Porto Alegre, sábado, 20 de Dezembro de 2014

  • 29/03/2011
  • 16:10
  • Atualização: 18:25

Diplomata diz que suspeita de roubo da Arquidiocese é um mal entendido

Adelino Vera Cruz chegou a anunciar "acordo" à imprensa

Diplomata diz que suspeita de roubo da Arquidiocese é um mal entendido | Foto: Ricardo Giusti

Diplomata diz que suspeita de roubo da Arquidiocese é um mal entendido | Foto: Ricardo Giusti

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  • Paulo Roberto Tavares / Correio do Povo

O vice-cônsul de Portugal em Porto Alegre, Adelino D’Assunção Nobre de Melo Vera Cruz Pinto, considera a suspeita de que tenha se apropriado de dinheiro da Arquidiocese de Capital um mal entendido. O diplomata afirmou que passou os R$ 2,5 milhões para uma ONG belga para restauração de algumas igrejas gaúchas, ele próprio, porque a Mitra perderia a condição de filantropia se fizesse transferências de valores para o exterior.

“O pároco Luiz me pediu que fizesse a transação para que a Cúria não perdesse a sua condição de instituição filantrópica”, afirmou o vice-cônsul de Portugal. “Sempre tive uma postura séria e tratei a todos com lealdade”, comentou o diplomata, informando que constituiu o advogado Amadeu Weimann para cuidar do caso.

“O problema é que eu não sabia estar participando de uma estratégia ilegal”, alegou Pinto. Ele afirmou que o dinheiro será devolvido o mais breve possível, apenas está sendo estudado de que maneira isso será feito e para quem o montante será entregue. “Não sei se para a Igreja, para o Cardeal”, disse. “Ainda não está claro a quem deve ser entregue o dinheiro, mas ele será devolvido."

Entenda o caso

O problema teria começado com a arrecadação de verba para restaurar as igrejas Nossa Senhora da Conceição, na Capital, e Bom Senhor, no município de Triunfo. Os párocos gaúchos procuraram a embaixada portuguesa em Porto Alegre, no primeiro semestre do ano passado. Segundo a Polícia Civil, na ocasião, o vice-cônsul teria afirmado que ajudaria a obter os recursos pelo Projeto de Restauração do Patrimônio de Origem Portuguesa.

O vice-cônsul teria, então, se oferecido para levar os documentos a Portugal, durante uma visita à Igreja Nossa Senhora da Conceição. Segundo o delegado da 1ª Delegacia da Polícia Civil, Paulo César Jardim, um mês depois, o diplomata confirmou que uma ONG belga, ligada ao governo português, ajudaria nas duas obras, repassando 70% do total necessário. Ele chegou a anunciar o acordo à imprensa em novembro e a notícia foi publicada no site da embaixada portuguesa.

Conforme a denúncia que foi feita pelos párocos, três deles se reuniram em Lisboa, em dezembro, com a representante da ONG, que confirmou o investimento de R$ 12 milhões na reforma das igrejas. Porém, a Arquidiocese de Porto Alegre teria que depositar mais de R$ 2,5 milhões na conta da ONG, como contrapartida. De acordo com a polícia, o depósito foi feito na conta do vice-cônsul e ele se comprometeu em repassar a verba até o final de janeiro. As tratativas incluíram até mesmo o arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings.

A Arquidiocese tentou reaver o depósito inicial, mas o vice-cônsul já havia repassado o valor para a ONG, alegando ter sido necessário para o andamento do acordo. O prazo terminou, mas o dinheiro não veio para a Capital. A polícia procurou a embaixada portuguesa, que afirmou desconhecer o negócio.


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