Porto Alegre, sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

  • 26/01/2013
  • 16:08

Reajuste da gasolina elevará pressão sobre a economia do RS

Governo "empurra" aumento para tentar amenizar impacto na inflação do trimestre

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  • Correio do Povo

O iminente reajuste de 5% no preço da gasolina, aguardado para a primeira quinzena de fevereiro, impactará diretamente na economia gaúcha. O economista Alfredo Meneghetti Neto, da Fundação de Economia e Estatística, lembra que a gasolina é formadora de preços para vários produtos, especialmente os agropecuários. De imediato, projeta aumento dos hortigranjeiros. “Somos dependentes do transporte rodoviário, e um reajuste neste patamar afetará a comercialização de produtos e alavancará a alta dos preços dos alimentos”, enfatiza.

Sendo confirmado o reajuste, Meneghetti Neto aposta em alta das passagens de ônibus entre março e abril. Para o consultor de economia do Correio do Povo, André Azevedo, o aumento deve resultar em impacto de meio ponto percentual na inflação do ano, mas permitirá o realinhamento dos preços do combustível em relação ao mercado externo. “Isso amplia o potencial de investimento da Petrobras”, pontua. O economista Geraldo Fonseca considera que o impacto irá refletir nas finanças das famílias e atingirá o comércio, com uma parte maior da renda sendo destinada ao combustível. “O mês ficará mais longo”, acentua. O Banco Central e a Petrobras projetam alta de 5% na gasolina, mas fontes oficiais já sinalizam um reajuste ainda maior. A presidente Dima Rousseff não comenta o assunto.

Gasolina sobe em fevereiro

O governo trabalha com duas semanas de folga entre a agenda positiva da redução da conta de energia e a agenda negativa do aumento dos combustíveis. Conforme previsões do Banco Central e da Petrobras, a intenção é reajustar os combustíveis em até 5%, mas há possibilidade de o aumento ser superior a esse índice, conforme fontes oficiais. O aumento sairá depois da reunião do Conselho de Administração da Petrobras, marcada para 4 de fevereiro. Tudo o que o Planalto não queria era que o reajuste da gasolina fosse anunciado na semana do pronunciamento de Dilma em cadeia nacional de rádio e TV. Mas há o reconhecimento no governo de que é necessário o aumento dos combustíveis. Para capitalizar politicamente a redução do preço da energia, Dilma negou-se a falar sobre o reajuste dos combustíveis ao ser questionada.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, deixou claro na sexta-feira que qualquer decisão sobre aumento das tarifas dos combustíveis será tomada com prudência. “Se o consumidor ficou feliz com a redução na conta de luz, não queremos que ele fique descontente com a notícia do aumento no preço da gasolina.” O aumento é fonte de grandes preocupações em Brasília.

“O governo está tentando empurrar esse aumento mais para frente com o intuito de evitar impacto na inflação neste trimestre, já que os índices estão altos. É um assunto tão espinhoso que Dilma tem fugido de perguntas a respeito. O aumento da gasolina é uma pedra no sapato do governo”, afirma uma fonte em Brasília. A mesma fonte diz que a alta é inevitável em razão da situação instável da Petrobras.

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