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26/03/2014 09:57 - Atualizado em 26/03/2014 10:15

"Copa é um negócio, que tem futebol como centro”, afirma Tarso

Mundial deve gerar cerca de R$ 80 milhões em impostos para o Estado

Governo deu início ao Diálogos da Copa<br /><b>Crédito: </b> Thiago Koche / Palácio Piratini / Divulgação / CP
Governo deu início ao Diálogos da Copa
Crédito: Thiago Koche / Palácio Piratini / Divulgação / CP
Governo deu início ao Diálogos da Copa
Crédito: Thiago Koche / Palácio Piratini / Divulgação / CP

No dia em que a Assembleia Legislativa aprovou o projeto de lei que viabiliza a construção das estruturas temporárias para a Copa do Mundo, o governo gaúcho deu início aos Diálogos da Copa, série de debates e consultas em torno da realização do Mundial em Porto Alegre. “Políticas e negócios sempre estiveram envolvidos no esporte. A Copa hoje é um grande negócio, uma relação mercantil que tem o futebol como centro”, disse o governador Tarso Genro durante evento transmitido ao vivo pelo Gabinete Digital na noite dessa terça-feira. 

O evento reuniu principalmente atores e representantes de movimentos críticos à Copa, que dialogaram diretamente com o governador e secretários. Em resposta às críticas sobre o atraso na abertura para o diálogo, Tarso defendeu a perspectiva da Copa enquanto oportunidade. “Concordo que o diálogo deveria ser orientado, antes, pelo governo federal. Soubemos das invasões à soberania do país tardiamente. A decisão de assumir a Copa nessas condições foi uma roubada. Mas é preciso diferenciar o espetáculo esportivo do evento mercantil. É uma oportunidade, apesar de todas as injustiças”, completou. Tarso também lembrou que o Rio Grande do Sul espera 200 mil turistas e que as movimentação financeiras no período da Copa devem gerar cerca de R$ 80 milhões em impostos para o Estado.

Conduzido pelo secretário-geral de governo, Vinícius Wu, o evento transitou entre diversos temas, com especial destaque aos impactos sociais da Copa; remoções, alterações no calendário escolar, atuação da Brigada Militar, elitização do esporte, comércio de ambulantes e ocupação dos espaços públicos, entre outros.

Presencialmente, participaram do debate Cláudia Favaro, do Comitê Popular da Copa, João Hermínio Marques, da Frente Nacional dos Torcedores, José Araújo, morador da Vila Cristal, e Olanda Campos, da Associação de Ambulantes de Cachoeirinha, e o cartunista Carlos Latuff. Por videoconferência, debateram Juca Kfouri, jornalista esportivo, e Antonio Lassance, pesquisador do IPEA.

João Hermínio, da Frente Nacional dos Torcedores, posicionou-se a favor de uma copa mais popular e acessível. “Não assumimos uma postura extrema, de dizer que não vai ter copa ou que vai ter copa. Nossa crítica é ao modelo excludente da Fifa, com ingressos caros e pouco alinhados aos interesses populares”, afirmou. Já a ambulante Olanda Campos, acostumada ao comércio na frente do estádios em dias jogos, expressou sua preocupação com o trabalho dos pequenos comerciantes e trabalhadores no entorno do Beira-Rio: “a nossa classe já é massacrada e está sempre lutando pela inclusão”.

Juca Kfouri e Antônio Lassance, falando de São Paulo e Brasília respectivamente, parabenizaram a abertura para o diálogo e abordaram de diferentes perspectivas o tema em debate. “Acredito que esta iniciativa do governo gaúcho é inédita”, afirmou Juca. “Lamento que o diálogo não tenha se iniciado antes, quando o país foi escolhido como sede. Estamos tentando fazendo a Copa do Mundo da Alemanha no Brasil, em vez de fazer a Copa do Mundo do Brasil”, colocou o jornalista. Já para Lassance, grandes eventos tornam mais visíveis os problemas do país. “A Copa virou uma espécie de Judas. Ninguém lembra que 30% dos gastos foram destinados para estádios, enquanto os restantes 70% foram aplicados em obras de mobilidade urbana, projetos de segurança, ampliação de aeroportos, qualificação profissional e outros setores”, disse o pesquisador do IPEA.

Cláudia Favaro e José Araújo, ambos do Comitê Popular da Copa, assumiram um tom mais crítico. “Seremos impedidos de ir e vir em território público em razão de uma lógica de desenvolvimento excludente, em prol da especulação imobiliária e em detrimento dos pobres, prédios históricos, e árvores seculares”, afirmou Cláudia, que também sugeriu atividades e alimentação nas escolas públicas nos dias em que não haverá aulas durante a Copa. Araújo, que reside próximo à Vila Tronco, alegou que o movimento popular reivindicou diálogo com a prefeitura mas não obteve resultados. “A nossa maior preocupação é com a remoção das famílias sem recolocação adequada, indenização injusta e sem dignidade”, disse. O próximo debate está marcado para 22 de abril.

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Fonte: Correio do Povo






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