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  • 01/06/2011
  • 15:53
  • Atualização: 16:44

Especialista sugere cautela no uso de telefones celulares

OMS revelou ontem que radiação dos aparelhos pode causar câncer

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  • Correio do Povo

Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) não divulga os detalhes da pesquisa que aponta a radiação dos telefones celulares como fator cancerígeno para o ser humano, o chefe do Serviço de Oncologia Clínica da Santa Casa de Porto Alegre, Rodolfo Rabke, aconselha as pessoas que usam muito o aparelho a adotar fones de ouvido. “Pelo sim, pelo não, eu aconselharia a população a usar fones de ouvido e manter o aparelho mais longe da cabeça”, disse o especialista em entrevista ao site do Correio do Povo.

A pesquisa completa, cujos dados preliminares foram divulgados pelo Centro Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (CIRC) ontem, só será publicada na edição de julho da revista “Lancet”. Em 2004, um outro estudo sobre o uso desses aparelhos já mostrava um aumento de 40% do risco de gliomas entre os maiores usuários – definidos como os que acionavam o aparelho durante 30 minutos por dia durante 10 anos.

“Já é sabido que radiação pode causar câncer. Mas não é só a radiação de telefones celulares. Aparelhos de televisão emitem esse tipo de radiação, de microondas, entre outros. A diferença é que o celular fica muito mais próximo da cabeça do que os outros”, afirmou o médico. Ele relata que o glioma – tipo de câncer cerebral – é relativamente raro e atinge pessoas com idade mais avançada.

Uma equipe de 31 cientistas de 14 países, incluindo os Estados Unidos, analisou uma série de estudos feitos por especialistas em segurança de telefonia celular. "O grupo de pesquisa busca classificar (...) por meio de estudos epidemiológicos um risco crescente de glioma, um tipo de câncer do cérebro relacionado ao uso de celular", o presidente do grupo de pesquisa patrocinado pelo CIRC, Jonathan Samet, em entrevista coletiva ontem.

A agência classifica o uso do telefone móvel na mesma categoria de risco do chumbo. Samet alerta que "pode haver risco e que, por isso, devemos ficar atentos à relação entre os telefones celulares e o aparecimento do câncer", concluiu. Segundo o diretor do CIRC, Christopher Wild, "é importante a realização de pesquisas complementares sobre a utilização intensiva, a longo prazo, dos celulares". "Durante a espera da disponibilização de tais informações, é importante tomar medidas pragmáticas, a fim de reduzir a exposição (às ondas)", acrescentou, citando a utilização de kits que deixam as mãos livres e os SMS.

Fabricantes reagem à pesquisa

Após o anúncio da OMS, a Mobile Manufacturers Forum (MMF), associação que reúne fabricantes de aparelhos, saiu em defesa dos celulares. Segundo o secretário-geral da entidade, Michael Milligan, a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc) concluiu que há possibilidade de que os campos de radiofrequência sejam carcinogênicos. "Autoridades de saúde deverão determinar o seu impacto em geral", afirmou Milligan. "O setor de comunicações móveis continuará apoiando pesquisas bem conduzidas e independentes que esclareçam qualquer incerteza identificada pela avaliação", destacou.

Segundo a MMF, no mundo, os telefones celulares recebem selos de aprovação regulatória - como o "CE" da União Europeia ou FCC dos EUA -, para mostrar que estão de acordo com padrões de exposição relevantes. "Além de operar no limite de exposição, os celulares são desenvolvidos para garantir que estejam sempre operando no nível mínimo para fazer uma chamada de qualidade", disse Milligan.

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TAGS » Saúde, Geral, Câncer