Porto Alegre, domingo, 21 de Dezembro de 2014

  • 02/04/2014
  • 18:35

Hospital defende medida judicial que obrigou gestante a fazer cesariana

Diretor explica que a posição comprometia a realização do parto normal, como queria a mãe

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  • Rádio Guaíba

 Depois de recorrer à Justiça para submeter uma mulher à cesariana em Torres, no litoral Norte, a instituição de saúde defendeu a atitude. O diretor técnico do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, Marcelo Fagundes, fala que havia riscos à vida da mãe e do bebê, e por isso a equipe médica tomou a decisão. Ele explica que Adelir Carmem Lemos de Goes, de 29 anos, procurou o hospital na tarde de segunda-feira. A gestante, que já tinha 42 semanas de gestação, reclamou de dores no abdômen e nas costas, sinalizando o início do trabalho de parto, segundo Fagundes.

A obstetra plantonista examinou a mulher e realizou ecografia, que mostrou que pela posição do feto, em pé, a criança corria risco de morrer asfixiada durante o parto. O diretor explica que a posição comprometia a realização do parto normal, como queria Adelir. Além disso, ele fala que o risco era ainda maior, com chance de sangramento e rompimento do útero, pelo fato de ela estar no prazo limite normal para o parto e já ter sido submetida a outras duas cesarianas.

Mesmo informada da situação, a mulher decidiu não realizar o procedimento conforme recomendado, e assinou um termo para ser liberada do hospital. Em seguida, a equipe médica decidiu comunicar o Ministério Público sobre o ocorrido, a fim de evitar ser responsabilizada pelas possíveis complicações do parto. O promotor Octavio Noronha solicitou os prontuários médicos e ingressou com a medida de proteção judicial.

A juíza Liniane Mog da Silva determinou, então, o retorno da gestante ao hospital. Com apoio da Brigada Militar, Adelir foi conduzida à instituição na madrugada de terça-feira, onde foi reexaminada e submetida à cesariana. Fagundes ressaltou que foram constatados sinais de sofrimento fetal, comprovando a necessidade de indução imediata do parto.

A menina, batizada de Yuja Kali, nasceu saudável, com 3.650 kg e 49 cm. Ela e a mãe devem receber alta nesta quinta-feira.

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