Porto Alegre, terça-feira, 21 de Outubro de 2014

  • 12/03/2014
  • 15:20
  • Atualização: 15:29

Câmara chama nove ministros a prestar esclarecimentos

Presidente da Petrobras, Graça Foster, também foi convidada a falar sobre denúncias de corrupção

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  • AE e Agência Brasil

Pelo menos quatro ministros do governo serão convocados e outros cinco devem ser convidados a prestar esclarecimentos na Câmara dos Deputados. Em sessão nesta quarta-feira, partidos da oposição conseguiram manter com status de convocação os requerimentos para Aguinaldo Ribeiro (Cidades), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República), Jorge Hage (Controladoria Geral da União) e Manoel Dias (Trabalho e Emprego).

Ainda nesta quarta outras três comissões devem votar requerimentos para ouvir ministros do governo: a Comissão de Ciência e Tecnologia quer ouvir o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, sobre atividades da pasta no ano passado; a Comissão de Integração Nacional pretende convocar o ministro da pasta, Francisco José Coelho Teixeira; e a comissão de Viação e Transportes quer explicações sobre os projetos de modernização do setor aéreo e pretende ouvir o ministro da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, Moreira Franco.

Em um dos raros momentos de entendimento da sessão, o partido do governo conseguiu negociar a
transformação de alguns requerimentos, que originalmente eram convocação, em convites, como foi o caso do ministro da Saúde, Arthur Chioro, convidado na Comissão de Seguridade Social e Família para falar sobre o regime de trabalho dos médicos cubanos no Programa Mais Médicos.

Convocados, os ministros Manoel Dias, Gilberto Carvalho e Jorge Hage deverão falar sobre "denúncias de irregularidades de ONGs". Carvalho, chefe da Secretaria-Geral da Presidência, também deverá ser questionado por deputados sobre o patrocínio da Petrobras, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Caixa Econômica Federal a um evento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), numa marcha que terminou em confronto com a Polícia Militar do Distrito Federal.

"A convocação do Manoel Dias era uma necessidade", defendeu Fernando Francischini (PR), líder do Solidariedade. O deputado lembrou que o ministro já foi convidado duas vezes pela Casa. "Agora a Polícia Federal tem indícios concretos, depoimentos, quebras de sigilo que mostram que existiam fantasmas do partido recebendo valores e não trabalhando em ONGs", completou.

O líder do PMDB, Eduardo Cunha, explicou que a convocação do ministro das Cidades será para explicar, entre outros assuntos, a proposta que obriga o uso de simuladores de direção nas autoescolas. Segundo Cunha, a medida não é razoável e pode favorecer um pequeno grupo de empresários que produzem o equipamento no País.

Numa tensa sessão, com diversos bate-bocas, deputados do PT e aliados fiéis ao governo acusaram o presidente do colegiado, João Arruda (PMDB-PR), de adotar manobras regimentais e de direcionar as votações de acordo com as vontades do líder peemedebista e pivô da crise com o Planalto, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O líder do PMDB se defendeu das acusações e disse que Arruda agiu no cumprimento do regimento da Câmara.

O grupo aprovou ainda o convite para que a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, vá a Câmara falar sobre denúncias de corrupção que citam a estatal e a holandesa SBM Offshore. Caso ela não compareça à Casa em até 30 dias, os deputados no colegiado se comprometeram em aprovar um requerimento para convocar o ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, para falar sobre o caso. Como parte do acertado, os deputados retiraram da pauta desta quarta um requerimento que previa a convocação de Lobão.

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