Saúde integrativa: um reflexo da união da ciência, da espiritualidade e da essência

Saúde integrativa: um reflexo da união da ciência, da espiritualidade e da essência

Especialista explica como encontrou um caminho que tem ajudado muitas pessoas a ter uma vida mais saudável e consciente

Simone Lopes

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Entrevista | Especial 
Dr. Jeferson Molina 

Em entrevista ao Correio do Povo, o dr. Jeferson Molina fala sobre longevidade, saúde integrativa e como ter uma vida mais saudável. Autor do livro “Afastando as interferências da relação Mente e Corpo”, Molina acredita em uma vida simples e conectada com a natureza e com a verdadeira essência. Destaca a importância de bons hábitos de vida, como manter a mente serena, manter-se sempre que possível ativo, ocupado, com alguma atividade; compartilhar os conhecimentos; resistir ao materialismo com excessividade e ter a alegria de sorrir e viver. Esses são alguns fatores primordiais, segundo o especialista.

 

Primeiramente, fale um pouco sobre você. Sua naturalidade, por que você escolheu essa profissão, um pouco sobre seus hobbies, sobre o que lhe deixa feliz e o que significa Viver Bem para você.

 

Resposta (JM): “Poucas pessoas sabem sobre minha realidade. Muitas pensam que tive sorte na vida. Meu nome é Jeferson Insauralde Molina, sou natural da cidade de São Gabriel, região da fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, onde, muitas vezes, nossa diversão de férias era ir para o distrito rural chamado de Azevedo Sodré, localidade onde morava minha avó. Nasci e me criei em uma vila humilde chamada de Vila Mariana, que por sinal, hoje se alguém me perguntasse qual é a melhor vila do mundo? Com muito amor e carinho, eu diria Vila Mariana. Foi lá onde nasci, minha mãe nasceu, meus avós viveram e vivi parte da minha infância e tive os meus valores.

Meus pais eram servidores públicos e divorciados desde quando eu era pequeno. Minha mãe faleceu ainda jovem. Gosto de ler, estudar, onde me encanta ouvir pessoas que encontraram o seu propósito e conseguiram alcançar o sensacional da vida.

Gosto de praticar atividade física e procuro manter meu equilíbrio com yoga e meditação. Não abro mão de uma hora por dia para tomar meu chimarrão com os amigos, onde procuro sempre um núcleo que me faça crescer, sorrir, dar risada, evoluir para ser um ser humano cada vez melhor. Acredito que tudo na vida tem a ver com a nossa história, com a nossa caminhada e com nosso núcleo familiar.

Às vezes, muitas pessoas entram imaturas na universidade, no entanto, não quer dizer que aquilo que você aprende lá é total e absoluto. Na carreira acadêmica, apenas abre-se uma porta para um grande universo de possibilidades no qual você escolherá a sua caminhada. Dali para frente, eu acredito que tudo o que se relaciona ao seu destino, ao seu projeto de vida, à sua vocação irá aflorar de acordo com aquilo que você mais se identifica, com os seus valores e com a sua história de vida ou de criação familiar.

Desde criança me identificava com a terra, com as plantas, com a natureza, com os animais e acima de tudo em ajudar pessoas. Talvez pelo fato de ser filho de pais separados eu busquei essa caminhada de ajudar pessoas, de ver as famílias evoluindo juntas, de buscar áreas de conhecimentos mais físicas que me fizessem visualizar a causa dos problemas bio-psicossociais”.

 

- Você é graduado em Fisioterapia, possui formação em Homeopatia, pós-graduação em Acupuntura, Osteopatia, Biofísica quântica e biorressonância aplicada e também atua em ajustes dos sistemas neuro-músculo-esquelético e neuro-imuno-endócrino, além de desintoxicações personalizadas. Por que escolheu desenvolver essas competências? Fale um pouco sobre elas e como você as aplica em seus pacientes?

 

Resposta (JM): “No período acadêmico, eu aprendi a tratar sintoma. Mas como minha formação foi baseada na área da dor, eu via que havia necessidade de um entendimento a mais do ser humano na sua totalidade.

Ainda no período acadêmico eu revia a literatura de Jung, conversava com psicólogos, enfim, já tinha a leitura das algias (qualquer dor no corpo, muitas vezes sem lesão aparente) somatizadas. Ainda na vida acadêmica, em uma viagem, tive a oportunidade de conhecer um Osteopata estrangeiro e foi ali que tive meu start de que havia algo que ajustasse a causa dos sintomas e com que fizesse essas correções e normalizações. Na época, essa formação era nova no Brasil e só tinha no Rio de Janeiro, o que era muito longe da minha realidade.

Então surgiu a oportunidade de me especializar em Medicina Tradicional Chinesa(MTC), depois Osteopatia e dali foi uma caminhada sem volta. Com o passar dos anos, com a maturidade, com as viagens que fazia para fora, com o grande universo de possibilidades de conhecimentos com pessoas de diferentes países, o desejo de aprender foi ficando cada vez maior.

Na realidade tudo é muito lógico, o corpo é uma máquina cheia de engrenagens. Todos os dias nos deparamos com uma série de dejetos que inalamos, respiramos, ingerimos e adquirimos em nosso dia a dia. Tudo isso degrada nossa matriz neuro músculo esquelética, desajustando nosso corpo e fazendo uma série de desarranjos que, de certa forma, abrem a porta para uma doença crônica”.

 

- Você tem uma visão da saúde integrativa. Explique-nos por gentileza esse conceito. 

Resposta (JM): No meu ponto de vista, vejo como uma globalização, a união de diversas áreas e formações sistêmicas, que defendem o princípio de que a interdisciplinaridade é essencial para os cuidados pessoais de cada indivíduo. Associados já com as práticas convencionais, faz-se a união de conhecimentos das medicinas tradicionais, como práticas meditativas, técnicas de respiração, relaxamento, atenção plena, uso de fitoterápicos, desde os princípios da MTC, Ayurveda até os  dias de hoje.

 

- Você aborda o tema longevidade e estilo de vida saudável. Sabemos que o estilo de vida moderno está levando as pessoas ao extremo nível de estresse e sabemos que esse esgotamento é totalmente prejudicial à saúde. Para aqueles que acabam entrando nesse círculo vicioso, o que o Sr. sugere que seja feito para quebrar esse estado e aos poucos ir adotando uma vida mais equilibrada?

Resposta (JM): Todos os dias somos afetados e manipulados pelos nossos pensamentos e vibramos em uma frequência muito influenciada pelo stress diário. Muitas vezes, esse nível de stress vai avançando e se tornando crônico, à medida que o tempo passa e, quando isso ocorre, logo não conseguimos perceber o fato de que precisamos alimentar a nossa fé e acordá-la.

Privilegiar nossos pensamentos positivos, com fé, faz com que tenhamos o gerenciamento do stress, permitindo que esse estado seja cada vez menos significativo. Muitas vezes, usamos de nossos vícios, sejam métodos ou fugas, o que causa o agravamento da nossa saúde física, em decorrência de nosso estado mental.

Acredito que antes feito do que perfeito. Todos os dias acordamos e falamos: “- Hoje vou tomar meu suco detox e vou ser saudável”. Mas não é bem assim. Geralmente acordamos, escovamos os dentes, saímos de casa, às vezes, sem café, entramos na rede social e dali começa o nosso dia levando a uma rotina geralmente esgotante.

A falta da organização, a falta de entendimento e o ritmo acelerado nos fazem perder o foco. Às vezes, criamos desculpas de que não temos tempo para caminhar, pedalar, não temos uma horinha para ir na academia, não temos uma horinha para ir ao yoga ou ao Pilates, enfim. Na realidade, as pessoas fogem e não permitem se apaixonar por uma rotina organizada, querem os resultados de forma imediata, buscam na internet protocolos, onde logo adiante param e desmotivam.

Ser longevo não é ter o corpo perfeito, nem sempre o corpo bonito é o corpo perfeito e saudável. É preciso um melhor entendimento disso. Somos muito mais que um corpo bem definido. Temos algo chamado essência e muitas vezes deixamos de lado nossos valores, nossas raízes, nossos princípios e nos perdemos na caminhada.

No meu ponto de vista, ser longevo é entender que a ciência não cura tudo; é evitar ficar acima do peso para evitar doenças crônicas; resgatar nossa energia juvenil com bons hábitos de vida; manter-se sempre que possível ativo, ocupado, com alguma atividade; compartilhar aos conhecimentos; resistir ao materialismo com excessividade; ter a alegria de sorrir e viver para evitar a dor; não carregar o peso do mundo sob as costas, e principalmente, ter o seu mentor, aquele que tem os seus valores, os seus princípios, que te fortalece e que sempre mostra que você está no caminho certo.

 

- Você escreveu o livro “Afastando as interferências da relação Mente e Corpo”. Em um dos seus posts, o Sr. escreveu uma mensagem muito interessante: Durante anos, estudei e viajei em busca de algo que pudesse agregar na minha vida pessoal e dos demais. Nessa jornada, conheci muitas pessoas que, uma a uma, foram despertando minha essência vital”. Fale sobre o que são essas interferências e alguns conceitos abordados no livro!

 

Resposta (JM): Eu queria fazer um caderno para que meus pacientes lessem de maneira fácil, simples, em poucos dias, coisas básicas que alteram nossa saúde física e mental e que lhes despertassem para uma visão mais holística e que de certa forma unisse os conceitos da ciência com a espiritualidade.

Andando por alguns países, conhecendo algumas ciências e conhecendo estudiosos fui me adaptando a conceitos que uniam o conhecimento da ciência com a espiritualidade. Quando falamos em interferências há uma série de agressões que sofremos em nosso cotidiano. O que, atualmente, tem degradado nossa matriz humana é a intoxicação por metais, nos levando a diversas doenças crônicas e à sensação de mal-estar em nosso  dia a dia. A excessividade de metais tóxicos e pesados, tais como: arsênio, chumbo, mercúrio, alumínio, cádmio, níquel, entre muitos outros, é um fator prejudicial a nossa saúde, causando desequilíbrio orgânico e promovendo sintomas como cansaço, fadiga, náuseas, vômitos, dor de cabeça, dor articular, alterações de memória e  cognição, disfunções renais e hormonais, queda de minerais, insônia, distúrbios intestinais, dentre outros.

Esses componentes que agridem o nosso organismo podem estar presentes na água, defensivos, esmaltes, brinquedos, maquiagens e muito mais. A contaminação é causada  pela ingestão de alimentos contaminados, inalação de vapores, pela manipulação de produtos domésticos, entre outros. Entre os metais tóxicos e pesados, o alumínio é o mais comum em nosso cotidiano, presente em panelas, produtos enlatados, sucos, embalagens de molho de tomate, papel laminado, tubos de pasta de dente, produtos de higiene pessoal e beleza.

O alumínio provoca uma série de sintomas semelhantes à doença de Alzheimer e à osteoporose, alterações gastrintestinais e cognitivas, redução no metabolismo do cálcio e das funções hepáticas e renais. Geralmente, provoca náuseas, vômitos, diarreia constante, sensação frequente de ansiedade, tremores, aumento da pressão arterial, dor de cabeça, tonturas, alteração do ritmo cardíaco, formigamento constante nas mãos e pés, dor nas articulações e músculos, dor abdominal constante, dificuldades de memória e concentração, anemia sem causa aparente, fraqueza muscular, irritação no nariz, dificuldade para respirar, asma e tosse constante, entre outros sintomas.

Diariamente, somos expostos a essas toxicidades e não podemos viver de uma forma restrita. A solução é buscar tratamentos que modulem as funções orgânicas para prevenir o acúmulo de metais pesados e elevar o sistema autoimune, equilibrando a microbiota intestinal, evitando a entrada de substâncias como os metais, que se armazenam em nossa corrente sanguínea.

- Fale nos um pouco, por gentileza, também como foi essa jornada? O que você encontrou pelo caminho? Pode ser as experiências mais marcantes - boas, as que não foram lá tão boas, mas trouxeram ensinamentos....

Resposta (JM): “Nessa caminhada vi muita coisa linda mas vi muita judiaria. Nada nessa vida acontece por acaso. O criador coloca as pessoas corretas em nossa caminhada para uma grande expansão. Eu não me considero um ser de sorte, sempre que precisamos o criador coloca as pessoas certas ao nosso lado para caminhar conosco, para agregar, para dizer “vamos lá que você não está só”.

Entendo que até encontrarmos o nosso propósito de vida, quando estamos quase lá, nos achamos meio esquisitos, heheh...assim eu me sentia. Eu pensava “meu Deus, será que eu estou remando contra a maré?”, “Será que eu estou andando contra o vento?”, mas sempre que eu me sentia assim eu costumava conversar e olhar nos olhos das pessoas que eu mais confiava para entender como eu poderia me tornar um ser humano cada vez melhor. E assim eu acordava e me fortalecia. Então eu via que é preciso de pouco para ser feliz.

Quando agente viaja por aí, cada um vai com um objetivo. É como a quarentena: alguns veem live sertaneja e tomam cerveja e outros se articulam para expandir conscientemente. Quando você viaja em busca de conhecimento, você mergulha de corpo e alma em sentir a cultura, o conhecimento, os valores, os princípios e associa-os com a melhor forma de adaptar no seu dia a dia. Com tudo que agente vê na vida, chega uma hora que temos que por na balança e mensurar aspectos negativos e positivos. Fazer entendimento dos eventos positivos e negativos da vida e chegar ao denominador comum. Eu consegui! Eu vi que não tinha outra saída na vida se não fosse evoluir e ser feliz, e isso se resume hoje para mim em amor-próprio”.

 

- Como foi o despertar para o livro? Como ocorreu a escolha do tema, dos conceitos abordados?

Resposta (JM): “Todos nós passamos por desafios, muitos de nós temos o perfil desafiador e sonhador. Eu sou um desses tipos meio esquisitos que pensa que a vida é mais para ser vivida do que falada, que para ser feliz basta ser simples. Há mais ou menos um ano e meio atrás eu resolvi recomeçar minha caminhada, só que #vidareal! Não ser um comando que apenas aperta o botão e se fala: “hora de respirar”, “hora de trabalhar”, “hora de comer”, “hora de tomar banho”. A gente entra em um sistema automatizado da vida que, sem perceber, deixamos de ser quem nós somos.

Eu quis sentir na pele todos os sentidos e despertar cada um deles até resgatar a minha essência. Me afastei de alguns, me aproximei de outros e esse caderno foi o passo a passo que usei para encontrar o meu propósito. Eu pensava: dessa vida não vamos levar nada, se levar, serão apenas boas recordações. Então das boas que eu levar, quero deixar para minha filha Maysa minha história de vida e minha caminhada.

Um dia minha filha vai ter a vida dela, a caminhada dela, enfim, o sistema dela. Mas um dia ela lembrará quando nesse plano, quando não mais aqui eu estiver que, “aquele movimento todo um dia quem fez foi meu papai Jeferson, um dia ele foi grande, lutou entre grandes e gigantes e nunca perdeu seu amor próprio e jamais desistiu dos seus sonhos.”


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