Porto Alegre, quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

  • 03/01/2014
  • 15:16
  • Atualização: 15:24

Polícia tem suspeito pela morte de taxista em assalto a posto

Ladrão estava com o rosto coberto e poderia ser conhecido da vítima

Polícia tem suspeito pela morte de taxista em assalto a posto | Foto: André Ávila

Polícia tem suspeito pela morte de taxista em assalto a posto | Foto: André Ávila

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  • Correio do Povo

A Polícia já trabalha com um suspeito pela morte do taxista João da Silva Rodrigues, que ocorreu na manhã desta sexta-feira, durante assalto a um posto de combustíveis em Porto Alegre. O delegado Joel Wagner confirmou que o ladrão estava com o rosto coberto. A DP de Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) pretende verificar agora se o taxista foi morto apenas por negar dinheiro ou por outro motivo, como ser conhecido do assassino.

Além de ouvirem as testemunhas, os agentes do Deic examinam também as imagens das câmeras de monitoramento do posto de combustíveis e de ruas próximas. As primeiras diligências já foram realizadas ainda nesta manhã no local onde residiria o suspeito. O trabalho investigativo vai prosseguir neste final de semana.

Joel Wagner revelou ainda que já pediu a prisão do suspeito de ter baleado e ferido um outro taxista durante assalto, em dezembro, na avenida Salvador França, no bairro Jardim Botânico, na Capital.

A morte

Motorista do táxi Fiat Siena, prefixo 1362, João da Silva Rodrigues, de 61 anos, foi baleado no peito e no ombro no estacionamento de um posto de combustíveis na avenida Princesa Isabel, esquina com a rua Gomes Jardim, no bairro Santana, por volta das 6h. O autor dos disparos vestia um casaco escuro e tinha uma mochila nas costas, que havia primeiro assaltado o frentista.

Em seguida, ele foi até a vítima, que conversava com um colega. O bandido fugiu a pé na direção da rua Santana. No chão ficaram um boné e um óculos da vítima, além de marcas de sangue.

O colega da vítima, o motorista de um táxi Corsa, Marcelo Ferraz dos Santos, de 43 anos, acionou o Samu e a Brigada Militar. Ele lembrou que o posto de combustíveis é um tradicional ponto de encontro da categoria. “Ele veio me dar feliz Ano Novo quando eu estava limpando o meu carro. Houve o assalto no posto e o cara veio na nossa direção, pedindo dinheiro. O colega levantou as mãos e disse que não tinha dinheiro e levou dois tiros. Foi muito rápido”, recordou.

Marcelo Ferraz dos Santos acrescentou também que o colega foi até o local para buscar o táxi antes de começar a trabalhar. “Conheço ele há anos. Fica difícil trabalhar assim”, desabafou.

Sintáxi pede mais segurança para categoria

O presidente do Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi), Luiz Nozari, criticou duramente a falta de segurança pública, sobretudo em relação à categoria. Ele lamentou que até a sociedade já não se importa mais com a morte de taxistas, enxergando-a como “algo normal”. O dirigente cobrou providências enérgicas das autoridades policiais e afirmou que parlamentares e magistrados também precisam fazer sua parte através da mudança da atual legislação, visando torná-la mais rigorosa, e da manutenção dos criminosos por mais tempo prisões ao invés de soltá-los.

Para Nozari, os taxistas são os mais expostos à criminalidade e vistos como “caixas eletrônicos” pelos bandidos, sobretudo usuários de drogas em busca de dinheiro para manter o vício. “Não temos segurança para trabalhar”, enfatizou. O presidente do Sintáxi disse que uma saída para amenizar a situação é a adoção do pagamento da corrida com cartão, reduzindo a circulação de dinheiro dentro do táxi. No entanto, ele reclamou da dificuldade em levar a proposta adiante junto ao Banrisul.

Conforme levantamento do Sintáxi, o ano de 2013 terminou com cinco latrocínios e um homicídio na categoria. Em 2012 foram três mortes e 2011 ficou com duas.

BM defende resultado das operações

A Brigada Militar avalia como positivo o resultado das operações realizadas na cidade visando dar proteção aos taxistas e aos postos de combustíveis. Conforme o Comando de Policiamento da Capital (CPC) da BM, as operações Pré-Sal e Transporte Seguro são duas das ações nesse sentido. “A Brigada Militar tem feito operações sistemáticas. Todas elas estão em andamento e ocorrem diariamente. Temos a fiscalização periódica nas guarnições e tem a orientação para o monitoramento na madrugada. Diversas medidas preventivas foram adotadas. Infelizmente, tivemos esse caso”, declarou o tenente-coronel José Luiz Ribeiro Paz, ocupando temporariamente o subcomando do CPC.

O oficial descartou que o remanejamento de efetivo para a operação Golfinho nas praias tenha prejudicado a segurança na Capital. “Temos a nossa rotina diária em números que atendem a nossa demanda”, afirmou o oficial.

Devido à possibilidade de protestos dos taxistas, a Brigada Militar reforçou o policiamento no entorno da residência do governador Tarso Genro, no bairro Rio Branco, e também no Palácio Piratini, no Centro de Porto Alegre.

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