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03/01/2013 20:31 - Atualizado em 03/01/2013 20:41

Temporal tira mais de 3,7 mil pessoas de suas casas no RJ

Prejuízos afetaram ao menos 14 mil habitantes, principalmente em Mangaratiba e Duque de Caxias

Prejuízos afetaran ao menos 14 mil habitantes, principalmente em Mangaratiba e Duque de Caxias. Clique para ver mais fotos
Crédito: Vladimir Platonov/ABr/CP

Em um dia trágico para muitas famílias no Rio de Janeiro, a Defesa Civil do estado divulgou balanço oficial dos atingidos no início da noite desta quinta-feira. Além da morte de um homem, pelo menos 14 mil pessoas foram afetadas pelas fortes chuvas com um total de 3.760 desalojados e desabrigados por conta de deslizamentos e riscos de desmoronamento de terrenos, principalmente em Mangaratiba e Duque de Caxias.

O número abrange cerca de 2.380 pessoas retiradas preventivamente de suas casas no município de Angra dos Reis, no litoral sul, onde há ainda 320 desalojados. No distrito de Xerém, em Duque de Caxias, mil pessoas estão desalojadas e há um morto confirmado. Em Petrópolis, na região serrana, há 30 desalojados, e o mesmo número em Teresópolis.

Conforme especialistas, faltaram medidas de prevenção para evitar os prejuízos em Duque de Caxias. Bastariam medidas de prevenção básicas, como a proibição pelo Poder Público de edificações nas margens dos rios e córregos, além de uma dragagem periódica, conforme o perito em geotécnica do Departamento de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Alberto Sayão.

“Foi uma tragédia anunciada, um desastre previsto. Alguém tem que ser responsabilizado”, enfatizou ele, citando a falta de fiscalização pelo Executivo, a leniência do Judiciário em julgar crimes ambientais e o populismo de integrantes do Legislativo, que buscam se promover em troca da facilitação da ocupação de áreas irregulares. “Deixar construir às margens de rios é crime ambiental. O rio vai sempre reconquistar o seu espaço. É possível prever com exatidão as áreas de inundação”, declarou o professor.

Segundo ele, podem se passar muitos anos até que ocorra outra inundação, o que não significa que é seguro construir estruturas no local. Além de colocar em risco as famílias, o entulho das casas destruídas vai represar e assorear ainda mais o curso d´água, causando mais pressão rio abaixo, atingindo outras estruturas, principalmente pontes, como ocorreu em Xerém. Sayão ressaltou que a estrutura geológica da serra, em Xerém, é a mesma encontrada em outras formações geológicas no estado do Rio, com maciços rochosos cobertos por camadas finas de solo e vegetação, o que favorece deslizamentos.

“Os escorregamentos acontecem por causa de três fatores: camada fina de solo, forte inclinação e grande quantidade de chuva”, disse o engenheiro. Conforme ele, outro fator que pode ter contribuído na tragédia de Xerém é a quantidade de lixo que deixou de ser recolhida nas últimas semanas pela gestão passada da prefeitura de Duque de Caxias e que acabou sendo carregada para dentro dos rios e riachos, ajudando a barrar o fluxo da água causando os transbordamentos.

O perigo de novos estragos não passou para a população do RJ. O serviço de meteorologia prevê chuva de moderada a forte para as próximas horas nos municípios de Nova Friburgo e Teresópolis. Equipes da Defesa Civil do Rio seguiram para as duas cidades a fim de verificar as medidas de prevenção. A chuva que atingiu a Baixada Fluminense e litoral sul do Estado do Rio chegou a 212 milímetros em 24 horas, o equivalente a 15 dias de precipitação.


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Fonte: Agência Brasil






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