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  • 17/02/2013
  • 08:31
  • Atualização: 08:48

Obras da Copa em Porto Alegre "aprisionam" motoristas

Com a volta à rotina amanhã, trânsito na Capital deve ficar ainda mais lento

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  • Roberto Tavares / Correio do Povo

Diz a sabedoria popular que no Brasil o ano começa depois do Carnaval. Mas como a festa popular caiu na primeira metade de fevereiro, 2013 só vai começar mesmo a partir desta segunda-feira. Analisando a situação, o presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, afirma que a população de Porto Alegre vai encontrar um trânsito mais lento devido às obras da Copa do Mundo. As maiores dificuldades estarão justamente nas principais artérias da Capital, onde estão sendo realizadas obras nos corredores de ônibus. Por isto, Cappellari recomenda que "os motoristas saiam mais cedo de casa".

Mesmo prevendo uma mobilidade mais lenta na cidade, Cappellari avalia que os pontos mais difíceis já foram resolvidos. Ele se refere às obras na Anita Garibaldi e no cruzamento da Bento Gonçalves com a Aparício Borges. "Nestes locais, as modificações já foram assimiladas, e os motoristas já encontraram rotas alternativas", diz, contrariando usuários das vias que se queixam de ter ficado "trancados" - especialmente os que se deslocam da zona Norte para a zona Sul pela Carlos Gomes e Salvador França. "A Perimetral, que ligava o aeroporto até a zona Sul pela Salvador França e Aparício Borges, deixou de cumprir seu papel", se queixa Arnildo Cunha Píres, que mora na Plínio Brasil Milano e precisa, diariamente, ir até a Aparício Borges, pouco depois da Academia de Polícia Militar. "Chegar ali é um quebra-cabeça", afirma, ao ressaltar que o desvio feito no local mostra que "Porto Alegre não tem mais engenharia de trânsito".

Entre as obras que deverão aumentar ainda mais os congestionamentos, figuram a Voluntários da Pátria - bloqueada para duplicação -, exigindo utilização maior da Farrapos e da Castelo Branco. Na entrada da cidade, o desvio da avenida Ceará - que foi imposto para permitir a construção de mais uma trincheira junto ao viaduto Leonel Brizola - é uma das obras que deverá contribuir para congestionamentos. Da mesma forma, mudanças nos corredores de ônibus - em andamento na Bento Gonçalves, João Pessoa e Protásio Alves - são gargalos que o motorista vai ter que enfrentar.

Engenheiro critica intervenções com cunho político

O engenheiro e professor aposentado de Engenharia de Trânsito Mauri Panitz não tem meias-palavras para condenar o conjunto de obras viárias que estão sendo realizadas em Porto Alegre. Para o especialista, que atualmente faz consultoria em questões de trânsito, algumas obras até vão ajudar a melhorar a fluidez, mas a maior parte delas simplesmente "é para jogar dinheiro fora". O alvo maior da crítica é com a trincheira, uma travessia subterrânea que está em execução na Anita Garibaldi. "Nada tem a ver com as obras da Copa, e está sendo feita simplesmente por fazer", observa.

Panitz afirma que o maior problema envolve as intervenções "com cunho político e não técnico". "Quem decide as obras que devem ser realizadas não tem atribuições legais para isto", afirma. Ele lembra que se fossem reduzidas as vagas de estacionamentos em vias públicas, 40% dos problemas de fluidez seriam resolvidos. "Para cada faixa destinada para estacionamento, deixam de circular 2 mil veículos por hora", projeta.

O engenheiro ressalta que o estacionamento nas laterais acaba por diminuir a fluidez das pistas de rolamento, pois a cada instante uma porta de um veículo se abre e um carro chega ou sai da vaga. "Em nenhum país do mundo é permitido estacionar em vias como radiais e perimetrais. Em Porto Alegre, o estacionamento é permitido dos dois lados", compara. Outro grande problema envolve as vias de mão única. Este sistema foi criado como uma solução local, mas virou regra e hoje pistas que poderiam abrigar duas mãos tem sentido único. "Com isto, veículos são obrigados a ingressar em pistas já congestionadas dificultando ainda mais a fluidez. Uma prova disso é a rua Cândido Silveira, onde resido. Faço voltas para chegar em casa, uma pequena distância de 50 metros", diz.

Atenção para os novos modais

Outras questões do sistema de transporte em Porto Alegre envolvem a conclusão da revitalização das faixas de segurança e da sinalização junto a escolas. Conforme o presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, 80% dos reparos já estão concluídos. Ainda em relação às atividades previstas, a EPTC deverá concluir também a fiscalização junto à frota de transporte escolar, que conta com 619 veículos, sendo 46 kombis, com idade média de 5,67 anos, 569 micro-ônibus, com idade média de 7,75 anos, e quatro ônibus, com idade média de 8,5 anos. A idade média geral da frota é de 7,6 anos.

Da frota total, 123 veículos contam com ar-condicionado. Estão cadastradas na EPTC 868 escolas e 15.616 estudantes. Embora a relação entre usuários e prestadores de serviços praticamente se renove a cada ano, Cappellari sugere aos pais, principalmente aos que estão entrando no sistema, que não deixem para a última hora a contratação do serviço, e oferece o telefone 118 da EPTC para esclarecer dúvidas e dar informações sobre prestadores de serviços.

Outra obra que a EPTC vem acompanhando é a do terminal hidroviário do BarraShoppingSul. Para concluir aquele terminal falta colocar a cabine de venda de passagens e receber da Delegacia da Capitania dos Portos a licença do operação.

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