Aplicativos de saúde entregam dados e podem trazer riscos

 

Foto: Marcos Santos / USP Imagens / CP

 

Existem diversos aplicativos de saúde à disposição de quem usa smartphones. Os serviços vão desde auxílio na dieta e na prática de atividade física até controle do ciclo menstrual, índice de diabetes e frequência cardíaca. Opções práticas, porém nem sempre seguras. Muitos aplicativos recolhem dados que são vendidos sem autorização ou conhecimento de quem confiou na plataforma, segundo os especialistas.

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) avaliou seis aplicativos que marcam consultas médicas em março deste ano. O resultado mostrou que os apps vão além de simplesmente intermediar o contato entre médicos e pacientes – eles recolhem dados pessoais e os utilizam para o direcionamento de propagandas personalizadas. No quesito “segurança de informação”, apenas dois receberam conceito bom. Também foram avaliadas as informações à respeito de privacidade e vazamentos de dados. Nestas questões, todos receberam avaliação ruim ou regular.

Uma outra pesquisa, realizada em conjunto por universidades da Espanha e Grécia, concluiu que 80% dos aplicativos não cumprem políticas de proteção efetiva de dados dos usuários.

A advogada Patrícia Porsato, especialista em direito digital e integrante da Comissão de Direito Digital e Compliance da OAB-SP, explica que esses aplicativos não têm segurança efetiva e que colocar ali todas as informações pessoais e de saúde pode ser um risco. “Os aplicativos sabem que problemas você têm, que remédios toma e com que frequência, o que você come. Sabe seus hábitos. São dados e informações que valem mais do que petróleo. A maioria dos aplicativos são de graça, então eles tiram renda da publicidade e da venda de dados direcionada”, alerta.

Segundo a advogada, além de servir para direcionar propaganda, os dados podem ser vendidos para a indústria farmacêutica, empresas de seguro e outros interessados sem o consentimento dos usuários. “A venda acontece sem o conhecimento de quem usa o aplicativo e sem a anuência do Ministério da Saúde. É uma transação ilegal porque ainda não existe uma lei que regulamente ou proteja esses dados e que proíba a transação”, diz.

Outro alerta é sobre o tipo de dados coletados. Patrícia explica que os aplicativos podem ter acesso aos chamados dados sensíveis, como nome completo, endereço, escolaridade, telefone, RG, CPF e até mesmo número do cartão de crédito. “São dados que podem deixar o consumidor exposto a golpes e fraudes”. A advogada afirma que os aplicativos precisam deixar claro para o consumidor o que vai ser feito com os dados disponibilizados. “Quem baixa um aplicativo precisa saber que tipo de dados vão ser coletados e se eles vão ser repassados para terceiros, além disso, a pessoa precisa ter a opção de não permitir o repasse”, explica.

Outra possibilidade é o vazamento de dados – quando o aplicativo não vende as informações, mas elas são roubadas por hackers que fazem a venda. Patrícia conta que os apps não costumam ter mecanismos de segurança de informação que poderiam proteger os dados dos clientes. “A maioria dos aplicativos sequer tem proteção ou plano de proteção de dados, quando tem, não é transparente ao consumidor e eles acabam colocando na política de privacidade uma forma de se eximir caso as informações vazem”, conclui a advogada.

Como se proteger?

Em um cenário no qual o consumidor não costuma ler a política de privacidade dos aplicativos – e os próprios aplicativos não costumam ser claros na elaboração do texto, segundo a advogada, como proteger os dados e e se proteger de golpes?

Emilio Simoni é diretor do dfndr lab, um laboratório da PSafe especializado no combate ao cibercrime. Ele explica que o primeiro passo é ficar atento ao tipo de informação e de ferramentas que o aplicativo vai ter acesso. Eles costumam pedir uma série de permissões. É importante avaliar se os pedidos não são abusivos. “É comum um aplicativo pedir acesso à internet, aos dados pessoais, mas não tem sentido esses aplicativos pedirem acesso à câmera, por exemplo. Então, é importante ficar atento às permissões que eles solicitam”, diz.

Outro cuidado é baixar o aplicativo apenas em lojas oficiais, como a GooglePlay ou a Apple Store. Isso diminui a chance de colocar no celular um aplicativo pirata. “Muitas vezes acontece de existir um aplicativo verdadeiro para monitorar alguma questão de saúde e os hackers se aproveitarem disso para criar outros aplicativos similares, com nomes similares, mas que são versões falsas”, explica. Ele afirma que esses aplicativos pegam os dados do usuário e enviam para hackers, que vão usar as informações para aplicar golpes online ou fazer empréstimos e comprar mercadorias.

Mesmo nas lojas oficiais, é preciso verificar a avaliação do aplicativo. Se as pessoas falam bem, se falam mal, qual é a nota que ele ganha. Outro ponto é o número de avaliações que recebeu. Se o aplicativo tem uma ou duas avaliações, existe o risco de serem avaliações fraudulentas. Quanto mais avaliações, melhor. “Normalmente, um aplicativo confiável tem milhares de avaliações, então, por mais que existam avaliações fraudulentas no meio, a quantidade acaba deixando a avaliação correta”, destaca o especialista.

Os aplicativos que não são seguros costumam dar alguns indícios. Depois da instalação, o celular pode ficar lento e começam a aparecer propagandas abusivas. “Você começa a usar o aplicativo ou outros aplicativos e começam a aparecer propagandas, ou então você está fazendo uma ligação e aparece uma propaganda. Isso já é um forte sintoma de que tem alguma coisa maliciosa no celular”, diz Simoni.

Se não for possível destinguir qual o aplicativo malicioso, a dica do especialista é instalar um bom antivírus, que vai fazer uma varredura completa até identificar o problema.

 

Fonte: R7

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