6 Mitos e Verdades sobre o Glúten
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6 Mitos e Verdades sobre o Glúten

A nutróloga Jaqueline Costa Coelho explica o que é a proteína e porque, para muitas pessoas, é considerada vilã da alimentação

Por
Correio do Povo

Especialista explica que, antes de mais nada, é importante saber o que é o glúten

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É cada vez mais comum ler sobre a presença ou não do glúten nas embalagens dos alimentos. As dietas também passaram a ser “glúten free”. Mas, afinal de contas, ele realmente é um vilão? De acordo com a nutróloga membro do Comitê de Nutrologia da Unimed Porto Alegre, Jaqueline Costa Coelho, não há indícios de que ele seja ruim para o organismo. “O glúten é encontrado em diversos alimentos comuns no nosso dia a dia. Nenhum estudo até agora mostra benefício na saúde com a retirada da proteína para as pessoas que não possuem sintomas de doença celíaca”, afirma.

Antes de mais nada, é importante saber o que é o glúten. De acordo com a médica Jaqueline, o glúten é uma proteína enriquecida de glutamina e prolina, pouco digerida no trato gastrointestinal alto. “O glúten está presente naturalmente em diversos cereais, como trigo, centeio e cevada”, lembra. A proteína ainda é responsável pela elasticidade no preparo de diversos alimentos, como o pão. Ao sovar a massa cria-se as redes de glúten, estruturas capazes de aprisionar o gás carbônico expelido pelas leveduras do fermento. Assim, o pão cresce e fica fofinho.

Então, se o glúten está presente em alimentos tão comuns do nosso dia-a-dia, porque a característica de vilão? Para cerca de 1% da população, o consumo da proteína desencadeia uma reação do sistema imunológico que acaba prejudicando às vilosidades intestinais, estruturas responsáveis pela absorção dos nutrientes. Essas reações são dão origem à doença celíaca. “Pessoas com doença celíaca geralmente apresentam diarréia, perda de peso, dor abdominal, anemia por deficiência de ferro e má absorção. Além destes sintomas, a doença celíaca pode afetar outros órgãos e sistemas, como a pele, sistema nervoso e endócrino,” explica a nutróloga. A identificação da doença é realizada com um estudo da história do paciente com os sintomas, exames de sangue e biópsia do intestino feita por endoscopia. “Após o diagnóstico, é necessário cortar da dieta todos os alimentos que contenham trigo, centeio, cevada e malte, além da aveia que pode ser contaminada com glúten por questões de armazenamento e transporte”, afirma a médica.

Mas, além da doença celíaca, muitas pessoas deixam de consumir os produtos que possuem o glúten porque acreditam que ele interfere diretamente na dieta e no controle do peso. Para desmistificar o glúten, a nutróloga cooperada da Unimed Porto Alegre, Jaqueline Costa Coelho, elencou alguns mitos e verdades sobre a proteína. Confira:

1 - Glúten faz mal a saúde.
Mito. Apenas quem possui intolerância ao glúten, alergia ou a doença celíaca são prejudicadas pela proteína.

2 - Glúten engorda.
Mito. Como qualquer alimento isolado, o glúten não tem o "poder" de engordar. O que causa o ganho de peso é um conjunto de fatores ambientais, emocionais, genéticos e socioculturais que vão além de um simples alimento.

3 - Existem produtos não-alimentícios que também podem conter glúten.
Existem sim, alguns materiais escolares, tipo massinha de modelar que são feitos com farinha de trigo, giz e cola branca também podem conter glúten na sua composição. Cosméticos como hidratantes, shampoos, sabonetes e até maquiagem podem conter derivados do trigo e aveia.

4 - É recomendado, para quem não tem intolerância, tirar o glúten da dieta ou diminuir a ingestão.
Mito. Nenhum estudo até agora mostra benefício na saúde com a retirada do glúten para as pessoas que não possuem sintomas (como a sensibilidade ao glúten).

5 - Alimentos sem glúten são mais saudáveis.
Mito. Não necessariamente. Há alimentos sem glúten que têm muito açúcar e alto índice glicêmico, o que não é considerado saudável.

6 - O excesso de consumo de alimentos com glúten podem levar a intolerância.
Mito. Não existe essa relação, sabemos que a predisposição é genética. Ter um familiar com doença celíaca ou sensibilidade aumenta as chances da pessoa ter.