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29/01/2013 01:08 - Atualizado em 29/01/2013 02:51

Subcomandante dos Bombeiros proibiu filhas de irem à festa na Kiss

Major pede alteração na legislação brasileira para casas noturnas

Luto e homenagens seguem durante a noite em frente à boate<br /><b>Crédito: </b> Tarsila Pereira
Luto e homenagens seguem durante a noite em frente à boate
Crédito: Tarsila Pereira
Luto e homenagens seguem durante a noite em frente à boate
Crédito: Tarsila Pereira

No dia após o incêndio na boate Kiss, a dor e a perplexidade ainda estavam estampadas nos rostos das pessoas em Santa Maria, com a perda de 231 dos seus jovens. Até mesmo em homens acostumados a lidar com eventos desse tipo. É o caso do subcomandante do Corpo de Bombeiros de Santa Maria, major Gérson da Rosa Pereira. Na manhã desta segunda, durante o velório coletivo no centro esportivo da cidade, o oficial se emocionou ao relembrar as cenas que viu dentro do estabelecimento, poucas horas depois da tragédia. Ele também contou que suas filhas foram proibidas de ir à festa que resultou em tragédia.

Com a voz embargada e não conseguindo segurar as lágrimas, Pereira afirmava ser muito difícil comentar o assunto. “Dizer o quê”, questionou, já com a voz trêmula. “É muito difícil presenciar aquilo tudo, não tem como definir, é muito difícil”, disse. A emoção de Pereira se deve muito ao fato de não ter permitido que as duas filhas fossem à boate naquela noite. Olhando para um ponto distante, até para disfarças as lágrimas, o oficial afirmou não ter se arrependido da proibição. “Com a negativa, fui pai realmente, o que muitas vezes pela profissão, não dá tempo”, comentou. “Às vezes temos que dizer não e, desta vez, não me arrependo”, salientou o subcomandante.

Com as cenas de terror da madrugada do último domingo na memória, o major considera necessária uma mudança urgente na legislação. “Quanto vistoriamos esta boate, fizemos uma análise e notificamos quanto à questão de existir apenas uma porta”, contou. “No entanto, essa notificação foi derrubada pela Justiça, pois a lei não exigia duas portas para um estabelecimento daquele porte. Ou seja: estava tudo legal perante a legislação brasileira”.

Outra análise sugerida pelo major é a comportamental. O show pirotécnico e uma suposta lotação além da capacidade, além de acusações – não comprovadas –, de que os seguranças teriam barrado a saída dos frequentadores, devem ser investigadas. Para Pereira, é urgente uma modificação na legislação vigente em relação à liberação de estabelecimentos para espetáculos.

“O Corpo de Bombeiros de Santa Maria sempre fez exigências de segurança”, afirmou. “Também somos os pioneiros no Brasil no treinamento de civis para agir corretamente em situações como a da boate”, disse o subcomandante, ressaltando não ter informações se os funcionários da Kiss tinham recebido este tipo de treinamento.



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Fonte: Paulo Roberto Tavares/Correio do Povo






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