Porto Alegre, domingo, 26 de Outubro de 2014

  • 05/03/2014
  • 12:08
  • Atualização: 12:31

Vereadores de Porto Alegre votam hoje ampliação do Hospital de Clínicas

Votação será polêmica porque envolve um prédio histórico e questões ambientais

Votação será polêmica porque envolve um prédio histórico e questões ambientais | Foto: Tiago Medina / Especial / CP

Votação será polêmica porque envolve um prédio histórico e questões ambientais | Foto: Tiago Medina / Especial / CP

  • Comentários
  • Rodrigo Celente / Correio do Povo

A melhora no atendimento de milhares de pessoas que circulam e chegam diariamente ao maior hospital universitário do Estado - Hospital de Clínicas - será decidida nesta quarta-feira, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Protocolado em caráter de urgência, o projeto de lei complementar que permite que a reforma de ampliação da instituição ocorra junto ao prédio principal do complexo, alvo de polêmica, será votado nesta tarde. A partir da autorização dos vereadores, a obra deverá estar concluída em três anos e meio e ampliará a capacidade de atendimento em 70%.

Desde 2012, uma série de polêmicas envolvendo o patrimônio histórico e ambientalistas impede o início das obras de ampliação do complexo. No centro da discussão, a fachada modernista do prédio. A diretora da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (EPACH) da Secretaria Municipal de Cultura, Débora da Costa, conta que o estilo modernista do edifício, construído em 1942, colocou-o no patamar de inventariado, conforme a Lei 601/2008, e por isso, sua estrutura e entorno não pode ser modificado. A diretora do EPAHC diz ter repassado ao Clínicas em janeiro de 2012 as diretrizes para que o projeto fosse aprovado: construir a nova emergência nos fundos do prédio atual, não mexendo assim na fachada.

O engenheiro responsável pelo Hospital de Clínicas, Fernando Martins, afirma que após vários estudos, ficou comprovado que não existe outro espaço no terreno que comporte o tamanho da ampliação. Ele diz ainda que se a nova emergência fosse instalada nos fundos do hospital, o acesso de ambulâncias e a operação do hospital ficariam prejudicados. Fernando garante que os arquitetos que desenvolveram o projeto também se preocuparam em manter a linguagem arquitetônica do prédio atual.

Débora faz questão de dizer que é favorável à reforma, desde que dentro das diretrizes legais. “O EPACH é a favor da reforma, trata-se, afinal de um hospital importantíssimo não só para a cidade, mas para o Estado e o Brasil, mas é preciso cumprir com certas diretrizes”, que até o momento não foram cumpridas. Por isso, caberá à Câmara a decisão de aprovar ou não o projeto, pois uma alteração na lei, considerando que se trata de um caso de utilidade pública, de cunho social, permite que o projeto seja aprovado integralmente”.

Ela lembra ainda que o projeto de reforma do Hospital de Clínicas antes de chegar até ao EPACH, passou pela Comissão de Análise Urbanística e Gerenciamento (CAUGE) da prefeitura, que reúne todas as secretarias envolvidas e arquitetos e engenheiros e que a reforma foi indeferida antes mesmo do parecer do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico Cultural (COMPACH), vinculado ao EPACH, que também acabou não autorizando a obra. Indeferimento pelo descumprimento, segundo a diretora, de leis do município: inventários e Plano Diretor.

Outro ponto questionado pelo EPACH, o descumprimento da Lei do Plano Diretor estabelece que o local tivesse 4.145 vagas de estacionamento para atender a todo o complexo, mas a instituição se propôs a fazer apenas 2.296. O engenheiro responsável argumenta que a reforma prevê a construção de dois estacionamentos de subsolo para 722 vagas e que dessa forma, liberaria a área externa para circulação das pessoas.

A mais nova batalha envolvendo a reforma do HC diz respeito ao corte de 240 árvores previstas no projeto para a construção dos dois anexos, como explica Fernando Martins: “Sim, o projeto prevê o corte de 240 árvores de um total de 600, mas cabe lembrar que muitas das árvores são na verdade arbustos, e por isso, da forma extremista como foi colocado (corte) não corresponde à verdade. Para essa operação, obtivemos laudo de cobertura vegetal, fizemos um trabalho técnico, conversamos com biólogos.”

O corte é contestado pela Associação Gaúcha de Proteção ao Meio Ambiente (Agapan) e Instituto Ingá de Estudos Ambientais. O professor da UFRGS e ambientalista Paulo Brack argumentou que não foram apresentadas alternativas ao corte da vegetação que cumpre importante função para a recuperação de pacientes e para manutenção do conforto térmico do bairro. “É importante verificar se existe algum outro prédio que pode ser utilizado para realizar a ampliação sem a necessidade de derrubar tantas árvores. Muitas já foram cortadas nos últimos anos na região. O problema é que não nos apresentaram nenhuma alternativa, mesmo que solicitadas ao poder público”, sustentou.

Fernando ressalta ainda que a área a ser reformada não é um bosque, e sim árvores plantadas, muitas, segundo ele, sem nenhum critério ambiental. “O projeto que vem sendo trabalhado há quatro anos prevê a manutenção da mancha verde entre a Protásio Alves e a Ramiro Barcelos, e, além disso, envolve um trabalho de paisagismo para que as pessoas possam usufruir daquele local”, conclui.

O engenheiro espera que a Câmara aprove o projeto, pois segundo ele, trata-se de “legitimar a vontade da população por mais saúde” e faz um alerta: caso a obra não comece em 2014, a verba destinada para a reforma, R$ 408 milhões obtidos junto ao Ministério da Educação, já que o Clínicas é um hospital universitário, terá que ser devolvida.

Se aprovada a ampliação, o setor de Emergência passará de 1700 para 5.159 mil metros quadrados, triplicando sua capacidade e o Centro de Tratamento Intensivo (CTI) aumentaria de 54 para 110 leitos; o bloco cirúrgico de 28 para 41 salas. O local destinado para recuperação pós anestesia passaria a contar com 90 leitos mais 60 poltronas. Hoje, são apenas 22 leitos.

Bookmark and Share


TAGS » Porto Alegre, Geral