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  • 22/10/2011
  • 18:41

Cresce a presença da torcida feminina nos estádios da dupla Gre-Nal

Número de mulheres sócias do Inter salta de 2% para 22% e, no Grêmio, elas já são 14% do total

Mulheres se organizam para participar das torcidas, mas não esquecem a beleza e o estilo | Foto: Fabiano do Amaral

Mulheres se organizam para participar das torcidas, mas não esquecem a beleza e o estilo | Foto: Fabiano do Amaral

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  • Hiltor Mombach / Correio do Povo

Faz parte do passado o tempo em que as mulheres, ou assistiam futebol pela televisão, ou apenas acompanhavam os namorados e os maridos nos estádios, isso quando havia um pouco de segurança. É cada vez maior, segundo pesquisas, o número de mulheres que se associam aos clubes e que participam efetivamente de torcidas.

O fenômeno do aumento da participação das mulheres na vida de Grêmio e Inter pode ser medido pelos números. Em 2001, elas eram apenas 2% do quadro social do Inter. Dez anos depois, são 22%. Dos cerca de 100 mil sócios atuais, 22 mil são mulheres. Destas, 77% pagam as mensalidades em dia, contra 82% dos homens. Do lado do Grêmio, o aumento também é significativo. Na década de 80, o quadro social gremista contava com apenas 402 sócias. Hoje, elas compõem 14% de um quadro social que se aproxima dos 70 mil. O número de inscrições aumentou consideravelmente nos anos 90 e, nesta década, continua crescendo. No Grêmio, 71,8% das mulheres pagam sua mensalidade em dia, contra 81% dos homens.

Como elas vão ao estádio 

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Na última pesquisa do Datafolha sobre a preferência clubística do brasileiro, Grêmio e Inter aparecem com 3% do total. Numa estimativa, para cada três homens torcedores no RS há duas mulheres. Pelo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, há 5.488.872 mulheres no RS e 5.205.057 homens.

Baseado em pesquisa, o Grêmio está montando uma comissão formada exclusivamente por mulheres para aprimorar o atendimento. Segundo o vice-presidente de serviços especializados, Luciano Busatto Davi, o Inter também está formando uma comissão feminina. Hoje, o público feminino é responsável pelo aumento do faturamento da Dupla. Gilberto Lopes Ferreira, gerente da loja Inter Sport do Beira-Rio, estima que de cada dez produtos vendidos, especialmente camisetas, quatro são adquiridas por mulheres. João Basílio, gerente da Grêmio Mania do Olímpico, afirma que cerca de 40% do faturamento da loja é oriundo da venda de artigos femininos. Há dez anos, diz, não chegava a 1%.

Entusiasmado com a participação feminina nas vendas, o diretor executivo de marketing do Grêmio, Paulo César Verardi, promete para este mês o lançamento do quarto uniforme com "uma inovação para elas".

Fatores que ajudam a explicar o fenômeno

Acompanhando de perto a evolução do quadro de sócios do Inter de 2002 a 2010, o ex-vice-presidente de Administração do clube Décio Hartmann aponta vários fatores para este verdadeiro boom.

"Em 2002, a gente podia contar nos dedos não apenas as mulheres sócias como aquelas que iam ao Beira-Rio em dias de jogo. Quase todas acompanhadas. Três ou quatro frequentavam as cadeiras perpétuas e umas 20, as sociais. Em 2003, instalamos 19 câmeras para monitorar via circuito fechado de televisão os portões de acesso ao Gigante. Três anos depois, havia câmeras nas arquibancadas, junto às copas e banheiros, antes, durante e após os jogos. Isto passa uma sensação de segurança. Tiramos os flanelinhas do entorno do estádio e arrumamos os banheiros femininos, que passaram a ter higiene do começo ao fim das partidas. Deixamos de abrir os portões nos intervalos. Só entrava sócio ou torcedor com ingresso. Elas perceberam as melhorias e passaram a fazer justas exigências, como colocar espelhos nos banheiros. Também contribuiu de forma decisiva a proibição de venda de bebidas alcoólicas nos estádios. Eu era contra a lei e hoje sou favorável."

Diretor administrativo do Grêmio desde 1993, Luiz Antonio Moreira passou a perceber um aumento considerável na frequência de mulheres em jogos no estádio Olímpico em 2006: "Antes, de cada dez torcedores nove eram homens. A mulher ia acompanhada. Hoje se vê muita garota no estádio. Elas chegam em bando ou sozinhas. Acho que é porque há mais segurança. A torcida Geral também funciona como um chamarisco."

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