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01/02/2013 14:07 - Atualizado em 01/02/2013 14:16

Renan Calheiros ignora denúncia e diz que "ética é obrigação"

Roberto Gurgel confirmou denúncia contra o senador candidato à presidência da Casa

Renan Calheiros cumprimenta Pedro Taques no Senado<br /><b>Crédito: </b> Antônio Cruz / ABr / CP
Renan Calheiros cumprimenta Pedro Taques no Senado
Crédito: Antônio Cruz / ABr / CP
Renan Calheiros cumprimenta Pedro Taques no Senado
Crédito: Antônio Cruz / ABr / CP

Em discurso acalorado, o candidato à presidência do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ignorou as denúncias que pesam sobre ele e disse que ética "é obrigação de todos". Ele apresentou algumas de suas propostas para os dois anos de mandato e pediu votos. "Eu peço à nossa Casa, a Casa dos iguais, o apoio e o voto de vossas excelências, consciente de que a escolha de cada um das senhoras e senhores senadores é, acima de qualquer coisa, uma demonstração de prestígio, homenagem e celebração à democracia".

Nesta sexta, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, confirmou ter denunciado o Calheiros no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de falsidade ideológica, uso de documentos falsos e peculato. A íntegra da denúncia, publicada pela revista Época, será analisada pelo STF em data ainda não prevista. Se aceita, Calheiros passará da condição de investigado para a de réu. A investigação foi aberta depois do surgimento de suspeitas de que o senador tinha despesas pessoais pagas por um empresário. Para justificar o dinheiro usado, por exemplo, para o pagamento de pensão a uma filha que teve fora do casamento, ele apresentou documentos que, segundo o procurador, são falsos.

Escolhido por unanimidade dentro do partido, que só formalizou a candidatura de Renan no fim da tarde desta quinta-feira, o candidato destacou quatro eixos em que pretende trabalhar durante seu mandato: aprofundamento e continuidade das reformas e modernização da Casa; criação da Secretaria de Transparência; definição de prioridades legislativas; e compromisso do parlamento com a democracia e a liberdade de expressão.

"A gestão administrativa tem que ser pautada nos seguintes princípios: reduzir a despesa pública do Senado Federal, unificação de órgãos, qualificação continuada dos servidores; planejamento estratégico e governança", disse. Segundo ele, essas medidas poupariam males como "ineficiência e tédio".

A Secretaria de Transparência que pretende criar não geraria, segundo Renan, custos adicionais para o Senado. "Esse órgão terá com essa secretaria, agora na época digital, papel equiparado ao que teve a TV Senado, criada por Vossa Excelência (José Sarney)."Renan disse que o estabelecimento de prioridades legislativas diminuiria as incertezas. "Assim, nesse contexto federativo, vamos avançar em duas matérias de grande importância tributária e financeira. Precisamos aprovar rapidamente a regulamentação da avaliação periódica do sistema tributário nacional. Isso é fundamental para que possamos aferir a experiência do sistema tributário, a justiça fiscal, a complexidade da legislação".

Com o banco de dados que também pretende criar, o peemedebista afirma que vai facilitar e qualificar as votações do Fundo de Participação dos Estados (FPE), Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e todas as questões relativas. Segundo Renan, esta agenda é "por um Brasil mais fácil, mais ágil () que exige que o Senado e o Congresso Nacional deem respostas". "Se no passado fomos capazes de remover o entulho autoritário, vamos ser capazes de resolver o entulho burocrático".

Sobre o quarto eixo de suas propostas, o compromisso com a democracia e a liberdade de expressão, Calheiros disse que "o Congresso Nacional será uma barreira sobre toda a iniciativa que queira de qualquer maneira arranhar a liberdade de expressão". "Alguns aqui, neste debate, falaram sobre ética. A ética não é objetivo em si mesma, o objetivo é o Brasil, o interesse nacional. A ética é meio não fim. É obrigação de todos nós, é responsabilidade de todos nós e dever deste Senado Federal", enfatizou o candidato peemedebista."

Taques reconhece a derrota

O senador Pedro Taques (PDT-MT) subiu à tribuna do plenário da Casa com a certeza de que será derrotado na eleição para a Presidência do Senado. "Sei que a nossa derrota é certeira, transparente, inevitável, aritmética", afirmou no início da tarde desta sexta-feira. No discurso, citou figuras históricas, como Tiradentes, para afirmar o orgulho que sente por sua "corajosa" candidatura. "Tantas vezes é entre os derrotados, os que não conseguiram, que o espírito humano ressurge."

Taques defendeu uma nova forma de fazer política, sem se espelhar no passado. "Chega de Senado perdigueiro, do Senado sabujo. Somos senadores da República, não leva e traz do Executivo. Anticandidato-me à Presidência desta casa para combater o mal vezo do Poder Executivo de despejar suas medidas provisórias, ainda que fora de situações de urgência e relevância, em continuado desprestígio de nossas prerrogativas legislativas."

O senador citou os partidos que lhe declararam apoio, bem como as assinaturas de uma petição online contra a candidatura do adversário, Renan Calheiros. "Essa não é mais a candidatura de Pedro Taques, e sim do PDT, do PSOL, do PSB, do DEM, do PSDB e de corajosos senadores de outras legendas, que não se submetem. Essa é a candidatura daqueles que nunca tiveram voz nesta Casa, é dos mais de 300 mil brasileiros que assinaram a petição online "Ficha Limpa no Senado, Renan não".

Ele destacou algumas de suas intenções como presidente, questionando o comportamento de Renan Calheiros, a quem se dirige, a todo momento, como "vencedor". "Eu, anunciado perdedor, comprometo-me diante dos meus pares contra medidas provisórias. Será que o anunciado vencedor poderá fazer idêntica promessa? Vou criar uma agenda pública e transparente. Como farão os vencedores?", questionou.

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Fonte: AE






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