Porto Alegre, segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

  • 09/04/2012
  • 16:29
  • Atualização: 17:45

Ao lado de Obama, Dilma critica política monetária dos EUA

Obama declarou "ter sorte" por encontrar uma "parceira" e elogiou "progressos do Brasil"

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Ao lado do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a presidente Dilma Rousseff atacou nesta segunda-feira o impacto sobre o valor das moedas e sobre o crescimento das economias emergentes da política monetária expansionista adotada pelo Federal Reserve, o banco central americano, e de medidas protecionistas. "Essas políticas monetárias, solitárias no que se refere às políticas fiscais, levam à valorização das moedas dos países emergentes, levando ao comprometimento do crescimento dos países emergentes", afirmou ela, ao final de uma hora e meia de conversa com o líder americano, no Salão Oval da Casa Branca.

Dilma incluiu em suas críticas a atuação de economias avançadas com "superávit fiscal", em uma referência indireta à Alemanha. Mas não as detalhou. Preferiu concentrar-se nos desequilíbrios gerados por duas iniciativas do FED de expandir o volume de dólares na economia americana como meio de estimular a atividade. Uma delas está em vigor até meados deste ano. Esse volume tem sido deslocado para economias emergentes com maior potencial de retorno, como a brasileira, e provocado a valorização do real. A consequência é a redução da competitividade do produto brasileiro no exterior e o barateamento de bens importados.

A presidente mencionou a presença desse tema na reunião de cúpula das Américas, nos próximos dias 14 e 15 em Cartagena, na Colômbia. Insistiu que essa conjuntura está afetando os países latino-americanos e advertiu para o fato de o crescimento econômico regional depender do fortalecimento do seu mercado interno e da inclusão social das camadas mais pobres. Para ela, será imprescindível impedir que "medidas protecionistas, principalmente as ligadas ao câmbio, nos afetem".

O papel do crescimento dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e da recuperação da economia americana para o desempenho mundial também foram destacados por Dilma. "A grande flexibilidade da economia americana, a sua liderança na área de Ciência, Tecnologia e inovação e as forças democráticas que fundam a Nação americana tornam os EUA são muito importantes na contenção da crise e na retomada, na prosperidade", afirmou. "Brics respondem hoje por uma parte expressiva do crescimento econômico (mundial). Mas é muito importante perceber que a retomada do crescimento (mundial) em médio prazo passa também pelo expressivo crescimento dos EUA", completou.

Sorte na parceria

Obama declarou nesta segunda "ter sorte" por encontrar na presidente Dilma Rousseff uma "parceira" e elogiou os "progressos do Brasil" nos governos de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e admitiu seu interesse em fazer dos EUA "um grande cliente" do País no campo da energia. Especialmente, em petróleo e gás. "Esperamos cooperar em uma ampla gama de projetos energéticos", afirmou Obama, sentado ao lado de Dilma. "A relação bilateral nunca foi tão forte", completou.

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