Pandemia altera rotina de banhistas e intensifica cuidados no litoral

Pandemia altera rotina de banhistas e intensifica cuidados no litoral

Moradores e turistas seguem atentos as medidas de prevenção ao coronavírus

Chico Izidro

Brigadiana aposentada Alba Nunes Torres foi mais radical e decidiu fugir de Porto Alegre e ir morar em definitivo em Capão da Canoa

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A pandemia do coronavírus mudou a vida de todo mundo em todo o planeta. Aqui no Rio Grande do Sul durante a temporada de frio as pessoas conseguiram, de certo modo, seguir as orientações feitas pelas autoridades sanitárias e se isolaram em suas casas, saindo apenas para o necessário, como buscar alimentos, ir ao médico ou farmácias. Mas com a chegada do calor e as férias de verão, muitas famílias decidiram não ficar em suas casas e voltaram a frequentar as praias. E o litoral é considerado um lugar seguro, pois alguns estudos mostram que as ações dos raios ultravioleta e a água do mar diminuem a ação do vírus.

O grande problema, no entanto, segue sendo a aglomeração, pois as pessoas acreditam que estando em ambiente aberto, não correm o risco de serem contaminadas. E manter o distanciamento social é importante na praia, assim como o uso de máscara, fundamental em questão de segurança para pessoas de todas as idades.

As praias são ambientes abertos e pode causar uma sensação de segurança. Mas são locais frequentados por muitas pessoas, assim não excluindo o risco de contágio. Foram registrados muitos casos de aglomeração no litoral, principalmente nos finais de semana. As autoridades fizeram algumas normas sanitárias, que pedem que as famílias mantenham distância de segurança de 2 metros de outras pessoas, tanto na areia quanto no mar. Já a distância entre os guarda-sóis de diferentes grupos deve ser de 3 metros.

No entanto, caso não exista a possibilidade do distanciamento na faixa de areia, recomenda-se que crianças maiores de 2 anos e adultos devem usar máscaras – e isso praticamente não se vê nas faixas de areias nas praias. E existe outro problema em relação ao utensílio – as máscaras devem ser trocadas de duas em duas horas ou sempre que sujarem, ficarem úmidas ou molhadas, devendo o banhista levar uma quantidade suficiente de reserva.

Os amigos Rejane Giacomelli e José Dick são de Santa Maria e estão de férias em Xangri-Lá. “Por acaso, estamos sem máscara agora, pois estávamos saindo do mar. Garanto que estamos seguindo as normas pedidas, máscara o tempo todo, só tirando para se banhar e logo depois, colocar novamente, mesmo na beira do mar”, afirmou Dick. Eles dizem que o litoral parece ser mais seguro do que sua cidade natal. “Eu acho que as pessoas, por estarem a céu aberto, acreditam que não tem pandemia, não estão nem aí”, destacou Dick, empresário na área de segurança.

A médica aposentada Rejane, por sua vez, testemunhou muita aglomeração em Capão da Canoa. “Lá estão abusando”, destacou. “Aqui está mais vazio, e os veranistas estão mantendo distanciamento”, ressaltou. “Infelizmente, as pessoas acham que são atletas e não vão ser contaminadas. Uma pena”, disse Rejane.

A médica contou que durante a pandemia ficou isolada completamente. A sua filha lhe trazia os alimentos e outras necessidades básicas. E nunca se tocavam. Ela recebia o material e era isso. O contato com os amigos e familiares era feito de forma online. “A insegurança e a falta de informação eram terríveis. Em determinado momento, comecei a fazer máscaras para distribuir em Santa Maria”, contou.

O álcool gel 70% é, além da máscara, outro item que deve ser usado na praia. Os adultos devem utilizá-las sempre. Mas elas podem ser prejudiciais para as crianças, que tem a pele mais sensível, podendo apresentar alergias, e ainda correndo a ameaça de terem queimaduras e alterações na cor da pele por conta da exposição ao sol combinada à fórmula do produto.

Também deve se dar cuidado aos alimentos, sendo primordial que ao ir à praia o veranista sempre leve comidas e bebidas próprios, acondicionados em sacolas térmicas. Se a pessoa for consumir alimentos em quiosques ou ambulantes, deve ficar atenta aos locais que respeitem as normas de segurança, já que comidas e acessórios podem ser contaminados.

A nutricionista Cristiane de Vasconcelos é moradora de Porto Alegre, e ficou mais de 40 dias no litoral, mais exatamente no Balneário Imbé. “Quando estava em Porto Alegre fiquei o primeiro mês da pandemia praticamente isolada. Trabalhei online e só ia ao supermercado rapidamente”, recordou.

Ela diz que não foi contaminada, pois teve todos os cuidados necessários. “Mas confesso que quando vim para a praia, dei uma relaxada. Porém sigo com os procedimentos de segurança aqui”, garantiu. “Venho para a beira do mar sozinha, trago álcool gel, máscara, e fico distante dos outros banhistas, ou seja, fujo das aglomerações”, disse. Cristiane notou que as pessoas na beira do mar e por estarem ao ar livre acham estarem imunes ao vírus. “Parece que não existe pandemia aqui. Mas as pessoas têm de seguir com os procedimentos”, alertou. “É uma falsa ideia de segurança”, analisou.

O casal Carlos Eduardo Ruschel e Carla Tarrasconi Ruschel moram em Gravataí, onde possuem uma imobiliária. Estão veraneando em Xangri-Lá, onde se sentem mais seguros em relação à pandemia. “Menos gente, menos aglomeração”, disse Carla. “Lá em Gravataí, Porto Alegre, onde tínhamos de ir em função do trabalho, era um risco diário. Uma sensação de insegurança total”, garantiu Carla. “Porém trabalhamos muito em casa, tentando ir na empresa apenas o necessário”, ressaltou Carlos. “Na praia estamos ao ar livre, evitando aglomerações. E eu noto que as pessoas aqui estão se cuidando. Tirando a beira do mar, vejo elas usando máscara direto”, garantiu ele.

“Meu filho Eduardo é médico, trabalhando direto na linha de frente no combate ao vírus em UTI num hospital da Capital, e a gente só tem contato através do whatsapp. Embora morando em Porto Alegre, nada de contato, nada de se ver, de abraçar e a saudade está enorme”, lamentou. “Nós costumamos viajar muito nas férias, principalmente para o exterior. Só que devido a pandemia, decidimos vir para Xangri-Lá, local que achamos mais seguro”, concluiu.

A brigadiana aposentada Alba Nunes Torres foi mais radical e decidiu fugir de Porto Alegre e ir morar em definitivo em Capão da Canoa, no bairro Praia do Barco. “Eu sou diabética e em Porto Alegre morria de medo de ser contaminada. Eu precisava sair de casa para fazer o tratamento de diabetes e me apavorava, mesmo tomando os cuidados necessários”, relatou. “Então um dia, no auge da quarentena, decidi mudar e viver aqui para sempre. Até o título de eleitor já transferiu”, disse. Ela contou que no litoral descobriu uma nova qualidade de vida, muito superior ao da Capital. “Ponho a máscara, e vou para a beira do mar. Aqui posso tomar um mate, um café tranquilamente, a céu aberto, coisa que para mim era impossível em Porto Alegre, onde até coloquei minha casa à venda”, revelou.

Alba disse ainda que em Capão da Canoa tem feito seu tratamento médico normalmente, sua taxa de glicose normalizou. “Não tenho estresse. E tenho paz, tranquilidade. Sou superativa, e achei que iria estranhar, e que nada. Faço minhas compras por telefone, e me entregam na porta de casa, com segurança. E aprendi até durante a pandemia a ser artesã. Faço meus artesanatos, mas para consumo próprio, não vendo nenhuma peça. Aqui estou feliz e segura em relação a pandemia”, encerrou.

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