Planos e seguros privados de assistência médica apresentaram baixo crescimento em 2018
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Planos e seguros privados de assistência médica apresentaram baixo crescimento em 2018

Especialista analisa os cenários da Saúde Suplementar no Brasil

Por
Amrigs

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Para uma melhor compreensão da Saúde Suplementar (planos e seguros privados de assistência médica à saúde) no Brasil, faz-se necessário demonstrar, em números, o quão importante é esse setor no atendimento médico-hospitalar. Em 2015, o setor privado correspondia a 57% dos gastos em saúde. Entretanto, desde então, houve uma queda no número de usuários, em média 2,16%. Em 2018, até setembro, houve um pífio crescimento de 0,3%.

Fatores como o cenário econômico, desemprego, novas tecnologias, medicamentos de alto custo, judicialização, gestão imatura, além do elevado aumento no custo médico–hospitalar, ocasionaram a perda de 3,2 milhões de beneficiários. Deve-se ressaltar que o avanço tecnológico, inclusive na área farmacêutica, assim como a longevidade populacional, tem reduzido a margem das operadoras. Acompanha este dado um aumento na sinistralidade média. Hoje, para cada R$100,00 de receita, R$ 84,70 representam despesas médico-hospitalares. Destaca-se também a variação do custo médico hospitalar (VCMH), que foi o dobro da inflação geral (IPCA).

Será preciso, para a sustentabilidade do setor, que todos os envolvidos, inclusive os hospitais e laboratórios, atuem de forma colaborativa, abandonando o sistema egóico.

É necessário conscientizar os usuários e médicos para a utilização racional da cobertura assistencial, a fim de diminuir gastos desnecessários com exames e consultas. Segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS), 30% dos exames realizados não são retirados e 30% dos pacientes não comparecem às consultas agendadas, impactando de maneira significativa os valores contratuais.

O setor precisa de uma gestão mais especializada, com implantação de governança corporativa e de planejamento estratégico, investimento tecnológico e em pessoas, para reduzir a ineficiência e melhorar resultados.

Felizmente, transformações já estão ocorrendo:

Modelo de Monetização:
Hospitais com foco na prestação de serviço, deixando de serem grandes distribuidores de materiais e medicamentos, o que representa melhor qualidade oferecida ao paciente e menor custo.
Cobranças por pacotes (bundled payments) e não contas abertas, que fortalecem a importância da eficiência na gestão de custos, de leitos e de pessoas.

Modelo Remuneração Médica:
Substituição da remuneração por serviços (fee-for-service) pela performance (pay for performance) ou por DRG (Diagnosis Related Groups), cuja remuneração ocorre mediante um único pagamento para um conjunto de serviços prestados, conforme o diagnóstico.

Inovação digital:
Mobile Health: dispositivos móveis como ferramenta no tratamento médico. Acesso, em tempo real, a registros médicos confiáveis. Telemedicina, tecnologia em nuvem, internet das coisas (ioT) e inteligência artificial. Todas estas ferramentas aperfeiçoam a prestação do serviço.

A boa notícia é que grandes players têm investido em fusões e aquisições na área da saúde. Certamente, vislumbram um mercado promissor com capacidade de crescimento significativo e na maturidade dos processos de gestão, para melhor sustentabilidade do setor.

Claudio Guimarães de Azevedo
Médico Anestesiologista
Major médico do Exército Brasileiro
Diretor Técnico Hospital Geral Unimed Santa Maria
MBA Gestão de Pessoas, Empresarial e Saúde pela FGV