Porto Alegre, domingo, 23 de Novembro de 2014

  • 14/02/2014
  • 23:11
  • Atualização: 23:19

MPF garante convicção de culpa de três réus de acidente da TAM

Procurador afirma que vai pedir penas muito altas por tragédia que matou 199 pessoas

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  • Agência Brasil

O procurador da República, Rodrigo De Grandis, afirmou nesta sexta-feira que, após o interrogatório dos três réus indiciados como responsáveis pelo acidente do voo da TAM JJ 3054, em 1997, o Ministério Público Federal (MPF) tem convicção da responsabilidade dos acusados. De acordo com ele, o MPF pedirá penas “extremamente altas”, superiores às habituais.

“O Ministério Público Federal tem convicção de que os réus têm responsabilidade penal. Na verdade os interrogatórios só confirmaram as provas”, relatou após o interrogatório. Foram ouvidos pela 8ª Vara Criminal Federal em São Paulo a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu; o vice-presidente de Operações da TAM, Alberto Fajermann; e o diretor de Segurança de Voo da TAM, Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro. Os três são acusados pelo crime de atentado à segurança do transporte aéreo e podem pegar pena de até 12 anos.

“Houve uma culpa extremamente grave. Portanto, a pena deve ser colocada em um patamar superior àquele que normalmente acontece”, disse De Grandis. O procurador ressalvou, no entanto, que os réus, se condenados, poderão não cumprir pena em regime fechado. “Infelizmente, a lei não proporciona regime fechado porque é crime de natureza culposa. Mas a fixação do regime é uma matéria que o juiz vai decidir no caso concreto. O MPF vai verificar ainda qual será uma pena razoável”, disse.

No acidente, ocorrido no dia 17 de julho de 2007, morreram 199 pessoas. Um avião proveniente de Porto Alegre, chocou-se contra o prédio da TAM Express, ao lado do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, por não ter conseguido parar na pista ao pousar. Além dos passageiros e da equipe de bordo, morreram pessoas que estavam em terra.

“Chamou a atenção especialmente o depoimento da acusada Denise Abreu que contrariou toda prova produzida, inclusive depoimentos que foram tomados aqui na frente do juiz. Um dos depoimentos que ela contrariou, que ela disse que era inverídico, é de uma desembargadora federal [Cecília Marcondes] que, na frente do magistrado, sustentou que a Denise Abreu defendeu a aplicação de uma norma que, na verdade, não existia”, comentou De Grandis.

Denise Abreu e seu advogado não quiseram falar com a imprensa após o interrogatório. Antonio Cláudio Mariz, advogado do vice-presidente de Operações da TAM, Alberto Fajermann, e do diretor de Segurança de Voo da TAM, Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro, disse que seus clientes convenceram nos depoimentos que são inocentes.

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