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  • 01/12/2013
  • 10:20
  • Atualização: 07:49

Trinta anos do Mundial: O título do Grêmio em 11 histórias

Técnico Valdir Espinosa relembrou as dificuldades de conseguir informações sobre o Hamburgo

Valdir Espinosa (no centro) comandou o Grêmio na conquista do Mundial de 1983 | Foto: José Doval / CP Memória

Valdir Espinosa (no centro) comandou o Grêmio na conquista do Mundial de 1983 | Foto: José Doval / CP Memória

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  • Luiz Felipe Mello / Correio do Povo

Há 30 anos, o mês de dezembro chegou com o maior dos presentes para a torcida do Grêmio. Para a metade azul do Estado, em 1983, o Natal foi antecipado para o dia 11, quando o Tricolor venceu o Hamburgo no Japão e conquistou o Mundial de Clubes. Para celebrar o aniversário deste título, o site do Correio do Povo apresenta a partir de hoje 11 histórias sobre aquele triunfo de 2 a 1 em Tóquio, contadas por pessoas que participaram diretamente da conquista. Os depoimentos de ex-jogadores e do então técnico Valdir Espinosa detalham impressões e sentimentos que aquele confronto despertou em cada um. Do time que levantou a taça diante dos alemães, apenas Paulo César Caju se recusou a falar sobre a partida.

Consagrado pelo título da América no mês de julho de 1983, o Grêmio tinha a certeza de que a temporada não havia acabado naquela decisão contra o Peñarol. O sonho de transformar aquele ano em um período mágico para os gremistas ainda não estava completo. Restava a maior de todas as taças, que viria em um jogo único em Tóquio, no Japão. Estava claro que o caminho a ser percorrido não seria fácil e o mapa até o título mundial veio de uma forma um tanto incomum. Com poucas informações sobre o adversário, o clube recebeu uma fita VHS que serviria como estudo do inimigo a ser batido. Em entrevista ao Correio do Povo, o técnico do Tricolor em 83, Valdir Espinosa, recorda com carinho do episódio.

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"Naquela época não existiam muitos recursos. Não era como hoje em dia, que você entra na internet e encontra tudo sobre o seu adversário. Conhecíamos pouco sobre o Hamburgo, mas ganhamos mais informações através de uma fita VHS, cortesia de um piloto da Varig que fazia o voo Brasil-Alemanha", contou. "Não tenho a mínima ideia de quem encomendou aquela fita, só sei que chegou até a comissão técnica. Até hoje gostaria de saber quem é esta pessoa. Gostaria de agradecer a ele porque nos ajudou muito", acrescentou.

Com a fita em mãos, Espinosa arregaçou as mangas e decidiu estudar o Hamburgo. E quando o técnico quis mostrar o material aos jogadores, recebeu a companhia de intrusos, aparentemente interessados em conhecer os segredos dos alemães. "E a história desta fita não para por aí. Quando assistimos ao vídeo, estávamos no rol do hotel em Gramado, onde fizemos a pré-temporada. Os atletas assistiram e eu comentava alguma coisa. Além deles, o dono do hotel, o garçom e acho que mais dois jornalistas também estavam ali, acompanhando tudo conosco. Se precisasse deles em campo, saberiam o que fazer", disse aos risos.

O projeto para o Mundial de 83 começou logo depois da conquista da Libertadores, segundo Espinosa. O Grêmio perdeu o meia Tita, que estava emprestado pelo Flamengo, e precisava recompor o grupo com precisão e talento. "Buscávamos uma técnica mais apurada. Nós iríamos enfrentar um time que, tradicionalmente, era aguerrido, assim como o Grêmio. A garra deles, no entanto, ainda era superior. Desta forma, tínhamos de contrariar isso. Daí a importância do Mário Sérgio", explicou.

A chegada de Mário Sérgio foi motivada por uma frase ousada de Espinosa, que espantou e ao mesmo tempo atiçou o presidente Fábio Koff e seus pares. "Eu conhecia o Mário do Vitória e sabia que ele poderia nos ajudar. Eu disse à diretoria que se ele viesse para o Grêmio, eu seria campeão do mundo. Acabei jogando para cima deles a responsabilidade, e eles não só trouxeram o Mário, como o Paulo Cesar Caju", afirmou.

A isca chamada Caju

Uma das principais preocupações de Espinosa em relação ao Hamburgo era a bola aérea. Além disso, a frieza dos alemães durante jogo já tinha sido observada pelo técnico gremista. "Eles não mudavam o estilo de jogo, independente do placar. Era um time muito determinado e isso chamou a minha atenção", contou.

O comandante recorda que a adaptação de Mário Sérgio e Paulo César Caju ao grupo foi muito rápida, o que facilitou o entrosamento do Grêmio na decisão. Espinosa comentou ainda que o pior erro do Hamburgo foi se preocupar apenas com Caju, que na época era o atleta mais conhecido do Tricolor por conta das passagens pela Europa e pela Seleção Brasileira. "Eles colocaram três homens em cima dele e deixaram o Mário Sérgio e o Renato livres. Achavam que dava para marcá-los individualmente", disse.

De Leon ordena e Renato decide

Apesar da magnitude da decisão, o duelo com o Hamburgo se apresentou de forma tranquila para o Grêmio, que saiu na frente com um gol de Renato aos 37 minutos do primeiro tempo. Espinosa exaltou a atitude dos atletas em campo, que jamais deixaram que o time alemão tomasse as rédeas do jogo. "Mesmo com 1 a 0 nós não jogávamos apenas para nos defender. Perdemos outras chances de gol", recorda.

Mas um título mundial não é conquistado sem sofrimento e o golpe dado pelo Hamburgo desnorteou os jogadores do Grêmio, segundo Espinosa. "O gol deles gerou um impacto muito grande no grupo. Faltavam cinco minutos para acabar o jogo e a partir do empate ficamos na expectativa do que poderia acontecer na prorrogação. Mas aí o De Leon exerceu a sua liderança e sentenciou: 'Ninguém cabeceia mais na nossa área'. Aquilo mexeu com os jogadores e o Renato ainda completou: 'Segurem lá atrás que eu decido lá na frente'. E não deu outra", finalizou o técnico campeão do mundo pelo Tricolor.

Ouça a narração de Armindo Antônio Ranzolin pela Guaíba :

Confira como Hamburgo chegou ao Mundial de 83

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