Uruguaio percorre América para acabar com preconceito com Pit Bulls
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Uruguaio percorre América para acabar com preconceito com Pit Bulls

Acompanhado de cachorro Haiser, mochila e prancha de surf pretende irá até o México em 10 anos

Por
Chico Izidro

Uruguaio Néstor Martin Sugo Silva decidiu abandonar tudo e colocar o pé na estrada, ao lado de seu cão Haiser, da raça Pit Bull

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Há cerca de um ano, o uruguaio Néstor Martin Sugo Silva, 24 anos, decidiu abandonar tudo em seu país e colocar o pé na estrada, ao lado de seu cão de estimação, Haiser, da raça Pit Bull. Natural de Taquarembó, onde teria nascido o cantor Carlos Gardel (1890-1935), ele já percorreu todo o seu país a pé e está no Brasil desde novembro passado e pretende percorrer toda a América Latina e chegar ao México dentro de 10 anos.

"Isso se eu não conhecer uma brasileira e me apaixonar por ela", suspira o rapaz, que em sua caminhada, faz uma campanha contra a discriminação com a raça de seu cachorro, considerada violenta. "Os violentos são os homens, não os bichos", ressalta ele, enquanto realiza apresentações ao lado do cão nas areias da praia de Capão da Canoa.

Martín quer mostrar que não existe raça de animais assassinos. "Mas sim donos irresponsáveis”, diz ele, que uma vez foi salvo por Haiser, quando tentou cometer suicídio, por causa de uma depressão. O rapaz, formado em marketing e ex-fuzileiro naval, ressalta que os Pit Bulls não são violentos. "Tudo depende da criação e de treinamento”, afirma. "Mas não é uma raça para todo mundo", destaca. "A única raça assassina que existe é o ser humano, que cria destruição", dispara.

Sua viagem começou há exato um ano no Uruguai. "Cansei de uma vida toda certinha, organizadinha. Quando morrer não vamos levar nada. Então estou aproveitando muito. Carrego minha mochila, meu cachorro, e minha prancha de surfe", disse Martín, que faz todo o trajeto a pé.

"De vez em quando rola uma carona", relata. "E quando estiver com 35 anos pretendo chegar no México. Caminho cerca de 35 quilômetros por dia. Depois do Brasil, vou para a Colômbia, Panamá, vou subindo a América Latina", conta ele, que agora está tentando conseguir um coelho para aumentar a família na estrada. "Acho um animal majestoso", exalta.

O rapaz se sustenta fazendo apresentações com Haiser e uma bolinha, e recebendo doações. Em Capão da Canoa, foi cercado de veranistas, muitos deles crianças, encantadas com as habilidades do cão, muito brincalhão e extremamente obediente. Dentro de alguns dias ele irá para Torres, antes de se dirigir para a Bahia, sempre andando pelo litoral.

Sua rotina se inicia às seis da manhã, quando levanta após dormir na barraca, lê um pouco um dos livros que carrega e vai surfar. Depois, pé na estrada. Martín agradeceu muito a receptividade que vem recebendo dos brasileiros.

"Os brasileiros têm me acolhido muito bem. Agradeço muito. As pessoas têm me ajudado bastante", disse Martín, falando sempre em português, que aprendeu nas suas andanças pelo Brasil.