 Agentes da Delegacia do Consumidor impediram retirada de móveis Crédito: Vinícius Roratto
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Agentes da Delegacia do Consumidor impediram retirada de móveis
Crédito: Vinícius Roratto
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Agentes da Delegacia do Consumidor (Decon) impediram na manhã desta quinta-feira a retirada de móveis da loja Portiere que fica na avenida Cristóvão Colombo no bairro Floresta, em Porto Alegre. O titular da Decon, delegado Fernando Soares, foi pessoalmente ao local após receber denúncias de que o mobiliário estava sendo carregado em caminhões desde o amanhecer. Um inquérito foi instaurado pela delegacia para investigar uma suposta fraude cometida pela empresa de móveis sob medida.
Em contato com um dos sócios da empresa, o delegado foi informado que o dono do prédio entrou com uma ação de despejo e deu prazo até a segunda-feira para a desocupação. Os móveis estariam sendo levados para a fábrica da Portiere em Alvorada, o que deve ser apurado pela polícia. Mesmo assim, Soares determinou a suspensão da retirada até a manhã desta sexta-feira, quando o sócio contatado vai se apresentar e prestar depoimento na delegacia. “Aqui na loja praticamente não existe mais nada de valor, exceto algumas divisórias, pouquíssimos móveis e documentos antigos”, constatou o delegado.
Sonhos desfeitos
Duas vítimas do fechamento da Portieri foram à loja da avenida Cristóvão Colombo durante a ação da Delegacia do Consumidor na manhã desta quinta-feira. “Não roubaram meu dinheiro, roubaram meus sonhos”, desabafou o advogado Eduardo Winter, de 33 anos, que havia desembolsado R$ 65 mil em parcelas para mobiliar seu apartamento novo.
Um pouco cético em relação a reaver o dinheiro pago, ele contou que, às véspera do fechamento da loja, conversou com um dos sócios da empresa sobre o atraso na entrega dos móveis, prevista para 28 de fevereiro. “Ele afirmou com a maior tranquilidade que os móveis seriam entregues e o atraso era um problema passageiro”, recordou. Indignado, o advogado disse que, mesmo diante do iminente fechamento, a Portiere continuou recebendo dinheiro e cheques dos clientes. “Como consumidor sinto-me lesado e enganado. Isto não pode ficar assim”, reclamou, acrescentando que vai avaliar uma provável ação judicial contra a empresa.
Outra cliente desesperada era Mariana Martins de Souza, de 27 anos, que perdeu R$ 28 mil. Ela comprou um apartamento de uma construtora que indicou a Portiere. “Nem pesquisei outras lojas, pois confiei na parceira entre elas”, relembrou, lamentando que está agora com o imóvel vazio. Recentemente, ela chegou a fazer um outro projeto, no valor de R$ 2,5 mil.
Filiais fechadas
A Portiere tinha duas lojas em Porto Alegre – na Cristóvão Colombo e na Nilo Peçanha – além de filiais em Curitiba (PR) e em Fortaleza (CE). Os estabelecimentos foram fechados e há suspeita de fraude que pode chegar a R$ 1,3 milhão. Segundo o delegado Fernando Soares, 45 queixas já foram registradas na Decon contra a empresa, mas não estão incluídas as ocorrências de outras cidades, o que deve elevar o número de vítimas.
Sobre o inquérito, o delegado explicou que a atuação da Decon é na esfera criminal para “apurar e ver se realmente houve dolo ao fechar as lojas e prejudicar os clientes”. Já a esfera cível e comercial fica com o Poder Judiciário. Ele orientou que os clientes registrem queixa nas delegacias de suas cidades e procurem a Justiça para “resguardarem seus direitos”.
Na quarta-feira, uma outra sócia havia prestado depoimento e confirmado as dificuldades financeiras, evidenciada pelos atrasos no pagamentos de aluguel do prédio, dos fornecedores e de impostos.
Ouça o áudio: Delegado Soares foi pessoalmente ao local
Fonte: Correio do Povo
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