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Fachada da boate ficou tomada por fotos e lembranças das vítimas
Crédito: Mauro Schaefer
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No dia em que a Polícia Civil entregará o inquérito sobre o incêndio na boate Kiss em Santa Maria, que deixou 241 mortos, o sentimento ainda é de dor, mas sobreviventes, familiares e amigos das vítimas começam a vislumbrar um novo futuro pela frente. “Estamos iniciando uma nova etapa em nossas vidas depois da entrega desse inquérito. Esperamos que os que erraram sejam punidos”, sintetizou o presidente da Associação de Familiares e Vítimas da Tragédia de Santa Maria, Adherbal Ferreira.
A direção da associação, sem fins lucrativos, se reuniu na manhã desta sexta-feira com o titular da Delegacia de Polícia Regional de Santa Maria, delegado Marcelo Arigony. Ele apresentou ao grupo detalhes sobre a investigação policial que apurou as causas da tragédia da madrugada do dia 27 de janeiro. "Acho que os familiares vão ficar satisfeitos com o resultado do inquérito", avaliou Adherbal Ferreria, salientando que confia "plenamente" no trabalho da polícia. "Queremos justiça, mas não vingança e tudo com serenidade, consciência e muita paz", ponderou.
A partir das 14h, o inquérito policial que deve apontar as causas e os responsáveis pelo incêndio na boate Kiss será entregue à Justiça. Na sequência, às 14h30min, ocorrerá uma entrevista coletiva no anfiteatro Flávio Miguel Scheneider, no campus universitário da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Durante o trabalho investigativo que durou 54 dias, os policiais civis ouviram mais de 700 pessoas. O inquérito é um documento com aproximadamente 10 mil páginas.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A tragédia deixou 241 pessoas mortas.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.
Com informações dos repórteres Renato Oliveira e Paulo Roberto Tavares
"Estamos iniciando uma nova etapa em nossas vidas", afirmou Adherbal Ferreira / Foto: Mauro Schaefer
Fonte: Correio do Povo
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