Risco de trombose por uso de anticoncepcional é baixo

Foto: Tiago Medina

 

Os métodos anticoncepcionais disponíveis atualmente são, majoritariamente, à base de hormônios femininos. Pílulas, injeções, anel intravaginal e até mesmo adesivos usam, de maneira geral, uma combinação de estrógeno e progestagênio, versão sintética da progesterona, para evitar a gravidez. Já o dispositivo intra-uterino (DIU) hormonal, o implante e algumas pílulas anticoncepcionais fazem uso apenas do progestagênio.

O estrógeno, ou estrogênio, é um hormônio secretado pelos ovários e tem como função o controle da ovulação, a regulação da libido e as características feminina. Já a progesterona, hormônio também produzido pelos ovários, é responsável por garantir a integridade da gravidez. Ela regula a menstruação, pois caso o óvulo não seja fecundado, há uma queda no nível deste hormônio, que leva à menstruação – descamação do endométrio.

Ao nascer, a mulher já possui a quantidade exata de folículos ováricos, células que formam os óvulos, para toda a vida. Esses folículos permanecem inativos até a puberdade, quando essas células começam a amadurecer e a formar os óvulos.

O período reprodutivo da mulher vai até os 50 anos de idade, em média. Mesmo que a mulher utilize um método anticoncepcional e interrompa a ovulação por um longo período, ela não “economizará” seus óvulos. Os folículos ováricos não utilizados envelhecem e morrem no próprio ovário.

A pílula anticoncepcional combinada utiliza pequenas dosagens de estrogênio e progestagênio. Com a ingestão diária, os hormônios são absorvidos pelo intestino, metabolizados pelo fígado e liberados na corrente sanguínea. Sua ação ocorre na hipófise, no cérebro, que libera o hormônio FSH (hormônio folículo estimulante), que agirá sobre os folículos ovarianos, estimulando-os a produzir estrogênio, responsável por amadurecer um óvulo por mês. Ao bloquear a ação do FSH, a pílula impossibilita o crescimento do óvulo.

Segundo a ginecologista Débora Tonetti, apenas as pílulas que contêm estrogênio podem levar ao risco de trombose em mulheres com predisposição ou histórico familiar da doença. Trombose é o entupimento de veia ou artéria devido à formação de coágulo. Portanto, pílulas compostas somente por progestagênio podem ser mais amplamente utilizadas, inclusive por mulheres com mais de 40 anos.

Pílulas que contêm estrógeno apresentam baixa dosagem do hormônio, menos de 30 microgramas. A ginecologista explica que sua ação favorece a formação de coágulos apenas se o uso estiver associado a fatores de risco. Além de predisposição e histórico familiar da doença, são o cigarro, o sobrepeso e a idade acima de 35 anos.

A ginecologista afirma que a trombose causada por anticoncepcional é rara: são 5 casos a cada 10 mil pessoas. Segundo ela, menos de 2% das pessoas que tomam pílula têm esse risco. A médica ainda ressalta que a pílula é um método seguro, apresentando pequeno ou nenhum risco à saúde.

A pílula anticoncepcional pode causar efeitos colaterais, como dor de cabeça, náuseas, vômitos, alteração na libido e retenção de líquidos. O ginecologista Rogério Bonassi, presidente da Comissão de Anticoncepção da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), afirma que tratam-se de efeitos colaterais comuns, mas que, caso permaneçam durante três, vale a pena conversar com o ginecologista para trocar a pílula.

O uso prolongado da pílula, por exemplo, por mais de 20 anos, não dificulta uma gravidez futura, segundo o ginecologista. “Assim que a mulher para com a pílula, ela volta a produzir óvulos normalmente. O problema é que muitas mulheres começam a tomar pílula com 18 anos e param aos 38, em uma idade em que já não são tão férteis. A dificuldade para engravidar, nesse caso, está relacionada à idade e não ao fato de ter tomado pílula durante 20 anos”, afirma.

Medicações como anticonvulsivantes, antibióticos e fungicidas podem cortar a ação da pílula levando a uma gravidez inesperada. Alguns antidepressivos também podem interagir com a pílula, mas não é tão comum, de acordo com o médico.

O DIU hormonal e o implante são os métodos que não fazem uso do estrogênio e liberam cerca de 8% menos progesterona na corrente sanguínea que os outros métodos contraceptivos, segundo o ginecologista. O DIU hormonal tem duração de cinco anos, tendo que ser trocado ao final desse período.

Diferentemente do DIU hormonal, o DIU de cobre não libera hormônios e deve ser trocado a cada dez anos. Já o implante, bastão de cerca de 4 cm colocado sob a pele do braço, tem duração de um ano.

Os adesivos anticoncepcionais são métodos que também oferecem a combinação de progesterona e estrogênio. Eles devem ser trocados todo mês e normalmente são colocados no braço, costas ou nádegas, de acordo com a indicação de um especialista médico.

O anel intrauterino, ou anel vaginal, é um pequeno aro de plástico flexível que é introduzido na vagina e deve ser trocado mensalmente. Ele possui ação dos hormônios de maneira combinada e os libera na corrente sanguínea. As injeções possuem a mesma ação do anel e devem ser aplicadas mensalmente, segundo o ginecologista.

 

Fonte: R7

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