Descongestionante nasal vicia? Confira os mitos e verdades

 

Especialistas alertam para o uso exagerado de descongestionantes nasais | Foto: Flickr / CP

A otorrinolaringologista Maura Neves, do Hospital Universitário da USP, explica como os descongestionantes nasais funcionam e quando devem ser usados

Existem dois tipos de descongestionantes: os medicamentosos e os à base de soro. Os medicamentosos contém substâncias como a oximetazolina, nafazolina e xilometazolina, que contraem os vasos por meio de substâncias, o que desincha as narinas e facilita a passagem de ar. Mas elas também podem causar taquicardia e aumento da pressão arterial. Os que contém apenas soro fisiológico não provocam este tipo de efeito.

Se o descongestionante a base de medicamentos for utilizado por mais de três dias, pode criar dependência. É a chamada rinite medicamentosa. Ela ocorre porque, com os vasos sanguíneos muito contraídos, o corpo entende que precisa de mais deles e acaba criando novos vasos. Isto incha mais a mucosa das narinas, causando a sensação de nariz entupido, o que faz a pessoa usar mais descongestionante. Já os “sorinhos” não causam dependência e podem ser usados livremente, pois promovem a limpeza da cavidade nasal.

A venda de descongestionantes nasais não requer receita médica, porém, por haver diferença entre descongestionantes medicamentosos e descongestionantes à base de soro, é recomendada a orientação de um profissional. Os descongestionantes medicamentosos raramente são receitados pelos médicos, sendo indicados apenas em casos de cirurgia e para conter sangramento nasal, tendo prazo limite de uso de três dias.

Já os descongestionantes de soro podem ser usados normalmente. Eles funcionam fazendo a secreção do nariz ficar mais fluida, o que retira as impurezas, como poeira, fungos e ácaros. A remoção das sujeiras e das impurezas faz então com que o nariz desinflame, facilitando a respiração. O uso de “sorinho” também ajuda na prevenção de doenças respiratórias.

Vício

O problema deve ser tratado com a ajuda de um otorrino, podendo ter a estratégia da retirada aos poucos. A médica explica que a melhor maneira de combater esse vício é tirar o remédio de uma vez e trocar essa medicação por descongestionantes orais e anti-inflamatórios para espirrar no nariz. Dependendo da gravidade do caso, a pessoa pode precisar de cirurgia para resolver o problema.

Adesivos para dilatar o nariz que são usados para o ronco não são descongestionantes. Esses adesivos são, na verdade, dilatadores nasais, que ajudam a abrir a narina na parte da frente. As hastes levantam as laterais do nariz, aumentando o tamanho das narinas e, assim, a passagem de ar. Mas, estes adesivos não descongestionam o nariz por dentro.

Crianças não podem de maneira nenhuma usar descongestionantes medicamentosos, pois terão as mesmas reações de adultos — taquicardia e aumento de pressão —, mas com maior intensidade, por conta do peso. Idosos só podem usar seguindo recomendação médica e com muita cautela, pois nessa faixa etária há maior frequência de problemas cardíacos e de hipertensão, que podem ser agravados por conta das reações ao medicamento. Para essas idades, deve ser usado unicamente o soro fisiológico.

Inalações com soro fisiológico ou a inalação do vapor da água do próprio banho podem ajudar a soltar a secreção e a umidificar as narinas em dias mais secos. Segundo Maura, o ideal é higienizar as narinas com soro fisiológico pelo menos duas vezes ao dia. Entre as maneiras que essa higienização pode ser feita estão a lota, popularmente conhecido como “regadorzinho”. Outra possibilidade é usar seringas sem agulha com soro, muito utilizadas pelas mães atualmente. A otorrino alega que não há problemas e nem chances da criança “se afogar” com esse soro, que é benéfico para a saúde respiratória.

Além dos descongestionantes de soro em spray e em gotas, existem as versões em aerosol, que tem jato contínuo com formulação infantil e adulta, e a versão em gel, que deve ser aplicado o mais fundo possível da narina e é muito utilizado para o tempo seco. Alguns remédios antigripais também possuem ação descongestionante, fazendo a secreção parar de escorrer e melhorando a respiração, mas devem ser ingeridos com cuidado, pois agem nos vasos sanguíneos de todo o corpo, podendo provocar taquicardia e aumentar a pressão arterial.

Geralmente, o descongestionante em gotas é apresentado em embalagem de vidro e contém conservantes. Como o vidro não é hermético, ele não consegue conservar o conteúdo por muito tempo e, se associado às substâncias medicamentosas, pode agravar a irritação da mucosa nasal e a dependência. A otorrino explica que, de maneira geral, os descongestionantes medicamentosos são oferecidos em embalagens menores. Já os sprays geralmente são de soro fisiológico, que não causa dependência. O formato em spray facilita a aplicação do produto na mucosa nasal e a limpeza da cavidade.

A otorrino explica que a pessoa pode assoar, mas não é necessário. “Geralmente o soro escorre para o fundo do nariz, o que é bom, pois significa que ele passou por toda a cavidade e limpou tudo.” Se a pessoa estiver com o nariz muito entupido e o soro voltar, a médica recomenda que a pessoa faça a lavagem até que o líquido escorra para o fundo do nariz.

*Fonte: Giovanna Borielo e Cristina Charão R7

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: