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  • 20/05/2011
  • 23:55
  • Atualização: 00:01

Bufão fala de preconceito em "Isaías em Tese"

Francisco de los Santos encarna mendigo que recolhe elementos da rua para incorporar ao seu figurino mutante

Francisco de los Santos encarna mendigo que recolhe elementos da rua para incorporar ao seu figurino mutante | Foto: Kiran / Divulgação / CP

Francisco de los Santos encarna mendigo que recolhe elementos da rua para incorporar ao seu figurino mutante | Foto: Kiran / Divulgação / CP

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  • Vera Pinto / Correio do Povo

Brincar com a migração em geral e falar do preconceito sofrido por quem sai de sua terra natal e encontra dificuldades de adaptação foi o objetivo de Francisco de los Santos ao criar Isaías, personagem que o ator acredita que vá interpretar a vida inteira. Na figura de um bufão, ele encarna um mendigo que conta vários exemplos, como a história do nordestino Francisco José da Silva, que vem para o Sul do país escapar da sina de aridez, em busca de uma vida melhor. Isto num ambiente repleto de objetos como brinquedos, uma rede e fitas do Nosso Senhor do Bom Fim, que remete à reciclagem, baseado na questão dos migrantes que vem pra cá com suas redes, espelhos e cabides.

O texto está sempre em construção e foi extraído de entrevistas com nordestinos que residem em Porto Alegre e Cachoeirinha e o personagem se alimenta de tudo que está à volta de seu intérperte, sempre aberto a improvisações. Em 2009 ele esteve em Salvador e no ano passado, em São Paulo e Rio de Janeiro. "No centro do país, quando fiz as esquetes, no final explicava que aquele era o incídio de uma tese sobre migração nordestina no Rio Grande do Sul, e então senti um certo preconceito. Daí perguntei se estas pessoas nunca tinham sentido o preconceito quando saíram para o exterior", declara Chico, que cada vez que sai para a rua procura algo novo para ser incorporado ao seu figurino e cenário. Filho de um médico e uma advogada, ele diz ter sentido na pele o preconceito quando aos 20 anos resolveu vender artesanato na rua, antes de ingressar na vida artística, atuando numa escola de samba como decorador e aderecista de carro alegórico e depois em moda, como figurinista.

Quando o artista participava das festas temáticas promovidas pelo Depósito de Teatro, as memoráveis Bagasextas, muitas pessoas lhe sugeriram que fizesse a oficina de bufão com a atriz Daniela Carmona, no Tepa. Depois veio a oficina "Ópera dos Mendigos", tendo como ponto de partida "Ópera dos Três Vinténs" de Brecht, onde surgiu o Isaías pela primeira vez. Fez alguns esquetes numa casa noturna e começou a dar corpo ao texto sobre migração nordestina que tinha em mente, levando sua performance ao Festival de Esquetes de São Leopoldo e à Feira do Livro de Porto Alegre, há dois anos. A seguir transformou a performance de 25min em espetáculo e em 2010 foi para o Ocidente, sob a direção de Roberto Oliveira, ganhando as ruas em forma de intervenções. Depois conciliou a peça junto com "Clube do Fracasso" - que no início de junho voltará a cartaz - e a partir das sugestões de sua diretora, Patricia Fagundes e seu colega de elenco, Heinz Limaverde, fez os últimos ajustes na montagem.

"Isaías em Tese" faz suas últimas apresentações neste sábado, às 21h e domingo, 20h, no Teatro de Arena (altos do viaduto da Borges de Medeiros, nº 835), com ingressos de R$ 5,00 a R$ 15,00. Em junho fará o projeto Usina das Artes, dia 5, na Usina do Gasômetro e também percorrerá o Interior do Estado pelo Festival Palco Giratório Sesc: Lajeado (1º), Santa Cruz do Sul (2), Eerechim (7), Santa Rosa (8), Uruguaiana (10), Bento Gonçalves (15) e São Leopoldo (17). Passo Fundo terá vez no dia 20 de agosto.

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