caso tão complexo. E como bem disse o juiz Orlando Faccini Neto, não pode um caso como esse, em função de sua complexidade, ficar tanto tempo sem respostas para familiares das vítimas e para a sociedade.

A tragédia da Kiss chama a atenção para o peso da responsabilidade que os gestores públicos têm sobre os ombros. A incapacidade de curar a dor de tantas famílias!
Depois desse incêndio, a política para abertura e funcionamento de empresas do setor de eventos e de outras áreas mudou bastante. Novas regras, atentas a cada detalhe, foram criadas.

Mas, muitas vezes, medidas de uma administração municipal podem não parecer simpáticas, senti isso na pele. Durante a pandemia da Covid-19, coube a governadores e prefeitos decretarem protocolos para a redução de contágio e boa parte da nação não aceitou a imposição necessária. 

Depois de tudo que aconteceu em Santa Maria, tem muita gente que já “torce o nariz” para a legislação sob os efeitos da Kiss. Em muitos momentos, gestores são vistos como adversários do desenvolvimento econômico, mas é preciso ter coragem e equilíbrio para decidir pela vida em primeiro lugar.

*Engenheiro civil, ex-prefeito de Santo Antônio da Patrulha