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14/03/2014 11:50 - Atualizado em 14/03/2014 18:23

Cerca de 300 mil litros de leite adulterados foram vendidos

MP revelou que comercialização do produto ocorreu no Paraná e em São Paulo

Produtos foram vendidos no Paraná e São Paulo pelas marcas Líder e Parmalat<br /><b>Crédito: </b> Mauro Schaefer
Produtos foram vendidos no Paraná e São Paulo pelas marcas Líder e Parmalat
Crédito: Mauro Schaefer
Produtos foram vendidos no Paraná e São Paulo pelas marcas Líder e Parmalat
Crédito: Mauro Schaefer

O Ministério Público (MP) do Estado deflagrou a quarta etapa da Operação Leite Compen$ado. Para esta etapa, técnicos e servidores do Ministério Público, com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(MAPA), Polícia Civil e Brigada Militar, cumpriram mandados de busca e apreensão em oito municípios do Estado, distribuídos em diferentes regiões. O trabalho conjunto das Promotorias de Justiças Especializada Criminal e Especializada de Defesa do Consumidor, de Porto Alegre, vêm combatendo fraudes e adulterações na cadeia produtiva do leite em conjunto com o MAPA desde o ano passado.

Esta fase da operação iniciou em fevereiro quando o MP recebeu documentação do Ministério da Agricultura noticiando que, das 53 amostras de leite cru coletadas no posto de resfriamento do Laticínios O Rei do Sul, localizado em Condor, na Região Noroeste do Estado, 12 amostras apresentaram a presença de formaldeídos (formol). Parte deste leite
impróprio foi entregue à LBR, de Tapejara, empresa de laticínios que enviou 100 mil litros de leite contaminados para suas unidades em Guaratinguetá, São Paulo, e mais 199 mil litros do produto, também contaminado, à Lobato, no Paraná. No total, cerca de 300 mil litros de leite com substâncias cancerígenas foram disponibilizados para
comercialização.

As substâncias encontradas no leite foram água oxigenada, soda cáustica e ureia. As amostras que apontaram a contaminação incluíram leites de rotas de produtores do silo de resfriamento e de rotas de expedição da empresa O
Rei do Sul. A partir daí, o MP conseguiu rastrear e identificar os responsáveis por esses produtos. O responsável pelo silo de resfriamento da empresa O Rei do Sul, Odir Pedro Zamadei, de 64 anos, foi preso, ainda
no início desta manhã pelos fiscais.

O leite adulterado enviado para São Paulo foi embalado com a marca Parmalat. O produto enviado para o Paraná foi embalado com a marca Líder. A empresa não informou o lote do produto. A indústria Campesina, de Penápolis, em São Paulo, também esteve envolvida. Porém, os lotes não chegaram as prateleiras para comercialização.

Os Promotores de Justiça responsáveis pela investigação e combate à adulteração do leite, Mauro Rockenbach e Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, disponibilizaram detalhes da operação na Promotoria de Justiça de Ijuí. Para Rockenbach é inaceitável que mesmo após as outras investigações os casos de adulteração no leite continuem acontecendo. A suspeita é de que o produto tenha sido encaminhado aos outros Estados devido a fiscalização do MP aqui no Rio Grande do Sul. Já o Subprocurador-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, Ivory Coelho Neto, que acompanhou os trabalhos, dando apoio institucional aos promotores, afirmou que continuará na operação até que o problema seja solucionado. "Os criminosos estão enfrentando o MP e continuam fraudando o produto alimentício, e nós
aceitamos esse desafio e agiremos rigorosamente para que essa prática seja banida", ressaltou Neto. A expectativa era de que, até o final da operação, 16 caminhões fossem apreendidos.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos seguintes locais:
• Sede da empresa Indústria e Comércio de Laticínios Rei do Sul Ltda
(Condor/RS)
• Sede da Cooperativa Regional dos Assentados das Missões Ltda
(Bossoroca/RS)
• Residência de Evio Fernandes da Rosa (Vitória das Missões/RS)
• Sede da Cooperativa Regional da Reforma Agrária Mãe Terra Ltda.
COOPERTERRA (Tupanciretã/RS)
• Sede da empresa Geovani Zamberlan e Cia. Ltda. PROLATI (Panambi/RS)
• Residência de Alessandro Schindler (Santo Augusto/RS)
• Sede da empresa Transportes Schindler Ltda. (Santo Augusto/RS)
• Sede da empresa Rui Rosa da Luz ME (Capão do Cipó/RS)
• Sede da empresa Jocemar Lúcio Rossi ME (Ijuí/RS).

Substâncias misturadas ao leite apresentam graves riscos
O engenheiro químico do MP, Jerônimo Luiz de Menezes Friedrich, explicou que as substâncias misturadas ao leite, apresentam graves riscos à saúde, porque se acumulam no organismo. Segundo ele o objetivo dos fraudadores é
de maquiar as análises fisico-químicas que são feitas no produto. A grande fraude é relacionada ao volume do leite. “Eles colocam água para aumentar o volume do leite, mas para maquiar esse grande volume de água nas análises é necessário misturar substâncias químicas”, explicou.

Para não ter o leite condenado, os fraudadores utilizam diversas substâncias tóxicas, como água oxigenada, ureia, soda cáustica, sal e até cal. “Após misturar a água, as análises condenariam o produto, porém há várias substâncias para evitar a perda do leite”, comentou Friedrich.

Segundo ele, a soda cáustica é utilizada para diminuir o ph do leite e fazer com que a acidez passe na medida certa nas análises fisico-químicas. Já a água oxigenada aumenta a vida útil do leite.

Para avaliar a qualidade do leite durante as operações é utilizado um aparelho móvel, chamado de LactoScan, que aponta as alterações no produto.

Após o reconhecimento feito pelo equipamento o leite é enviado ao laboratório para outra análise ser efetuada. No posto de resfriamento O Rei do Sul, em Condor, foram encontradas soda cáustica, utilizada para misturar no leite. O responsável pelo posto, Odir Pedro Zamadei, de 64 anos, foi preso ainda no início da manhã e encaminhado a Delegacia de PanambI.

Caminhões foram apreendidos em transbordo de leite

Ainda como parte da quarta etapa da Operação Leite Compensado, três caminhões foram apreendidos fazendo transbordo irregular de leite em Entre-Ijuís. A ação ocorreu próximo a um posto de gasolina, que seria o ponto de encontro para o processo, segundo o promotor de justiça, Mauro Hockenbach.

Um caminhão que trazia o leite das áreas rurais fazia o repasse do produto para outros dois caminhões, através de uma mangueira. O que preocupava os fiscais do MAPA são as péssimas condições de higiene em que o repasse é
feito.

O leite que estava passando pelo processo de transbordo, não estava contaminado por misturas de substâncias tóxicas. No entanto, durante o flagrante foi possível entender a causa da preocupação dos fiscais. A mangueira que faz o repasse do leite é coberta de terra e fica em contato com o chão quando retirada dos caminhões, o que traz diversas bactérias ao
leite, que chegará as prateleiras dos supermercado para comercialização.


As informações são da repórter Jézica Bruno

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Fonte: Correio do Povo





» Tags:Polícia Geral Leite

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