Técnica de enfermagem relata rotina incansável ao participar de resgates em Canoas e Porto Alegre

Técnica de enfermagem relata rotina incansável ao participar de resgates em Canoas e Porto Alegre

Letícia Fontes se envolveu em várias atividades para auxiliar durante a enchente

Karina Reif

Letícia Fontes dos Santos ficou quatro dias sem descansar

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A técnica de enfermagem e bombeira civil Letícia Fontes dos Santos ficou quatro dias sem descansar e sem tomar banho, auxiliando nos resgates em Porto Alegre e na Região Metropolitana. Ela se envolveu principalmente no atendimento às vítimas e na gestão de medicamentos. Logo que as águas começaram a subir na Grande Porto Alegre, Letícia se dirigiu a abrigos e começou a distribuir marmitas e a montar farmácias, além de participar de resgates em Canoas.

“Quando encerraram as buscas no bairro Mathias Velho, eu fui para Porto Alegre, porque sentia necessidade de continuar ajudando”, destaca. Quando chegou na zona Norte da Capital, identificou a falta de remédios e de materiais para curativo na farmácia improvisada. “Comecei a pedir remédios e arrecadações. Fui montando o estoque e apoiando na enfermagem que precisava”, descreve. “Não consigo explicar a dimensão que se tornou. Estava praticamente morando embaixo de um viaduto”, lembra.

Além disso, Letícia ajudou a organizar uma equipe de saúde para ir para as vilas que estavam necessitando de suporte. “Para mim, isso foi muito gratificante, porque eu sou apenas uma técnica de enfermagem e bombeira civil. Em momento algum tive medo de ir para água e ajudar a resgatar, levar o mínimo de dignidade que as pessoas precisavam, que é medicação, curativo, água, comida. Até tentei ir para casa, mas o coração da gente não consegue. Abandonei minha casa, meus filhos. Acho que nem tenho mais emprego, mas foi válido.” Agora ela deve trabalhar para atuar na fase pós-enchente, auxiliando a volta dos desabrigados para casa.

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