Dupla de guarda-vidas mulheres encara desafios de machismo e profissão no Litoral gaúcho

Dupla de guarda-vidas mulheres encara desafios de machismo e profissão no Litoral gaúcho

As duas são a única dupla de mulheres a trabalhar nas guaritas das praias do Rio Grande do Sul

Correio do Povo

As duas dizem não ter medo da função

publicidade

“Meu deus, aqui mesmo é que não vou vir curtir a praia”, escutou de um conhecido a guarda-vidas Tatiane Purper Reis, ao notar que a guarita 39, em Arroio do Sal, é guarnecido por duas mulheres, ela e a colega, a soldado Lahis Schultz. A dupla feminina é a única em todo o litoral norte gaúcho. Mas o comentário machista não a incomodou, pelo contrário, deu mais força para mostrar a força das mulheres. “Muitas pessoas questionam se temos a força física necessária para tirar alguém das águas, mas o nosso treinamento é o mesmo que o de qualquer outro guarda-vidas”, garantiu Tatiane, 31 anos, que trabalha na Brigada Militar em Lajeado.

Ela conta que sempre gostou de nadar, e brincava com uma prima de que era uma guarda-vidas. Ao entrar na Brigada Militar, nem sonhava com esta possibilidade, até que um colega falou para ela. “Eu nem sabia que um brigadiano poderia exercer esta função. E agora já estou no meu sexto ano. E a parceria com Lahis tem sido fantástica”, disse. As duas já eram amigas, e quando foi oferecido a elas a possibilidade de formarem a parceria, nem pensaram duas vezes.  “Não é um desafio trabalhar com ela. Tenho confiança. Quando propuseram a dupla com a Lahis, nem hesitei”, contou Tatiane.

Foto: Guilherme Almeida

Lahis, também de 31 anos, é de Porto Alegre, e pratica o nado desde os 12 anos de idade. “Em 2016 vim trabalhar na Operação Golfinho no litoral, e vi colegas nas guaritas. Admirei a função deles e isso passou a ser um objetivo na minha vida. Treinei, fiz os testes e passei”, lembrou. “Hoje sinto um baita orgulho em vestir esse uniforme”, afirmou.

As duas dizem não ter medo da função. “Já fizemos vários salvamentos. A gente vê alguém se afogando, olha o mar e pensa somente em salvar aquela pessoa”, destacou Tatiane, que lembra quando conseguiu salvar 4 adolescentes que estavam se afogando. “A gente gosta de poder ajudar, e aqui fazemos a diferença”, completa. “Temos toda uma preparação, com academia, natação. Estamos condicionadas”, revelou.

As duas se divertem quando falam sobre os homens. “A gente intimida eles, somos independentes e passamos uma coisa de força. E isso incomoda muitos deles”, disse Lahis. “Ainda bem que meu namorado é um grande incentivador do meu trabalho”, afirmou. Tatiane é solteira, e reconhece que sua função assusta muitos pretendentes. “Os caras me olham, se estou de civil até vem conversar comigo, mas basta saberem minha função ou me verem fardada, somem”, diverte-se. “Mas amo o meu serviço. Nasci para isso”, concluiu. 


publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895