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14/12/2013 18:01 - Atualizado em 14/12/2013 18:09

Sonhos e desejos impossíveis são dedicados ao Papai Noel

Cartas enviadas à campanha de Natal dos Correios pedem saúde para familiar, emprego ou saída da prisão

Papai Noel se sensibiliza com mensagens<br /><b>Crédito: </b> Paulo Nunes
Papai Noel se sensibiliza com mensagens
Crédito: Paulo Nunes
Papai Noel se sensibiliza com mensagens
Crédito: Paulo Nunes

O sonho de Natal de algumas crianças nem sempre pode ser realizado, porque elas pedem de presente algo que não é palpável e não está à venda. Geralmente desejam “mágicas”, pedidos difíceis e até mesmo impossíveis de serem atendidos pelo Papai Noel. Dentre as milhares de cartas que chegam pelo projeto Papai Noel dos Correios, praticamente a metade não é encaminhada ao apadrinhamento porque solicita algo impossível: por exemplo, a solução de problemas de saúde de um ente querido, que um familiar consiga um emprego ou saia do hospital ou, ainda, da prisão, entre tantos outros que mostram que a realidade do mundo infantil no Brasil nem sempre reflete as cenas felizes dos anúncios publicitários das festas natalinas.

Segundo César Carneiro, coordenador do Papai Noel dos Correios, no ano passado, o programa, em Porto Alegre, recebeu 107 mil cartas, sendo que 45 mil foram selecionadas depois da triagem inicial. E, dessas, 35 mil foram adotadas.

“Além dos pedidos inviáveis, geralmente relacionados à saúde, muitas crianças pedem alimentos e até mesmo bichinhos de estimação, o que infelizmente não podemos atender.” Segundo Carneiro, a logística do sistema não permite que os Correios armazenem e tampouco transportem gêneros alimentícios. “Nos últimos anos, adotamos vários critérios, e milhares de cartinhas não passam na triagem”, informa.

Carneiro comenta que muitas cartinhas deixam a equipe de seleção sensibilizada, pois demonstram carência afetiva e trazem, ainda, desenhos que traduzem uma tristeza imensa. “Não é preciso ser especialista para perceber em alguns deles um pedido de socorro. Às vezes, as imagens falam mais que palavras.”

Conforme a psicóloga Caroline Martini Kraid Pereira, na infância, é comum utilizarmos alguns recursos para dar conta de dúvidas, medos e anseios. Ao utilizar-se da fantasia e imaginação que, dependendo da idade, pode confundir-se com a realidade, as crianças conseguem elaborar certos conflitos que são constituintes da subjetividade. “A necessidade das crianças de compreender e elaborar as questões humanas, as constantes dúvidas e perguntas, que, em muitas ocasiões, nós, adultos, nos esquivamos de escutar e perceber também fazem parte desse cenário.”

Como o Natal é uma época que, culturalmente, foi investia de uma aura de compreensão e tolerância, as crianças são estimuladas a escrever a alguém que, supostamente, fará essa escuta e compreenderá suas angústias, explica a psicóloga, aconselhando: “É fundamental que a família se aproxime das crianças, escute seus conflitos sem a preocupação primeira de responder, mas, principalmente, de dar oportunidade para a elaboração, que pode ser auxiliada por meio de suas escritas e desenhos”.

Iniciativa começou no Estado


Pouca gente sabe que o programa Papai Noel dos Correios é uma iniciativa porto-alegrense tão bem-sucedida que hoje é copiada no país inteiro. No Rio Grande do Sul, existe também nas cidades onde os agências têm infraestrutura adequada para entregar os presentes.
Tudo começou há 24 anos, na Agência Central, quando funcionários da base se uniram para atender aos pedidos de crianças que mandavam cartinhas para o Papai Noel. “É um projeto grandioso, não só porque envolve toda a empresa, que entrega 70 mil objetos a mais nessa época do ano, como também toda a sociedade”, diz o coordenador do projeto César Carneiro, informando que é um trabalho solidário de todo o quadro funcional, de ponta a ponta, sendo que 40 pessoas da área administrativa atuam diretamente na operação do sistema, tanto na seleção das cartas quanto no atendimento às pessoas que buscam as cartinhas, os padrinhos.

Além disso, há três Papais Noéis, também funcionários. Entre eles, Ricardo Dias Del Mauro, que espera ansiosamente esta época do ano. “Vou às escolas e creches e me dedico de corpo e alma a essa tarefa tão nobre que mostra o quanto as pessoas são solidárias, tanto dentro da empresa quanto para os que buscam as cartinhas. Tenho muito orgulho de fazer parte desse projeto”, diz ele, que assume a barba e a indumentária vermelha há dezenas de Natais. Quanto aos pedidos impossíveis, ele conta que uma criança lhe pediu uma capa de vinil para a mãe que trabalha na reciclagem de lixo e que o pai, internado no Hospital de Clínicas, fosse para casa no Natal. Quanto aos presentes à venda no comércio, ele garante: a maioria quer uma bicicleta.


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Fonte: Cláudia Moritz / Correio do Povo





» Tags:Natal Geral


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