Porto Alegre, sábado, 20 de Dezembro de 2014

  • 04/03/2014
  • 09:38
  • Atualização: 09:49

Putin ordena retorno às bases de tropas que participavam de manobras

Rússia reduzirá a zero dependência econômica dos EUA em caso de sanções

Putin concedeu entrevista na sua residência de campo | Foto: Alexey Nikolsky Ria Novosti / AFP / CP

Putin concedeu entrevista na sua residência de campo | Foto: Alexey Nikolsky Ria Novosti / AFP / CP

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  • AFP

O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou o retorno as suas bases das tropas russas que participavam de manobras desde a semana passada, anunciou nesta terça-feira o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov. "O comandante-em-chefe das forças armadas russas, o presidente russo Vladimir Putin, deu a ordem do retorno as suas bases das tropas e unidades que participavam de exercícios militares", declarou Peskov, citado pelas agências rusas.

• Presidente russo diz que não é necessário enviar tropas à Ucrânia

Putin ordenou as manobras na última quarta-feira com o objetivo de comprovar a aptidão para o combate das tropas dos distritos militares do Oeste - um amplo território na fronteira com Ucrânia, Belarus, Estados Bálticos, Finlândia e Ártico - e do Centro. Os exercícios estavam planejados até 3 de março e mobilizavam 150 mil soldados.

O ministro russo da Defesa, Serguei Shoigu, informou que a operação "não estava relacionada aos acontecimentos na Ucrânia". Não estava previsto que as manobras ocorressem fora das fronteiras russas, como na Crimeia, uma república autônoma da Ucrânia que constitui o centro da escalada de tensão entre Moscou e as novas autoridades de Kiev desde a destituição do presidente ucraniano Viktor Yanukovytch.

Desde o retorno de Putin ao Kremlin, em 2012, ocorreram vários exercícios deste tipo. O último foi realizado em julho passado e envolveu as tropas do Extremo Oriente russo.

Rússia reduzirá a zero dependência econômica dos EUA em caso de sanções

A Rússia reduzirá a zero a dependência econômica dos Estados Unidos se Washington impuser sanções pela situação na Ucrânia e isto provocará um "crack" do sistema financeiro americano, advertiu nesta terça-feira Serguei Glazieev, um assessor do Kremlin.

No entanto, uma fonte do Kremlin afirmou pouco depois à agência pública Ria Novosti que Glaziev havia expressado sua opinião pessoal e que esta não era a posição oficial do Kremlin. "Encontraremos a maneira não apenas de reduzir nossa dependência financeira dos Estados Unidos, mas nos beneficiaremos muito destas sanções", declarou Glaziev à agência pública Ria Novosti.

"As tentativas de aplicar sanções à Rússia provocarão um 'crack' do sistema financeiro americano e o fim do domínio dos Estados Unidos no sistema financeiro mundial", acrescentou. "Seremos obrigados a utilizar outras divisas, a criar nosso próprio sistema de pagamento. Temos relações econômicas e comerciais maravilhosas com nossos sócios no leste e no sul", explicou.

"Se forem adotadas sanções contra as estruturas estatais, seremos obrigados a reconhecer nossa incapacidade para reembolsar os créditos concedidos às estruturas russas pelos bancos americanos", advertiu. "Porque as sanções são uma faca de dois gumes, e se os Estados Unidos congelarem nossos ativos, então também fica congelado o passivo em dólares de nossas organizações. Isso significa que nossos bancos e nossas empresas não poderão reembolsar os empréstimos a nossos sócios americanos", acrescentou.

Os Estados Unidos suspenderam na segunda-feira sua cooperação militar com a Rússia para protestar contra a intervenção das tropas russas que cercam os soldados ucranianos nos quarteis da Crimeia. Antes, a Casa Branca havia ameaçado a Rússia com sanções diplomáticas e econômicas.

O secretário americano de Estado, John Kerry, chegará nesta terça-feira a Kiev para fornecer seu apoio às novas autoridades ucranianas.

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