RS registra neste verão mais salvamentos e mortes por afogamento do que na temporada pré-pandemia

RS registra neste verão mais salvamentos e mortes por afogamento do que na temporada pré-pandemia

De dezembro a fevereiro, foram cinco mortes nas águas gaúchas, três a mais do que na temporada passada

Christian Bueller

De dezembro a fevereiro, foram cinco mortes nas águas gaúchas, três a mais do que em 2020

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Apesar da pandemia, o litoral do Rio Grande do Sul registrou mais salvamentos no mar e óbitos por afogamento do que na verão 2019/2020, período anterior à disseminação da Covid-19. Conforme dados da Operação RS Verão Total, da segunda metade de dezembro até 9 de fevereiro deste ano, houve quatro mortes nas águas do litoral Norte e uma no Sul, totalizando cinco. São três mortes a mais do que nos mesmos dias da temporada passada.

Até a última terça-feira, 425 pessoas foram resgatadas do mar – 349 banhistas no litoral Norte, 56 no litoral Sul e 20 em águas internas. No mesmo período da operação até 9 de fevereiro de 2020, ocorreram 359 salvamento, dos quais, 276 foram no litoral Norte, 39 no Sul e 44 em águas internas. Segundo o comandante da Operação Verão do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS), major Isandré Antunes, o aumento nos números está relacionado à mudança de perfil dos veranistas, verificada de um ano para o outro.

“Tínhamos, até então, que vinha por temporada, ficava uma semana, quinzena, mês. Estes que ficam mais tempo têm um comportamento mais comedido. Aproveitam melhor o banho”, explica Antunes, ressaltando que, dependendo das condições do mar, este tipo de turista nem vai para a praia. Por outro lado, o major relata que, atualmente, predominam os veranistas de final de semana, classificados por ele como “banhistas exagerados”. “Eles cometem excessos, desde a permanência dentro d’água, passando pela ingestão de bebida alcoólica. Tiram férias do remédio ou bebem junto com o medicamento, ocorre muito com os idosos”, informa o comandante.

Antunes acrescenta a pouca atenção que os banhistas de final de semana têm com as orientações dos guarda-vidas. “Além disso, não se preocupam com as condições do mar, entram de qualquer jeito”. O major disse que esta imprudência aconteceu, inclusive, no último final de semana de uma ressaca que chegou a destruir quiosques e guaritas de guarda-vidas em diversos municípios litorâneos. “O mar inundou a faixa de areia e, ainda assim, as pessoas foram se aventurar numa área em que nem deveriam estar”, comenta Antunes.

Segundo estudos do CBMRS, o afogamento inicia antes da vítima entrar na água. Antunes elenca uma série de fatores que contribuem para que ocorra. “A combinação desses comportamentos resulta em 90% dos casos de afogamento no RS”, frisa. A cadeia de incidentes que levam a uma pessoa se afogar começa em confiar em equipamentos flutuantes diversos, como uma bola – que não é uma boia. Ao mesmo tempo que se subestima a dinâmica da água, como corrente e profundidade, alguns banhistas superestimam sua capacidade física e conhecimento sobre natação. Mas os fatores considerados mais graves consistem em tomar banho em um local sem supervisão de guarda-vidas e perder contato visual de crianças na água.

As praias com mais salvamentos nesta temporada, até o momento, são Capão da Canoa (73), Torres (59) e Imbé Sul (41).


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