Ação inclusiva leva pessoas com deficiências à beira-mar de Capão da Canoa
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Ação inclusiva leva pessoas com deficiências à beira-mar de Capão da Canoa

Atividades foram organizadas pela Estação Verão Sesc no sábado

Por
Chico Izidro

Atividades foram organizadas pela Estação Verão Sesc no sábado

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Cadeiras anfíbias para banho de mar, oficina de skate, andadores de pvc e playground. Tudo adaptado para promover – com muita segurança – a acessibilidade de pessoas com deficiência. Foi o que se viu no sábado passado, em Capão da Canoa, durante o 1º Dia da Inclusão no Estação Verão Sesc na beira da praia. O evento promoveu diversas atividades esportivas, culturais e de educação, reunindo no balneário mais de 1,5 mil pessoas de todo o estado e até de outras regiões.

Um exemplo foi a estudante de direito Roberta de Lima, de 26 anos, de Porto Alegre. Ela é portadora de uma lesão medular congênita, sendo obrigada a se locomover em cadeira de rodas. “Acordei hoje e pensei: não vou ficar em casa”, lembrou. Aí foi até a rodoviária, pegou um ônibus e se dirigiu até Capão da Canoa para passear. “Aqui acabei tomando um banho de mar, onde entrei com uma cadeira anfíbia”, contou. Quem a encaminhou para dentro da água foram voluntários da ONG Caminhadores RS, que ajudam os deficientes a entrarem na água e passear na beira do mar. “Não tem comparação. É a minha segunda experiência, e me sinto parte da sociedade, incluída”, comemorou. Roberta disse que voltaria ainda no sábado para Porto Alegre. “Depois de curtir o evento, volto para casa, feliz”, vibrou.

Por sua vez, Suellen Fernandes de Oliveira Lima, professora de educação física, deficiente visual e com 38 anos – tendo perdido a visão aos 31 anos devido a Síndrome de Steve Johnson – também não desanima. Ela é natural de Goiás e reside em Goiânia, mas estava em Capão da Canoa visitando o namorado, o cadeirante Flávio Schaefer, que conheceu através de um grupo de amigos no whatsapp da faculdade. “É a primeira vez que entro no mar desde que fiquei cega”, revelou após a entrada no mar e uma caminhada à beira do mar, com guia. “Foi uma sensação incrível. Acho muito top o que estas pessoas (voluntários) nos proporcionam, fazendo o deficiente vivenciar uma sensação única. E eu quero viver e mostrar para as pessoas normais que existimos”, completou.

O sorridente Berick Santos Moura, 16 anos, é morador da Vila Santa Cecília e atleta paraolímpico do Grêmio Náutico União (GNU), onde pratica natação. Aos nove anos sofreu um acidente automobilístico que o fez amputar uma das pernas. “Faço natação e agora estou indo para o primeiro ano do Ensino Médio”, conta. “E o que falar de hoje (sábado). Adoro quando estou no mar, me sinto livre”, disse ele, que em uma cadeira de rodas anfíbia, curtiu o mar em Capão da Canoa. Berick até brincou de skate, em uma tarde que classifica como "inesquecível".

O técnico de esporte e lazer do Sesc, André Kirch, disse que a participação das pessoas foi "fascinante". Ele contou que uma das atividades mais festejadas do dia foi a caminhada às cegas. “As pessoas com visão tiveram os olhos vendados e fizeram um percurso pela beira do mar, sendo guiadas, e podendo assim ter a mesma sensação e as dificuldades por que passam os deficientes visuais”, explicou.