Porto Alegre, sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

  • 16/04/2014
  • 11:18
  • Atualização: 12:06

Bernardo procurou outra família antes de dar chance a pai, relata promotora

Dinamárcia Maciel informou que Bernardo fez reclamação ao MP de Três Passos em janeiro

  • Comentários
  • Correio do Povo e Rádio Guaíba

A promotora Dinamárcia Maciel de Oliveira, responsável pelo caso que envolve a morte de Bernardo Uglione Boldrini, relatou nesta quarta-feira que o menino de 11 anos procurou uma segunda família em Três Passos antes de dar uma nova chance ao pai. "No dia 27 de janeiro, recebemos uma carta declaratória da avó, pedindo a guarda do Bernardo. Nós consultamos esta família para ver se eles poderiam acolher o menino provisoriamente, enquanto realizávamos a avaliação psicológica da família biológica. Nós recebemos um peremptório não. E o motivo seria que estas pessoas não gostariam de se indispor com o 'doutor' Boldrini", disse em entrevista à Rádio Guaíba.

• Emoção marca sepultamento de  Bernardo em Santa Maria
• Leia mais sobre o caso Bernardo

Dinamárcia esclareceu que a atitude do menino de procurar o Fórum de Três Passos para relatar falta de afetividade na família ocorreu muito depois de um trabalho interno realizado do Ministério Público (MP) do município. "O MP da cidade tomou a iniciativa de entrar neste caso em novembro de 2013, quando assistentes sociais comentaram que o Bernardo, um menino de classe alta de Três Passos, estava sendo negligenciado dentro da própria casa", explicou.

A promotora disse que solicitou um relatório do Conselho Tutelar e da escola em relação a Bernardo. Após perceber que faltavam informações, requisitou mais informações da avó. Por meio de um email, enviado pelo advogado, Jussara Uglione relatou que estava preocupado com o menino, que dormia e era alimentado na casa de terceiros.

A partir daí, um procedimento foi instaurado por Dinamárcia, que gostaria de ouvir o pai, a madrasta e a avó. "Solicitamos a presença de todos, mas como a avó tinha problemas de saúde e não poderia viajar por conta de uma recomendação médica, fizemos um pedido para a promotoria de Santa Maria ouvir a dona Jussara. Ela compareceu e explicou que Bernardo passava férias com a madrinha em Capão da Canoa e gostaria que o menino estivesse com ela na audiência. O problema que ocorreu foi que ela não conseguiu levar o menino", observou a promotora.

O primeiro contato

O primeiro contato entre Bernardo Boldrini e a promotora Dinamárcia ocorreu somente em 24 de janeiro, quando o menino, acompanhado por pessoas que trabalham no Fórum de Três Passos, procurou ajuda para fazer uma reclamação. "A minha primeira reação ao ver o Bernardo foi dizer a ele que já o conhecia e que estava tentando ajudar sem ele saber. Ele ficou surpreendido e sorriu. Depois disso, ele me contou que era xingado pela madrasta e que respondia também. Mas tudo aquilo o chateava. Em determinado momento, ele me disse que gostaria de ser cuidado por outra pessoa e nomeou uma família", recordou.

Com a negativa da segunda família para ficar com Bernardo provisoriamente, a promotora Dinamárcia ajuizou uma ação protetiva, pedindo para que a vontade de Bernardo fosse respeitada e que, por meio de uma liminar, a Justiça concedesse à avó a guarda do menino. "A audiência foi marcada para o dia 11 de fevereiro e lá o pai do menino se apresentou surpreso e assustado com a situação. Na ocasião, ele disse que não abria mão da guarda de Bernardo. O pai admitiu que o relacionamento entre o garoto e a madrasta era ruim, mas queria uma chance de reconquistar o carinho do filho", disse.

Segundo Dinamárcia, Bernardo só voltou aos cuidados do pai porque resolveu dar "uma segunda chance". Receoso, o menino ainda perguntou à promotora o que ele poderia fazer se algo de ruim acontecesse. "Eu disse a ele para procurar ajuda e correr para o Ministério Público. Ainda tínhamos uma audiência para o dia 13 de maio, que iria definir se o Bernardo ficaria ou não com o pai em definitivo, mas infelizmente ela não irá ocorrer", completou.

Bookmark and Share