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19/01/2014 19:15 - Atualizado em 19/01/2014 22:23

Em apoio a São Paulo, jovens fazem “rolezinho” no Moinhos Shopping

Algumas lojas fecharam as portas durante a passagem do grupo

Grupo fez rolezinho no Moinhos neste domingo
Crédito: Ricardo Giusti

Dezenas de jovens fizeram um “rolezinho” neste domingo no Moinhos Shopping, em Porto Alegre, para demonstrar contrariedade à repressão policial a grupos frequentadores de centros comerciais em São Paulo nos últimos dias. Cantando funk, dançando e visitando lojas de roupas e sapatos, eles chamaram a atenção dos clientes e dos empresários, que chegaram a fechar alguns estabelecimentos.

“Temos que ocupar os espaços. Na periferia, não tem muitos locais de lazer. O shopping tem comida e produtos para consumir”, explicou uma das integrantes da manifestação – que ocorreu pacificamente – Carine Lemos, estudante de Pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Antes de iniciar o passeio, os organizadores se reuniram com a Brigada Militar, com representantes do shopping e com um oficial de Justiça, que levou um mandado de citação e intimação, responsabilizando os manifestantes por qualquer avaria no comércio. “Caso haja algum prejuízo, teremos que responder judicialmente e pagar R$ 150 mil”, disse o analistade sistemas, Fábio Fleck, que organizou o “rolezinho” pela internet.

A segurança foi reforçada e, em todos os corredores, havia alguém vigiando. Segundo a assessoria de imprensa do Moinhos, a diretoria não tentou impedir a manifestação através do pedido de liminar e, sim, garantir a integridade do patrimônio. Algumas lojas de joias e de óculos estavam fechadas, com um aviso indicando que estavam fazendo balanço. O shopping informou que, aos domingos, o funcionamento é opcional das 14h às 19h. A dona de um estabelecimento de produtos naturais, Vanessa Duarte, por outro lado, disse que nem pensou em trancar as portas. “Foi tudo bem conversado entre a direção e os organizadores. Estávamos tranquilos”, explicou.

Conselho Tutelar denuncia racismo

Além da empresa privada de segurança, o 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) acompanhou o protesto do lado de fora. A comissão de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também presenciou o ato, para avaliar se ocorresse algum incidente. 

O Conselho Tutelar da Região Centro de Porto Alegre esteve no local, porém para garantir que os adolescentes pudessem circular pela região. “Houve manifestações de racismo e preconceito contra eles, o que é lamentável”, informou o conselheiro Cristiano Aristimunha Pinto, relatando que o órgão havia recebido ligações de moradores dos bairros Moinhos de Vento e Mont Serrat, demonstrado preocupação e chamando os participantes de manifestações como o “rolezinho” de marginais.

Em uma das lojas em que o grupo entrou, as vendedoras fecharam a porta de vidro. Uma das clientes do shopping, a dentista Denise Cavagnolli, 41 anos, ficou boquiaberta ao ver a movimentação. “Isso é um reflexo da revolta. Se investe tanto na Copa do Mundo, enquanto pessoas morrem esperando por saúde. Está dentro de todo um contexto”, lamentou.

“Temos que democratizar os acesos”, defendeu Álvaro Lottermann, da União da Juventude Socialista. “Vamos fazer mais 'rolezinhos' em Porto Alegre e em todo o país”, declarou a estudante Tatielly Pinto, 20 anos.

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Fonte: Karina Reif / Correio do Povo







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