Porto Alegre, sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

  • 18/08/2010
  • 23:55
  • Atualização: 18:23

Inter é bicampeão da Libertadores

Num Beira-Rio lotado, Colorado virou o jogo, venceu Chivas por 3 a 2 e faz a festa

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  • Tiago Medina / Correio do Povo

A partir deste ano os colorados têm um novo feriado em seu calendário: o 18 de agosto. E, futuramente, nessa data, todo torcedor do Inter vai lembrar que, em 2010, o clube levantou a taça da Libertadores da América pela segunda vez na sua história. E após ganhar de virada do Chivas, por 3 a 2, diante de mais de 50 mil torcedores que abarrotaram as arquibancadas do Beira-Rio.

Motivos de sobra para idolatrar Rafael Sobis, Leandro Damião e, claro, Giuliano, os autores dos gols que pintaram a América de vermelho.


Susto no apagar das luzes. De novo

Disputado, aguerrido e sem espaços. Dessa forma, bem característica da principal competição do continente americano, que começou a final no Beira-Rio. Com as equipes se estudando, os marcadores levaram a melhor sobre atacantes e os goleiros tiveram pouco trabalho no início do duelo.

Os mexicanos ora adiantavam a marcação, ora recuavam, aguardando pelos colorados. Os comandados de Celso Roth trataram de administrar a situação. Só pelos 20 minutos que uma equipe começou a levar mais vantagem sobre a outra. E aí foi a vez do Inter atacar. Mas o Chivas, em um contragolpe aos 22, deu um susto, com um chute de Baéz que tirou tinta da trave. 

O Inter não baixou a cabeça. Aos 23, Tinga fez boa jogada e recuou para Taison. O camisa 7 arriscou e obrigou o goleiro Michel a cair no canto esquerdo para evitar o gol. “Uh”, gritaram os colorados. O mesmo grito foi repetido quatro minutos mais tarde, em falta de cobrada por D'Alessandro, que desviou na barreira e saiu próxima ao ângulo da meta.

Única referência ofensiva do Inter, Rafael Sobis – escalado de última hora, porque Alecsandro não se recuperou de lesão – se esforçou, porém não conseguiu transpassar a defesa adversária, que abusou das faltas.

No final do primeiro tempo, o Inter, se já não controlava mais a partida, não era ameaçado de maneira perigosa. No entanto, tal qual o primeiro jogo, os mexicanos souberam aproveitar a única boa chance, aos 42. Depois de lançamento, a Bravo cabeceou da esquerda e Fabían conseguiu uma bela virada e abriu o placar: 1 a 0 e tensão total nas arquibancadas.

Virada no segundo tempo. De novo

Mal deu tempo para o cronômetro completar o primeiro minuto e Taison havia obrigado o goleiro Michel a fazer uma boa defesa. Dois minutos depois, foi a vez de Rafael Sobis mandar o arqueiro trabalhar. Os arremates serviram de prenúncio de um renovado Inter que veio para o segundo tempo.

O Colorado pressionava, mas o gol teimava em não sair. A tensão crescia. Era preciso um herói. E, então, ele apareceu, como em 2006. Kleber avançou pela esquerda até o bico da área e cruzou rasteiro. Tinga tentou e não alcançou. A bola sobrou para Rafael Sobis mostrar porque é um eterno ídolo colorado. Gol, tudo igual no Beira-Rio aos 16 minutos. E a história de pesadelo voltou a ser um sonho.

Pouco depois, Sobis – que já estava cansado – sofreu falta forte e precisou ser substituído. Leandro Damião entrou no seu lugar. E aí brilhou a estrela do técnico Celso Roth. Na sua estreia na Libertadores, o atacante aproveitou a bola entre a zaga e correu mais que a defesa para concluir na saída de Michel. A bola ainda bateu no goleiro e entrou mansamente: 2 a 1.

Giuliano, é claro

O resultado já dava o título ao Inter com sobras. Mas ainda faltava outro herói brilhar: Giuliano. Predestinado e artilheiro, é claro que ele faria o seu. E marcou aos 43. Um golaço. Entrando na área, ele deu um toquezinho por cima de Michel e anotou o terceiro. Gol digno do Rei Pelé, que assistiu à partida nos camarotes do Beira-Rio.

Nos acréscimos, o Chivas ainda descontou. A falta cobrada por Bautista esbarrou no travessão. No rebote, a bola encontrou Araujo, que aproveitou e deu números finais ao confronto.

Mas já não adiantava mais nada. O carnaval já tinha começado. Os fogos de artifício já eram estourados de Porto Alegre, pintando de vermelho o céu da Capital. Era só o começo. Afinal, hoje, a América inteira é novamente colorada.

 

Libertadores – final

Inter 3

Renan, Nei, Bolívar, Índio e Kleber; Sandro, Guiñazu e Tinga (Wilson Matias); D’Alessandro e Taison (Giuliano); Rafael Sobis (Leandro Damião). Técnico: Celso Roth.

Chivas 2
Luis Michel, De Luna, Reynoso, Magallón e Ponce; Báez (Vasquez), Araujo e Fabian; Arellano, Bautista e Omar Bravo. Técnico: José Luís Real.

Gols: Fabían; Rafael Sobis, Leandro Damião e Giuliano
Cartões amarelos: Bolívar; Araujo, Fabían, Bautista;
Expulsão: Arellano;
Arbitragem: Oscar Ruiz (COL), auxiliado por Abraham González (COL) e Humberto Clavijo (COL).
Local: estádio Beira-Rio.


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