Prestes a completar duas semanas de calor extremo, gaúchos esperam pelo alívio da quarta

Prestes a completar duas semanas de calor extremo, gaúchos esperam pelo alívio da quarta

RS viveu 13º dia seguido de temperaturas que circundaram os 40 graus

Christian Bueller

Nas praças e parques da Capital, as garrafas com água eram essenciais

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Escolha a analogia que desejar: a sensação de colocar braços e rosto em uma churrasqueira em brasa, chegar a poucos metros perto de um vulcão ou, para uma pessoa mais criativa, sentir algo similar a um ‘sopro de um dragão’. Pois relatos como estes foram ouvidos a quem saía na rua nesta segunda-feira, décimo terceiro dia seguido de temperaturas que circundaram os 40 graus em boa parte do RS. A esperança é o prometido alívio a partir da quarta-feira, quando uma frente fria deverá ingressar no Estado.

No Centro de Porto Alegre, era comum ver pessoas interrompendo as passadas largas para fugir do calor buscando um ar mais fresco nas entradas de agências bancárias e lojas de departamento. Viajantes que voltaram do litoral norte gaúcho e de outros estados sentiram a diferença quando desceram na Rodoviária de Porto Alegre. “Eu quis fugir desse clima, mas precisava voltar, não teve jeito. Vai ser difícil”, contou Susana Leite, que estava de férias em Santa Catarina. Por volta das 14h, alguns termômetros de rua apontavam 38 graus. Os números elevados atrapalhavam até quem tem “experiência” em tempos quentes. “Está faltando água, não consigo repor direito”, admitiu a vendedora Sandra Carvalho, que também vende sucos e refrigerantes na avenida Júlio de Castilhos.

Nas praças e parques da Capital, as garrafas d’água e as toalhinhas foram fiéis companheiras. Ciclistas e skatistas se arriscaram em manobras na Orla do Guaíba e no Parque Farroupilha (Redenção), procurando as sombras de árvores quando possível. “Estou só por quarta-feira! Dizem que vai amenizar, chega desse calor!”, esbravejou uma senhora que caminhava secando a testa com um lenço e não quis muita conversa com a reportagem.

Segundo a MetSul Meteorologia, a onde de calor que assola a América do Sul e, por consequência, castiga o Rio Grande do Sul desde o dia 12 de janeiro já é mais longa que a do ano passado no Pacífico Noroeste dos Estados Unidos e na província canadense de Colúmbia Britânica, considerada por muitos especialistas a mais intensa já registrada pelos especialistas no planeta.

Na América do Norte teve início em 25 de junho e perdurou até 7 de julho de 2021, mas, diferentemente do RS - que suporta quase duas semanas de calor extremo - o evento por lá foi mais curto à medida que a bolha de ar quente se deslocou na fase final da onda de calor.

Os recordes nas temperaturas no Estado desde o início da onda de calor, as estações do Instituto Nacional de Meteorologia registraram 41,5ºC em Quaraí no dia 12, 41,7ºC em Bagé no dia 13 (recorde absoluto de 110 anos), 40,8ºC em Bagé no dia 14, 40,6ºC em Uruguaiana no dia 15, 41,8ºC em Uruguaiana dia 16, 40,2ºC no dia 17 em Teutônia, 41,1ºC em Santa Rosa em 18 de janeiro, 41,5ºC em São Luiz Gonzaga no dia 19, 42,1ºC em Uruguaiana no dia 20, 41,8ºC dia 21 em Uruguaiana, 41,6ºC dia 22 em Uruguaiana e 42,1ºC no domingo, em São Luiz Gonzaga.

Uma massa de ar extremamente quente no território gaúcho, associada ao que se denomina de cúpula ou bolha de calor, deverá ser rompida por uma frente fria entre quarta e quinta-feira que vai colocar fim essa experiência rara vivida pelos gaúchos.

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