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  • 29/01/2013
  • 11:34
  • Atualização: 12:20

Número de vítimas seria menor se houvesse mais portas, diz engenheiro

Professor da Unicamp trabalha em simulador de incêndio em ambiente fechado

Boate Kiss possuía apenas uma porta de entrada e saída | Foto: Fábio Dutra / Especial / CP

Boate Kiss possuía apenas uma porta de entrada e saída | Foto: Fábio Dutra / Especial / CP

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O incêndio na boate de Santa Maria, no Centro do Estado, poderia ter deixado menos vítimas se o local tivesse mais portas. A afirmação é do professor de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sávio Vianna, que trabalha em um projeto de simulação computacional de incêndios em ambiente fechados, assim como na formação de fumaça tóxica e, na consequente, letalidade.

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“Estou certo de que se a boate tivesse mais portas e os procedimentos adequados, o número de vítimas seria muito menor. Se é que haveria alguma”, avalia o professor. Vianna ressalta, no entanto, que somente conhecendo as dimensões do estabelecimento é possível prever em quanto tempo a fumaça tóxica provocada pelas chamas se expande pelo local, causando a intoxicação e a morte por asfixia. “Na simulação vemos que a formação da camada de nuvem ocorre muito rapidamente. Em 300 segundos, o fogo se propaga e a sala está quase toda tomada pela fumaça”, analisa.

“É um software aberto, que podemos modificar inserindo contribuições. A ferramenta desenvolvida nos Estados Unidos é usada internacionalmente por universidades, centros de pesquisa e empresas de consultoria justamente para o estudo de incêndios onde ocorre pirose, a queima de sólido”, explica.

O professor reforça ainda a necessidade de funcionários de uma discoteca do tipo terem preparo e treinamento adequados para agir em situações de emergência. “Seguranças não devem atuar apenas como pacificadores, mas serem treinados para um plano de emergência e contingência. Ainda mais diante de um público jovem, sob o efeito de álcool e em clima de paquera”, comenta.

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O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min de domingo. Cerca de 1,5 mil pessoas estariam no local, a maioria participando de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Guido Pedroso de Melo, afirmou que o objeto teria enconstado numa forração de isopor.

As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Testemunhas relataram que, a princípio, parecia uma briga e os seguranças fizeram um cordão de bloqueio. Mas, quando viram que era um incêndio, liberaram a passagem.

Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram e a pessoas tiveram que recorrer a equipamentos que ficavam mais distantes. Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimões, usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate. Os próprios socorristas passaram mal em razão da fuligem. Muita gente que conseguiu escapar voltou para ajudar os outros. Os sobreviventes foram levados para o Hospital de Caridade, o Hospital Universitario de Santa Maria (HUSM) e o Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Os feridos em situação mais grave foram encaminhados a instituições de saúde de Porto Alegre. Os corpos foram encaminhados ao ginásio municipal para reconhecimento por familiares.

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