Porto Alegre, segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

  • 15/04/2014
  • 19:57
  • Atualização: 20:17

Oposição afirma que explicações de Graça Foster foram insuficientes

Senadores avaliam que CPI ainda é necessária para investigar decisões administrativas da Petrobras

Senadores avaliam que CPI ainda é necessária para investigar decisões administrativas da Petrobras | Foto: Antonio Cruz/ABr/CP

Senadores avaliam que CPI ainda é necessária para investigar decisões administrativas da Petrobras | Foto: Antonio Cruz/ABr/CP

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  • Agência Brasil

Senadores de oposição e indepdentes definira, nesta terça-feira, que as explicações da presidente da Petrobras, Graça Foster, não eliminam a necessidade de investigações mais profundas no Congresso sobre os contratos da empresa. Mesmo depois de passar cerca de seis horas ouvindo Graça Foster responder aos questionamentos, alguns parlamentares consideram que ainda há fatos pendentes sobre a gestão da companhia.

Apesar de fazer parte de um partido da base aliada, a senadora Ana Amélia (PP-RS) se declara “independente” e defende a instalação da comissão parlamentar de inquérito (CPI) proposta pela oposição depois da audiência. Na opinião dela, a presidente da Petrobras demonstrou “liderança e segurança” em suas respostas, mas deixou lacunas sobre temas que precisam ser melhor esclarecidos. “Mesmo que ela tenha se esforçado para responder a todos os questionamentos, só a admissão de que a compra da refinaria de Passadena foi um mal negócio já justifica uma investigação”, avaliou a senadora.

O senador oposicionista Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) também considerou que os temas centrais sobre o contrato de compra da refinaria de Passadena, nos Estados Unidos, não foram respondidos. “A CPI se faz cada vez mais necessária", apontou. "Por que o preço pago pela refinaria, mesmo tendo sido por ela ajustado para US$ 360 milhões na compra original, subiu a US$ 1,2 bilhão?", indagou. "Não se esclareceu porque o Conselho de Administração aprovou a compra sem o conhecimento pleno da documentação. E o que é mais grave, depois de ter tomado conhecimento, em 2008, não se tomou nenhuma providência em relação ao diretor responsável pela omissão das cláusulas do contrato que eram decisivas para o fechamento do negócio. Então, as dúvidas perduram, e é necessário que a comissão parlamentar de inquérito seja instalada”, acrescentou.

Evitando atrelar a audiência com Graça Foster aos pedidos de criação de CPIs no Congresso, a ex-ministra da Casa Civil, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que este não é o “momento, nem o fórum adequado” para discutir a criação de uma investigação parlamentar sobre a Petrobras. Na opinião dela, esse assunto será definido pelo plenário do Congresso Nacional e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirão se será instalada a CPI proposta pela oposição para investigar exclusivamente a Petrobras, ou se a proposta pelos governistas, que inclui outros contratos sobre assuntos diversos no escopo de investigação.

Para Gleisi Hoffamann, as queixas dos oposicionistas quanto às respostas da presidente da Petrobras são de ordem política, e não técnica. “Graça foi muito clara, muito tranquila e muito sincera. Esclareceu, sim, vários pontos. Temos que ver qual é a disposição da oposição de receber essas informações. Porque há também uma disposição política em todo esse processo”, ponderou.

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