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07/06/2014 20:11 - Atualizado em 07/06/2014 22:05

Torcedor pede conquista do Campeonato Brasileiro para Fernandão

Mais de 4 mil colorados foram ao Beira-Rio para homenagear ídolo

Mais de 4 mil colorados foram ao Beira-Rio para homenagear ídolo
Crédito: Samuel Maciel

Na semana em que Porto Alegre faz os últimos preparativos para receber a Copa do Mundo, o estádio Beira-Rio recebeu uma multidão de torcedores do Inter entristecidos e já com um sentimento de saudade do ídolo Fernandão, morto em um acidente áereo na madrugada deste sábado no interior de Goiás. Mais de 4 mil pessoas percorreram a avenida Padre Cacique e transformaram o Centro de Visitantes do Gigante para Sempre em uma espécie de memorial. Ali, escreveram mensagens, colaram encartes de jornais, acenderam velas e choraram a morte do capitão que ajudou o clube a levantar as taças da Libertadores e do Mundial em 2006.

• Mais informações do acidente de Fernandão

O aposentado João Carlos Rego, de 57 anos, percorria a avenida Padre Cacique com os olhos marejados. Ele não segurou as lágrimas quando viu outro colorado com um arranjo de flores, que mais tarde iria repousar em frente ao Centro de Visitantes. Em tom de discurso, não precisou de um microfone para iniciar uma explanação que em instantes terminaria com uma salva de palmas de um grupo de torcedores que deixava o memorial após render homenagens a Fernandão. "Eu me senti como no dia da morte do Ayrton Senna. Por causa do gesto de vocês, vindo aqui, é que este clube é o que é. Nós temos é que nos mobilizar para lotar o Beira-Rio em todos os jogos restantes do Brasileirão e ajudar o Inter a conquistar este título para o Fernandão", declarou.

Assim como tantos outros, ele recebeu a notícia da morte do ídolo como um choque. "Ouvi a notícia pelo rádio e no primeiro momento nem acreditei. Entrei na internet e então vi que tinha acontecido realmente. Tentei me animar e até xinguei o Fernandão, que mais uma vez me fez chorar. Ele já tinha provocado esta situação quando conquistou a América e o Mundo e agora mais uma vez", afirmou. "Ele não deveria ter morrido tão novo e mesmo assim deixou uma flauta para os gremistas ao falecer aos 36 anos", acrescentou.

Padre Cacique tomada de colorados

Desde o começo da avenida Padre Cacique já era possível ouvir os cantos da torcida colorado. As músicas, imortalizadas nas arquibancadas em dias de grandes jogos, agora eram cantadas num ritmo mais comedido, sem aquele entusiasmo característico que embalou os grandes momentos do próprio Fernandão no Beira-Rio. O som de instrumentos de percussão contrastavam com buzinaços feitos por motoristas que seguiam no sentido contrário da pista.

O estudante Pedro Henrique Mattos, de 24 anos, ficou sabendo da morte de Fernandão por volta das 8h, através de uma mensagem enviada por uma amiga gremista. "A mensagem não teve flauta. Foi em tom de respeito", revelou. "Fiquei sem palavras. Não há muito o que explicar principalmente pela idade que ele tinha. Sinto muito pelos familiares", disse. A maior lembrança que Mattos guardará de Fernandão foi o seu retorno ao Beira-Rio como campeão mundial, ao lado de Abel Braga, Clemer, Índio e companhia: "Ainda tenho viva a lembrança do gol na final da Libertadores de 2006, daquele passe para o Tinga ou até da taça sendo levantada no Japão. Mas sem dúvida o que me marcou mais foi quando ele estava no Beira-Rio e gritava com a torcida 'vamo, vamo Inter'".

Neste sábado, a diretoria do Inter anunciou que a camisa 9 não será usada no retorno da equipe ao Campeonato Brasileiro. Mattos defendeu a ideia de aposentar o número definitivamente. "Pela simples razão de que não haverá outro. Não vamos ter um outro Fernandão, assim como não teremos um segundo Falcão ou um novo D'Alessandro", explicou.

“Foi o mais colorado dos nossos ídolos”

A atendente de tele-marketing Cláudia Mesquita, de 47 anos, afirmou que chorou muito após a morte de Fernandão. "Ele e o D'Alessandro são tudo para mim. Sempre estive aqui no Beira-Rio, acompanhando jogos e vi de perto o Fernandão. Esta homenagem aqui é um momento único na história do Inter. Já vi gremistas que vieram aqui prestar respeito ao ídolo. Isto mostra que a rivalidade só fica dentro de campo", relatou.

Para o estudante de 21 anos Lucas Silva de Souza, Fernandão foi o maior ídolo da história do Inter, que cativava qualquer torcedor. "O que está acontecendo hoje aqui eu nunca tinha visto na minha vida. Só mostra que todos os torcedores estão fechados com o Inter e com as lembranças do Fernandão. Quando recebi a notícia fiquei sem acreditar. Fiquei meio assustado, principalmente porque era muito novo. Foi o mais colorado dos nossos ídolos".








 
Nos áudios abaixo, escute os áudios do primeiro e do último gol de Fernandão com a camiseta colorada, na narração da Rádio Guaíba.

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     Ouça o áudio: Primeiro gol de Fernandão pelo Inter (Rádio Guaíba)
     Ouça o áudio: Último gol de Fernandão pelo Inter (Rádio Guaíba)


Fonte: Luiz Felipe Mello / Correio do Povo






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