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  • 07/02/2011
  • 16:38
  • Atualização: 16:49

Cerca de 150 funcionários da TV Cultura são demitidos

Segundo João Sayad, em 24 horas de programação, a TV Cultura só produzia seis horas de conteúdo próprio

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A TV Cultura confirmou nesta sexta-feira, em nota, a demissão de "cerca de 150 funcionários" de seus quadros. Segundo comunicado oficial, a redução se deve "a um projeto de reestruturação da emissora, adequando a grade de programação à capacidade instalada, redução de custos e investimentos em novos programas." A reformulação prossegue na política de enxugamento levada a cabo por João Sayad, atual presidente da Fundação Padre Anchieta (FPE, gestora da TV Cultura), que assumiu há 7 meses.

As demissões começaram em agosto, quando ele informou seus planos de cortar 450 pessoas (chegou-se a especular que seriam 1,4 mil), além de encerrar os serviços terceirizados da fundação (gravações, por exemplo, para a TV Assembleia, TSE, Procuradoria da República e TV Justiça) e finalizar contratos. Segundo Sayad, em 24 horas de programação, a TV Cultura só produzia seis horas de conteúdo próprio, o que considerava muito pouco para o tamanho da folha salarial.

Segundo Sérgio Ipoldo, do Sindicato dos Radialistas, a direção da emissora não deixou claro se o corte se resumiria a essas 150 pessoas ou se haveria uma nova etapa. "O clima aqui tá pesadíssimo, as pessoas nesse momento estão se despedindo", afirmou Ipoldo, que hoje acompanhou o dia na TV Cultura. O representante do sindicato se reuniu pela manhã com a direção da emissora, que informou a extensão do ajuste.

Fórmula

Segundo a TV Cultura, a fórmula para demitir mais 150 funcionários foi baseada "nas propostas feitas pelos gestores de cada uma das áreas envolvidas", e a comunicação da dispensa "foi feita individualmente a cada funcionário." Segundo José Maria Lopes, representante dos funcionários da TV Cultura no Conselho Curador da FPE, a direção da fundação explicou detalhadamente cada corte e sua justificativa. "É sempre triste uma demissão. Essas pessoas ajudaram a construir a TV Cultura. Mas nós estamos num regime de CLT, qualquer pessoa pode ser demitida, e os cortes estão sendo feitos com critério e educação."

As demissões, apesar de não lineares, parecem atingir 10% de todos os setores. A Fundação Padre Anchieta informou que "pagará integralmente todos os direitos rescisórios, valorizando e respeitando a dedicação e trabalho realizado na empresa por esses colaboradores". O grupo de 96 funcionários lotados na TV Assembleia, que corriam o risco de serem demitidos, serão absorvidos pela Fundac (Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação). O contrato de R$ 15 milhões, entretanto, está sob suspeita - foi feito sem licitação e o dono da Fundac, Alberto Luchetti, era até pouco tempo contratado da Fundação Padre Anchieta como Pessoa Jurídica. A mesma empresa já tem um contrato de R$ 11 milhões com a TV Câmara. Os funcionários da TV Assembleia tem exame demissional marcado para o dia 11, para mudarem de status.

Reestruturação

O sindicato dos radialistas estima que, agora, a TV Cultura esteja com cerca de 900 funcionários. Desde meados do ano passado, Sayad se concentra na reestruturação da emissora. Seus cortes não são lineares - o presidente extinguiu também diretorias, como as de Produção, de Programação e de Produção Independente, que produzia para órgãos como a TV Justiça. Executivos foram demitidos, como Marcelo Amiky, de Produção, e Mauro Garcia, de Programação. Logo a seguir, foi extinta a Sucursal de Brasília da TV Cultura.Em julho, Sayad já tinha afastado de suas funções executivos importantes da TV, como Gabriel Priolli, que era Diretor de Jornalismo. Ele alegou que Priolli não tinha o perfil adequado para o cargo na emissora, gerida pela fundação. "Foi escolha equivocada", afirmou Sayad.

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