Porto Alegre, terça-feira, 23 de Dezembro de 2014

  • 31/01/2014
  • 19:14
  • Atualização: 20:43

Rodoviários decidem manter a greve geral em Porto Alegre

Acordo firmado com o TRT na quinta-feira seguirá sem ser respeitado

Decisão foi tomada em assembleia realizada na tarde desta sexta-feira, no ginásio Tesourinha | Foto: Mauro Shaefer / CP

Decisão foi tomada em assembleia realizada na tarde desta sexta-feira, no ginásio Tesourinha | Foto: Mauro Shaefer / CP

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  • Correio do Povo

Os rodoviários de Porto Alegre decidiram manter a greve geral dos ônibus. A decisão foi tomada em assembleia realizada na tarde desta sexta-feira, no ginásio Tesourinha. A categoria decidiu que não irá respeitar o acordo firmado no Tribunal Regional do Trabalho ontem, que estipulava 50% da frota em circulação e uma espécie de "trégua" de 12 dias, a contar deste sábado.

Com a medida, Porto Alegre segue sem transporte coletivo nas ruas.

Histórico da greve que começou na segunda-feira
Apenas 436 ônibus urbanos, da frota de 1.453, vão circulam a partir da meia-noite, em Porto Alegre. Os rodoviários, cumprindo com o início da greve, prometeram colocar 30% dos veículos para atendimento ao público. Em reunião entre a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Brigada Militar e as companhias de transporte, sábado, ficou definido que as linhas de maior percurso estarão em funcionamento. Ficou acertado que a Carris terá 100 carros na rua. O Consórcio STS vai disponibilizar 125, enquanto a Unibus terá 95 e a Conorte, 116. Não haverá atendimento dentro dos bairros.

TRT determina 70% da frota
O Tribunal Regional do Trabalho determinou que os rodoviários coloquem 70% da frota nas ruas a partir das 17h da última terça nos horários de pico. Apenas 30% dos ônibus da Capital vinham sendo usados por conta da greve da categoria. Em pedido liminar, o município havia reivindicado declaração de abusividade da greve, com o retorno imediato dos trabalhadores às suas funções para garantir garantir a circulação de 100% da frota, sob pena de multa diária em caso de descumprimento.

Paralisação geral
O Sindicato dos Rodoviários decidiu pela paralisação geral dos ônibus em Porto Alegre, descumprindo a ordem judicial para que 70% da frota estivesse na rua em horários de pico. A decisão ocorreu após reunião no Tribunal Regional do Trabalho que envolveu EPTC, prefeitura, empresas e representantes da categoria e passa a valer imediatamente.

“Ficamos insatisfeitos com a reunião e a tentativa de mediação do TRT. Consideramos um abuso a determinação de 70% da frota, porque tira o sentido da nossa greve”, afirmou o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Júlio Gamaliel. “A partir de agora vamos recolher todos os ônibus e vai ser zero de frota”, completou ele, em entrevista no fim da tarde. A paralisação total continua amanhã e não há previsão para terminar.

O prefeito José Fortunati descarta aumentar o preço das passagens de ônibus em Porto Alegre para acabar com a greve dos rodoviários. Desde segunda-feira, apenas 30% da frota está circulando na Capital. "Não me compete questionar a greve. Infelizmente, as declarações dadas são no sentido de que o acordo só iria ocorrer se fosse aumentado o preço das passagens. Eu não farei isso”, declarou em entrevista coletiva nesta manhã.

Trânsito complicado
A greve dos ônibus gera transtornos no trânsito da Capital para os usuários do transporte coletivo e também aos motoristas. Sem coletivos, é maior o número de carros nas ruas. Com isso, algumas das principais avenidas de Porto Alegre tiveram congestionamentos durante a manhã desta terça-feira. Pontos na Protásio Alves, Carlos Gomes, Assis Brasil e Oswaldo Aranha foram os mais afetados.


Ilegalidade da greve
O Sindicato das Empresas de Ônibus (Seopa) de Porto Alegre emitiu comunicado no início da tarde informando que entrará ainda nesta quarta-feira com uma ação de declaração de abusividade e ilegalidade da greve dos rodoviários. O motivo é o descumprimento por parte da categoria da determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de circulação de 70% da frota nos horários de pico.

Acordo fechado, mas rodoviários descumprem
A greve dos rodoviários poderá ter uma trégua de 10 dias a partir da próxima segunda-feira, dia 3. Em reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na tarde desta quinta, os representantes da categoria aceitaram a voltar com 100% da frota dos ônibus desde que a ação de ilegalidade da paralisação fosse retirada da Justiça.

A proposta será analisada em uma assembleia dos rodoviários maracada para as 17h de amanhã. Nesta sexta, os trabalhadores devem voltar ao expediente com 50% da frota. A trégua da greve vai contar partir de segunda, quando a negociação salarial voltará a ocorrer entre rodoviários e empresas.

Muitos dos rodoviários, porém, não aceitam o indicativo de trégua e deixaram a sede do TRT gritando que não cumpririram o acordo. Parte dos trabalhadores de companhias prometeram armar barricadas para evitar que ônibus das empresas Total, Nortran, Trevo, Tinga, Navegantes e VTC saiam das garagens. Em meio aos manifestantes, diversas bandeiras de partidos políticos como PSTU, PSol e PT eram agitadas.

De acordo com Alceu Weber, da comissão de negociação, cerca de 20% dos ônibus de Porto Alegre circulam nesta quinta-feira.

Prefeitura pede ajuda
Após os rodoviários não terem cumprido o acordo no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de colocar pelo menos 50% da frota de ônibus nas ruas de Porto Alegre nesta sexta-feira, o prefeito José Fortunati cogita pedir ajuda da Força Nacional de Segurança para garantir a circulação dos coletivos em Porto Alegre. O chefe do Executivo da Capital voltou a reclamar da falta de apoio da Brigada Militar (BM) para permitir que os veículos saiam das garagens das empresas.

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