 Renan Calheiros comandará o Senado pelos próximos dois anos Crédito: André Borges / Folhapress / CP
|
Renan Calheiros comandará o Senado pelos próximos dois anos
Crédito: André Borges / Folhapress / CP
|
O senador Renan Calheiro (PMDB-AL) foi eleito nesta sexta como presidente do Senado pelos próximos dois anos. O parlamentar teve 56 votos contra 18 de Pedro Taques (PDT-MT). Dois parlamentares votaram nulo e dois em branco. Faltaram à votaçãoHumberto Costa (PT-PE), Luiz Henrique (PMDB-SC) e João Ribeiro (PR-TO). A eleição ocorreu no mesmo dia em que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, confirmou ter denunciado Calheiros no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de falsidade ideológica, uso de documentos falsos e peculato. A íntegra da denúncia, publicada pela revista Época, será analisada pelo STF em data ainda não prevista. Se aceita, Calheiros passará da condição de investigado para a de réu.
A investigação foi aberta depois do surgimento de suspeitas de que o senador tinha despesas pessoais pagas por um empresário. Para justificar o dinheiro usado, por exemplo, para o pagamento de pensão a uma filha que teve fora do casamento, ele apresentou documentos que, segundo o procurador, são falsos.
Em discurso após a eleição, Calheiros ignorou novamente as denúncias que pesam sobre ele, assim como havia feito anteriormente nessa sexta. “As palavras são escassas e a retórica insuficiente para a gratidão aos senadores”, disse. O parlamentar agradeceu a confiança de seus pares que, segundo ele, “só potencializa o ânimo, a determinação e a vontade de acertar”.
Calheiros elogiou ainda o seu antecessor José Sarney (PMDB-AP), a quem chamou de “visionário” e “intelectual irrequieto”. O novo presidente da Casa defendeu a modernização do Senado e disse que o parlamento precisa de abrir ainda mais para a sociedade.
Mais cedo, Calhieros apresentou algumas de suas propostas para os dois anos de mandato e pediu votos. E destacou quatro eixos em que pretende trabalhar durante seu mandato: aprofundamento e continuidade das reformas e modernização da Casa; criação da Secretaria de Transparência; definição de prioridades legislativas; e compromisso do parlamento com a democracia e a liberdade de expressão.
O retorno
Calheiros retorna ao comando da Casa cinco anos após renunciar ao cargo para não ser cassado e uma semana após o procurador-geral da República tê-lo denunciado por peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e uso de notas fiscais falsas ao STF.
O site da Revista Época publicou nesta sexta-feira a íntegra da denúncia sigilosa oferecida por Gurgel contra Renan na semana passada. O procurador-geral sustenta que o peemedebista não tinha patrimônio suficiente para justificar os gastos com despesas pessoais decorrentes de um relacionamento extraconjugal. Na época do escândalo, em 2007, Renan foi acusado de ter esses gastos bancados por lobista de uma empreiteira.
Questionado antes da eleição pela reportagem, o ex-líder do PMDB não quis comentar sobre divulgação do conteúdo da denúncia criminal. "Estou confiante, não vi a reportagem", afirmou. Em 2007, o parlamentar apresentou notas fiscais para comprovar que o dinheiro obtido com venda de gado bancou os gastos extraconjugais. A Procuradoria-Geral da República considerou, no entanto, que as notas eram "frias".
Na época do escândalo, o peemedebista acabou absolvido no plenário do Senado de dois processos de quebra de decoro. Foram essas acusações que o levaram a abdicar da Presidência da Casa.
Fonte: Correio do Povo
|