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29/03/2014 09:15 - Atualizado em 29/03/2014 09:17

Nova ponte do Guaíba gera apreensão em famílias

Construção demanda remoção de 850 famílias de região próxima à obra

Jesus Severo Desidério e a esposa, Regina, estão preocupados com a falta de informação <br /><b>Crédito: </b> André Ávila
Jesus Severo Desidério e a esposa, Regina, estão preocupados com a falta de informação
Crédito: André Ávila
Jesus Severo Desidério e a esposa, Regina, estão preocupados com a falta de informação
Crédito: André Ávila

O primeiro local a sofrer o impacto com a construção da nova ponte do Guaíba será o entorno da rua Dona Teodora, em Porto Alegre, às margens da freeway. Nesse ponto, será inicialmente feita a terraplenagem e pavimentação para a construção das alças que darão acesso à ponte. Para isso, porém, será necessária uma das etapas mais complexas do projeto: a remoção de famílias.

No projeto total — que envolve os moradores das vilas Areia e Tio Zeca e da Ilha Grande dos Marinheiros — serão 850 famílias removidas. Boa parte delas foi pega de surpresa com o anúncio, nesta semana, da presidente Dilma Rousseff sobre o início imediato das obras. Mas o maior problema agora é a falta de informações sobre a remoção, que gera dúvidas e provoca receios entre os moradores. “Até agora ninguém avisou nada. Se for para um lugar melhor onde podemos criar os filhos e os netos, tudo bem. Aqui não há os serviços mínimos nem estrutura adequada para se viver”, comentou Jesus Severo Desidério ao lado da esposa, Regina. Os dois filhos do casal, Paulo e Lilian, têm casas na Vila Areia, onde moram há dois anos. “Gostaríamos que nos avisassem com antecedência para onde seremos removidos, mas até agora nada”, disse Jesus.

O sentimento não é muito diferente do outro lado do Guaíba. Na Ilha Grande dos Marinheiros, o assunto de remoção não é novo, mas há dúvidas entre os ribeirinhos. “A discussão não é atual. Só que o impacto vai além da simples retirada de famílias”, comentou o líder comunitário Juramar Vargas. Ele disse que, além das casas, para a construção da ponte será necessário derrubar o galpão de reciclagem, que é fonte de renda para boa parte dos moradores. No espaço também há uma área de lazer da comunidade, uma casa comunitária e, em frente, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida.

Outra preocupação, explicou Vargas, é que o governo tente colocar todas as 850 famílias – somando as da Ilha e das vilas Areia e Tio Zeca – no mesmo local. “Isso não vai dar certo. Cada comunidade tem características próprias. Não podem simplesmente pôr tudo no mesmo pacote.”

A obra será de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A remoção será feita pelo governo federal. Porém, não há definição ainda de onde eles serão instalados. A ideia é que primeiro as famílias sejam removidas para um local provisório para depois seguir para um definitivo. Os novos detalhes serão apresentados pela presidente Dilma Rousseff após a cerimônia de assinatura do contrato no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta segunda-feira.

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