Tristeza de fim de ano não deve ser confundida com depressão, alerta especialista
capa

Tristeza de fim de ano não deve ser confundida com depressão, alerta especialista

Apesar da tristeza ser um sintoma da doença, diagnóstico de depressão necessita ainda de outros quatro sintomas que perdurem por pelo menos duas semanas consecutivas

Por
Correio do Povo

Depressão é uma doença séria e exige tratamento adequado

publicidade

Nessa época do ano, há uma tendência maior de as pessoas fazerem um balanço de suas vidas e quando determinadas metas ou objetivos não foram alcançados, podem surgir alguns sentimentos de melancolia ou tristeza.

“Os fechamentos de ciclos deixam de uma certa forma as pessoas mais melancólicas, mas não podemos confundir com depressão. A tristeza, por exemplo, é um dos sintomas da depressão. E para ter um diagnóstico dessa doença são necessários pelo menos cinco sintomas, que perduram por pelo menos duas semanas consecutivas”, pontua a psicóloga Anissis Moura Ramos.

Ela explica também que, ao nos cobrarmos em demasia, sentimos culpa, no entanto, precisamos entender que somos seres limitados. “Criou-se um hábito na sociedade de que temos que atender as demandas dos outros, ou seja, fazer o que os outros esperam. Porém, isso pode gerar grandes frustrações nas pessoas”, destaca Anissis, que também é especialista em Psicologia Clínica, mestre em Teologia pela PUCRS e é psicóloga clínica com experiência na identificação de doenças e sintomas.

Conforme Anissis, para ter qualidade de vida, bem-estar e uma vida equilibrada, é preciso se autoconhecer, entender o que “quero, posso e consigo, visto que a expectativa é do outro e não minha”. Outro fator que a especialista destaca é o estilo de vida moderno. Com as redes sociais, algumas questões podem afetar a saúde psíquica de alguém que não esteja “tão” feliz quanto aquele que está no post. “Há estudos que relacionam o número de posts ao sentimento de inferioridade daquela pessoa. Não precisa se expor tanto. É até inadequado com tanta violência nos dias atuais. É preciso cautela”, alerta.

Apesar disso, Anissis destaca que, para evitar sentimentos de tristeza, sobretudo nessa época, há algumas ações que podem ser feitas, entre elas começar um trabalho beneficente. “Essa atitude vai gerar uma consciência social e faz com que a pessoa desenvolva um sentimento de pertencimento. Outro fator importante é o autoconhecimento, além de exercícios respiratórios, meditação e procurar estar mais em grupos”, orienta. Em relação ao autoconhecimento, ela ressalta que o ponto chave é a pessoa reconhecer seus lados “luz e sombra”. “Vivemos em uma sociedade de projeções. É importante nos observarmos e refletirmos o porquê temos alguns sentimentos. Devemos nos vigiar o tempo todo. Não é fácil, mas vale a pena”, constata.