Porto Alegre, sábado, 20 de Dezembro de 2014

  • 19/04/2014
  • 09:30
  • Atualização: 09:32

Capitão de balsa coreana defende decisão de adiar retirada de passageiros

Lee Joon-seok disse que barcos de ajuda não haviam chegado ao local

Mergulhadores lutam contra as correntes e o mar agitado na busca por sobreviventes | Foto: Jung Yeon-Je / AFP / CP

Mergulhadores lutam contra as correntes e o mar agitado na busca por sobreviventes | Foto: Jung Yeon-Je / AFP / CP

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  • AFP

O capitão da balsa que naufragou na Coreia do Sul na quarta-feira defendeu a decisão de adiar a saída dos passageiros da embarcação porque barcos de resgate ainda não haviam chegado ao local. Lee Joon-seok e dois membros da tripulação foram detidos neste sábado e terão que responder por acusações de negligência e falhas na segurança dos passageiros, uma violação do código marítimo.

O homem de 69 anos tem sido muito criticado por ter abandonado a embarcação, enquanto centenas de pessoas, em sua maioria adolescentes em viagem escolar, permaneciam presas a bordo. O balanço mais recente da tragédia registra 32 mortos e 270 desaparecidos.

Lee Joon-seok tentou explicar os motivos de sua decisão de adiar a saída dos passageiros depois que a embarcação ficou imobilizada. As 476 pessoas que estavam a bordo receberam ordem para que permanecessem em seus assentos por mais de 40 minutos, segundo sobreviventes. Quando a balsa começou a afundar era muito tarde, já que os passageiros não conseguiam avançar pelos corredores inclinados, ao mesmo tempo que a água dominava a embarcação.

"Naquele momento (durante os 40 minutos posteriores ao choque), os barcos de emergência não haviam chegado. Também não havia pesqueiros ou quaisquer outros barcos que pudessem nos ajudar", declarou o capitão com a cabeça abaixada e coberta por um capuz. "As correntes eram fortes e a água estava muito fria. Pensei que os passageiros seriam arrastados e teriam dificuldades se a retirada acontecesse em desordem, sem coletes salva-vidas" disse. "E teria acontecido o mesmo com coletes", acrescentou.

Revolta dos parentes

Não foram encontrados sobreviventes desde a manhã de quarta-feira, quando 174 pessoas foram resgatadas poucas horas depois do naufrágio, no mar ou quando pulavam da balsa que ainda afundava. A embarcação transportava 476 pessoas, incluindo 352 estudantes do colégio Danwon de Ansan, uma localidade ao sul de Seul, que estavam em uma viagem escolar. O vice-diretor da escola, que havia sobrevivido à catástrofe, foi encontrado enforcado na sexta-feira, em um aparente suicídio.

"Sobreviver é muito difícil... Eu assumo toda a responsabilidade", escreveu em uma carta encontrada em sua carteira, segundo a imprensa local. A revolta dos familiares aumentou nas últimas 48 horas. Os pais acusam as autoridades e os serviços de emergência de incompetência e indiferença. "Não temos muito tempo. Muitos acreditam que é o último dia possível para encontrar passageiros vivos", disse Nam Sung-Won, que tinha um sobrinho de 17 anos a bordo. "Depois de hoje, tudo estará acabado", completou. A causa do acidente ainda não foi determinada. As informações da Marinha indicam que a balsa girou bruscamente antes de enviar um sinal de socorro. O choque pode ter desequilibrado a carga - 150 automóveis - e inclinado a embarcação.

Mar agitado

Os mergulhadores, que há três dias lutam contra as correntes e o mar agitado, conseguiram finalmente entrar na área de passageiros, que está totalmente submersa. "Os mergulhadores viram três corpos através de uma janela", anunciou Choi Sang-Hwan, subdiretor da Guarda Costeira. "Tentaram recuperar os corpos quebrando o vidro, mas era muito difícil", completou durante uma reunião com os parentes dos desaparecidos.

Os familiares receberam neste sábado uma mensagem de pêsames do papa Francisco, que tem uma visita programada ao país em agosto. "Rezem comigo pelas vítimas da catástrofe da balsa na Coreia do Sul e por suas famílias", escreveu o pontífice no Twitter.

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